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O Papa da Paz: ele quase conseguiu encerrar a Primeira Guerra Mundial e evitar a Segunda

Library of Congress/Public Domain

Philip Jenkins - publicado em 30/07/14

A nova ordem mundial proposta por Bento XV (1854-1922)

Cem anos atrás, em 1914, milhões de cristãos europeus saudaram a chegada da guerra com um grau de aceitação, ou mesmo de regozijo, que, olhando-se hoje em retrospectiva, parece muito difícil de acreditar.

Para os alemães, especialmente, aquele foi um momento de transfiguração, um novo Pentecostes. Outros países viram na guerra um cumprimento de profecia, um sinal apocalíptico. Se pesquisarmos em todas as Igrejas do mundo, será difícil encontrar líderes que tenham falado com a firmeza que gostaríamos de ver num estadista cristão em meio a essas circunstâncias terríveis. Com algum alívio, no entanto, podemos nos voltar a um homem que falou como um profeta e que, além disso, propôs uma perspectiva genuinamente realista para a paz.

Sob o papado de Bento XV (1854-1922), o Vaticano se tornou um centro de eficaz ativismo cristão em prol da paz. Bento XV assumiu o pontificado em 3 de setembro de 1914, um momento de pesadelo na história europeia (a morte do seu predecessor, Pio X, tinha sido acelerada pelas tensões e pelos medos impulsionados pelo início da guerra). Os exércitos alemães avançavam sobre Paris e a titânica batalha do Marne ainda pairava no ar. Já no final daquele ano, dois milhões de soldados estariam mortos: cristãos assassinados por outros cristãos.

O que esperaríamos que um papa fizesse nessas circunstâncias?

A primeira atitude, é claro, foi denunciar o massacre e pedir o fim da violência. Bento XV o fez repetidamente. Uma semana após a sua ascensão ao trono de Pedro, ele condenou "o espetáculo terrível desta guerra que encheu o coração de horror e de amargura, à visão de todas as partes da Europa devastadas por fogo e aço, avermelhadas pelo sangue dos cristãos". 

Em novembro de 1914, ele protestou com firmeza: "Não há limite para a medida da ruína e do abate; dia após dia, a terra se encharca de sangue recém-derramado e se cobre dos corpos de mortos e feridos. Quem poderia imaginar, ao vê-los cheios de ódio um do outro, que todos eles são da mesma natureza, que todos são membros da mesma sociedade humana? Quem reconheceria neles irmãos cujo Pai está no céu?".

Em 1916, em frase que se tornou célebre, o Papa da Paz lamentou "o suicídio da Europa civilizada".

Bento XV também ofereceu planos estritamente práticos para limitar o conflito. Em 1914, ele pediu pelo menos um cessar-fogo temporário de Natal para que o estrondo dos canhões não ressoasse na noite em que os anjos tinham cantado. Mas a sua maior contribuição veio em agosto de 1917, num momento em que todos os poderes combatentes enfrentavam exaustão e desmoralização; um tempo de fome e de inquietação profunda em todo o continente. Naquele momento catastrófico, ele ofereceu uma proposta de paz que, quando consideramos o real desenvolvimento dos fatos, soa quase como uma alternativa utópica.

Falando de uma posição de total imparcialidade, Bento XV pediu uma paz sem vencedores nem perdedores. Países rivais deixariam de lutar e devolveriam todos os territórios que tinham conquistado, confiando os litígios à arbitragem internacional. O ponto fundamental, no entanto, era que a força material das armas fosse substituída pela força moral do direito; um acordo justo, aceito por todos, reduziria os armamentos de forma simultânea e recíproca, de acordo com regras e garantias a serem estabelecidas da maneira necessária e suficiente para a manutenção da ordem pública em cada país; a seguir, em vez dos exércitos, atuaria a instituição da arbitragem, com a sua elevada função de pacificação, de acordo com as normas a ser estabelecidas e com as sanções a ser decididas contra o país que se recusasse a submeter questões internacionais à arbitragem ou a aceitar as suas decisões.

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Tags:
ConflitosGuerraHistória
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