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Como Ronald Reagan venceu a Guerra Fria

AP Photo/Bob Daugherty

George Weigel - publicado em 31/07/14

O presidente e o papa eram homens de esperança

Nos últimos anos, à medida que os estudiosos vão tendo mais acesso aos documentos de fontes primárias sobre a política externa de Ronald Reagan, algo totalmente desconcertante para a sabedoria convencional do seu tempo (e do nosso) tem vindo à tona: Reagan, determinado a vencer a Guerra Fria, também almejava livrar o mundo das armas nucleares.

Embora muitos, em sua época e na nossa, imaginem que esses dois objetivos fossem incompatíveis, o 40º presidente dos Estados Unidos conseguiu manter as duas ideias na cabeça ao mesmo tempo e agir para alcançar ambas as metas.

A síntese curta e grossa que Reagan apresentava sobre qual seria o fim aceitável para a Guerra Fria – “Nós ganhamos, eles perdem” – se desenvolveu a partir de uma compreensão sofisticada do sistema comunista e da sua irreformabilidade: uma compreensão que o homem ridicularizado como “ator de filmes B” tinha conquistado a duras penas quando era presidente do sindicato de atores Screen Actors Guild, período em que teve de lutar contra os comunistas pelo controle do sindicato mais glamouroso de Hollywood.

Quanto ao seu abolicionismo nuclear e de acordo com o testemunho do seu diretor de controle de armas, Ken Adelman, Reagan abominava os horrores de Hiroshima e Nagasaki e odiava a ideia de que um presidente norte-americano pudesse causar uma destruição incomensuravelmente maior do que aquela. Assim, a Iniciativa de Defesa Estratégica de Reagan foi a expressão tecnológica da convicção moral do presidente de que as armas nucleares eram um grave perigo a ser eliminado da vida pública internacional.

Um exame atento dos textos de Reagan antes da presidência e dos diários que ele manteve como presidente revela um homem com uma aguçada percepção da vulnerabilidade da União Soviética. Como João Paulo II depois de junho de 1979, Ronald Reagan também intuía que, por toda a sua arrogância, o imperador soviético tinham muito menos roupa do que a percepção convencional imaginava. E, de novo como João Paulo II, Reagan entendia que a União Soviética era ideologicamente vulnerável: que uma crítica firme sobre o histórico abominável dos direitos humanos no comunismo, baseada nos fatos e na moralidade, abalaria os donos do poder em Moscou, exporia as fissuras do sistema soviético, incentivaria dissidentes corajosos a explorar essas fissuras e apressaria o fim do que Reagan tinha chamado, talvez pouco diplomaticamente, mas com verdade, de “império do mal”.

O que Reagan adicionou à mistura foi uma compreensão da vulnerabilidade econômica da União Soviética. Ele estava preparado para explorar essa vulnerabilidade com o lançamento de uma expansão da defesa norte-americana, pois sabia que os soviéticos, obrigados pela sua própria doutrina a mostrar uma contrapartida, não poderiam igualar essa expansão por causa das incapacidades econômicas, tecnológicas e burocráticas do seu sistema. A Iniciativa de Defesa Estratégica foi, em certo sentido, um golpe final: por causa do seu próprio sistema e das suas premissas, Mikhail Gorbachev não estava preparado para acreditar, e muito menos aceitar, a oferta de Reagan de compartilhar qualquer sistema viável de mísseis de defesa; e Gorbachev sabia que a URSS não podia competir numa nova corrida armamentista quando já estava ficando para trás na antiga. Xeque-mate. Como Ken Adelman afirma em seu novo e eletrizante livro “Reagan at Reykjavik: Forty-Eight Hours That Ended the Cold War” [“Reagan em Reykjavik: Quarenta e Oito Horas que Acabaram com a Guerra Fria”], a Iniciativa de Defesa Estratégica nunca funcionou do jeito que Reagan queria. Funcionou melhor.

Ronald Reagan compreendeu, melhor do que muitos homens da Igreja, que a Guerra Fria poderia ser vencida em termos aceitáveis​​, em vez de meramente gerenciada. Mais do que muitos homens da Igreja, ele entendeu que as pressões pelos direitos humanos na União Soviética serviria à causa mais ampla da liberdade e daria proteção aos ativistas dos direitos humanos e aos dissidentes. E ele entendeu também, melhor do que muitos homens da Igreja, mas em harmonia com o pensamento de João Paulo II, que a chave para resolver os perigos representados pelo sistema de dissuasão nuclear, em que os Estados Unidos e a União Soviética tinham a capacidade de reduzir o mundo a escombros, era o colapso do projeto comunista e a mudança dramática na governança da então URSS.

Seria bom se os nossos programas de estudos sobre a paz abordassem tudo isso e relessem a carta do episcopado dos Estados Unidos de 1983, “O Desafio da Paz”. Como Reagan e João Paulo II, eu continuo sendo um homem de esperança.

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