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Comboio humanitário russo segue para Ucrânia, apesar de advertências ocidentais

<p>Rua destruída em Donetsk</p>

AFP - publicado em 12/08/14

A Ucrânia deixou claro que não permitirá a passagem ao seu território do comboio russo

Um comboio de ajuda humanitária russo de 480 caminhões se dirigia nesta terça-feira à fronteira com a Ucrânia, onde o Exército de Kiev combate os separatistas pró-russos, apesar das advertências do Ocidente, que teme que se trate de um pretexto para enviar tropas.

A Ucrânia deixou claro que não permitirá a passagem ao seu território do comboio russo.

"Não consideramos possível deslocar colunas russas no território da Ucrânia. O conteúdo do comboio pode passar para um posto fronteiriço ucraniano e ser carregado em um veículo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha", indicou o chefe-adjunto da presidência, Valéri Tchaly.

"Não aceitaremos que (a ajuda humanitária) esteja acompanhada pelo ministério russo de situações de emergência ou por militares russos", acrescentou.

Um funcionário da administração da região de Moscou, citado pela agência russa Ria Novosti, indicou que o comboio, que partiu na manhã desta terça-feira de um subúrbio da capital russa após ser benzido por um padre ortodoxo, "levará aos habitantes do leste da Ucrânia cerca de 2.000 toneladas de material humanitário".

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou na segunda-feira o envio do comboio pelas consequências catastróficas da ofensiva ucraniana contra os separatistas pró-russos no leste e afirmou que Moscou trabalha em colaboração com a Cruz Vermelha.

Mas a organização internacional afirmou nesta terça-feira que ainda não deu sua autorização definitiva e a França insistiu que o comboio não deve ser autorizado sem cumprir condições rígidas, entre as quais a aprovação da Cruz Vermelha.

"Continuamos precisando de mais informação antes de poder seguir adiante", declarou à AFP a porta-voz do CICV, Anastasia Isyuk.

O Ocidente teme que a Rússia, acusada de apoiar e armar os separatistas ucranianos, tente recorrer à operação humanitária para enviar tropas.

Moscou nega, mas a Otan considera que a Rússia tem 20.000 tropas mobilizadas na fronteira ucraniana, e Kiev eleva este número a 45.000.

Os combates entre o exército ucraniano e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia deixaram os moradores das cidades tomadas pelos insurgentes e cercadas pelo exército sem eletricidade, água corrente ou calefação e com falta de remédios e alimentos.

A situação humanitária também piorava em Donetsk e Lugansk, dois redutos dos insurgentes submetidos a um intenso fogo de artilharia nos últimos dias.

Cerco a Lugansk

As tropas ucranianas cercam Donetsk, reduto dos separatistas com mais de um milhão de habitantes, e o exército indicou nesta terça-feira que também se preparava para isolar Lugansk, com meio milhão de habitantes.

Se as tropas de Kiev consolidarem seu avanço, poderão cortar o acesso dos insurgentes à fronteira com a Rússia, de onde Kiev considera que recebem as armas.

Com a intensificação do conflito, Moscou anunciou sua intenção de enviar uma missão humanitária e inclusive pediu o apoio dos ocidentais.

Mas Kiev anunciou durante o fim de semana que interceptou um comboio russo com tropas, embora não tenha fornecido mais detalhes, alimentando os temores ocidentais de um envio de forças russas.

A França expressou sua grande preocupação pelo envio do comboio nesta terça-feira, anunciou o Eliseu.

O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, declarou que uma operação humanitária era possível e justificada desde que contasse com a autorização da Cruz Vermelha e de Kiev, sem militares que acompanhem a ajuda.

Neste momento concreto estas condições não são cumpridas, disse.

O presidente americano, Barack Obama, em uma conversa por telefone na segunda-feira com seu colega ucraniano, Petro Poroshenko, destacou que qualquer ação unilateral da Rússia sem o apoio de Kiev seria considerada inaceitável.

Em uma conversa com Putin, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, também avisou sobre o risco de realizar qualquer intervenção na Ucrânia "não importa o motivo, mesmo que seja humanitário", segundo um comunicado.

Durante o fim de semana, Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, advertiram que toda ação unilateral por parte da Rússia em relação à Ucrânia será considerada ilegal e inaceitável.

Mais de 1.300 pessoas morreram em quatro meses, no que a Cruz Vermelha já considera uma guerra civil na Ucrânia, e 285.000 fugiram de suas casas, segundo a ONU.

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