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28 de julho de 1914: hoje faz 100 anos que o mundo acabou

© DR

Jason Jones e John Zmirak - publicado em 28/07/14

As armas e o gás da Primeira Guerra Mundial condenaram 133 milhões de pessoas à morte. Será que não aprendemos a lição?

Exatos cem anos atrás, a civilização ocidental tentou o suicídio. Quase conseguiu. E ainda não se recuperou totalmente.

Quando as armas austro-húngaras abriram fogo contra as forças sérvias em 28 de julho de 1914, elas provocaram muito mais baixas do que os comandantes de cada lado poderiam imaginar: a queda do primeiro dominó levou inexoravelmente à morte de dez milhões de homens em combate, sem contar os civis que morreriam sob as forças alemãs ou de fome por causa dos bloqueios britânicos, nem as dezenas de milhões de pessoas que morreriam após o final da guerra devido à epidemia de gripe disseminada pelos soldados que voltavam para casa. Muitos outros milhões ainda morreriam vitimados pelo genocídio armênio e pela Guerra Civil Russa, que foram mais dois resultados diretos da Primeira Guerra Mundial.

A fome em massa na Ucrânia, o terror soviético, a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto: todas essas tragédias também brotaram das sementes plantadas há exatos cem anos. O historiador R.J. Rummel estimou, em sua obra “Death by Government” [Mortos pelo Governo], que cerca de 133,1 milhões de civis foram mortos intencionalmente por governos também civis ao longo do século XX: um número aterrador de assassinatos que teria sido simplesmente impensável para os cidadãos do mundo pacífico e próspero que vislumbramos nas histórias de Sherlock Holmes. A maioria dessas mortes foi resultado direto ou indireto da Primeira Guerra Mundial.

É difícil, para nós, imaginar o quanto o mundo era diferente em 1914 e o quanto foram chocantes as mudanças catastróficas impostas pela Primeira Guerra Mundial.

Antes da Primeira Guerra Mundial:


Pela Europa e pelo Oriente Médio, espalhavam-se minorias étnicas e religiosas que tinham vivido lado a lado e em relativa paz durante centenas de anos. Os fanáticos ódios étnicos provocados pela guerra levariam à cruel e generalizada "limpeza étnica" prolongada ao longo de décadas, de maneiras menos ou mais sangrentas, com as maiorias nacionais “purgando-se” das minorias, num processo que não terminaria até que prevalecesse uma sombria uniformidade e até que a maioria dos judeus da Rússia e da Polônia tivesse sido morta.

O nacionalismo era apenas uma fonte de lealdade política, em concorrência com outros princípios organizadores mais tolerantes, como a lealdade a uma dinastia ou ao governo. Os croatas foram fiéis a um imperador de língua alemã em Viena; centenas de milhares de judeus serviram fielmente ao Kaiser alemão.

O mundo muçulmano era infinitamente mais complexo e menos propenso ao extremismo do que se tornou nas décadas seguintes. Como Philip Jenkins documenta, o colapso do califado turco incitou os muçulmanos de todo o mundo a buscar um novo princípio unificador, que muitos encontraram nas versões puritanas e intolerantes do islã, como a que daria à luz a Al-Qaeda.

Era comum o entendimento de que os governos desempenhavam um papel pequeno na vida dos cidadãos e na gestão da economia. O livre comércio, a moeda estável atrelada ao ouro e baixos impostos prevaleciam na maior parte do Ocidente, onde a imprensa era majoritariamente livre e as pessoas podiam viajar de Londres a Vladivostok sem necessidade de passaporte.

Os cidadãos podiam guardar dinheiro para o futuro com segurança, sabendo que a sua poupança manteria o valor original e que os seus investimentos seriam protegidos por governos que respeitavam a propriedade privada. 

Poderíamos continuar descrevendo, ao longo de páginas e páginas, todos os valores que foram esmagados pela Primeira Guerra Mundial como se fossem uma grande catedral destruída por uma bomba. Os historiadores passarão séculos desembalando as passionalidades que se desencadearam sobre o mundo quando os sistemas de ordem que tinham governado o Ocidente durante centenas de anos se estraçalharam de repente.

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ConflitosGuerraHistória
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