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Por que o Papa não vende os tesouros dos Museus Vaticanos?

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Corrado Paolucci - publicado em 10/08/14

A arte como forma de caridade e as novidades da Capela Sistina. As palavras do diretor dos Museus Vaticanos

Mais de 7km de extensão, 5.459.000 visitantes em 2013. Entre 20.000 e 25.000 presenças por dia. São os números dos Museus Vaticanos, os mais visitados do mundo, com mais de 100.000 obras de arte

Para além do valor artístico, histórico e cultural dos Museus, em 26 de novembro de 2006, Bento XVI escreveu que os Museus representavam uma visão heterogênea da humanidade e como instituição têm uma grande responsabilidade na difusão da mensagem cristã. 

Para entrar no mérito destas palavras e aprofundar sobre o papel da arte na vida da Igreja e do homem, entrevistamos o professor Antonio Paolucci, diretor dos Museus Vaticanos desde 2007, especialista internacional em História da arte. No governo italiano ele foi Ministro para os Bens Culturais entre 1995 e 1996.

© Sabrina Fusco / Museus Vaticanos

Por que a arte é tão importante na história da Igreja e da humanidade?
É preciso conhecer um pouco de história da Igreja para entender o que aconteceu entre o II e o III século, ou seja, nos primeiros séculos da era que nós chamamos cristã. Naquela época aconteceu algo de extraordinário e importante: diferentemente de outras religiões como o islamismo e o judaísmo, o cristianismo escolheu a figuração. Parece uma brincadeira, mas foi uma escolha carregada de futuro porque não existiria a história da arte: não existiria “Guardiões da Noite” de Rembrandt, ou “Os Girassóis” de Van Gogh, ou "O Guernica” de Picasso, se a Igreja naquela época não tivesse escolhido a figuração.

Pensemos em quanto trabalho deve ter vivido Paulo de Tarso, que conhecemos como São Paulo, judeu de lei, como quando na Primeira Carta aos Colossenses escreveu aquela frase incrível: Cristo é a imagem de Deus vivo. Um judeu ou um muçulmano diria que é uma blasfêmia. Também a Igreja teve a coragem de seguir esta linha escolhendo representar a verdade da fé e os episódios do Evangelho com as figuras, utilizando os estilos da época: o naturalismo, o ilusionismo helenístico, a arte dos gregos e dos romanos. Utilizando até mesmo as iconografias das antigas culturas e religiões, onde nos sarcófagos representavam Daniel na cova dos leões com o aspecto de Hercules: nu e vencedor, assim como o representavam os escultores da época. Pensemos em Cristo, ao qual se deu a imagem de Febo (Apolo). Utilizavam os materiais linguísticos e iconográficos da velha cultura inserindo os significados cristãos: assim começou a história da arte que chamamos de cristã, a qual produziu todas as formas de arte sucessivas. Se a Igreja de Roma tivesse feito a escolha dos muçulmanos e dos judeus, ou seja, sem os ícones, não existiria a história da arte. 

E a relação entre cultura e espiritualidade?
Não existe contradição entre elas, a cultura é sempre espiritual porque envolve aquilo que não se vê e não se toca. A cultura, o pensamento, a filosofia envolvem o aspecto do homem que se relaciona com as coisas invisíveis e intocáveis: O que é o homem? Qual o seu destino? Tudo isso é espiritualidade. Ou seja, não existe competição entre a cultura e a espiritualidade. Aquilo que nós chamamos de espiritualidade não é outra coisa que uma modulação daquilo que chamamos cultura.

Como responder às pessoas que dizem que o Papa deveria vender os tesouros como estes dos Museus Vaticanos para doar o dinheiro aos pobres?
Se o Papa vendesse as obras dos Museus Vaticanos o resultado seria que os pobres estariam mais pobres do que hoje. Isso porque as pessoas que entram nos Museus Vaticanos recebem da Igreja a caridade da beleza, que é a maneira de caridade mais linda que existe. A Igreja recolheu essas obras para as pessoas através dos séculos. A caridade da beleza, este é o nosso mistério e o nosso trabalho. É um bem intangível, que não se consome e é para os homens e mulheres de hoje, e para aqueles que ainda não nasceram.

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Tags:
ArteEntretenimentoIgrejaPapaVaticano
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