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De ateia a padroeira da Europa: a gloriosa jornada de Edith Stein

"Edith Stein und Maximilian Kolbe" by Anne-Madeleine Plum - Photograph of original work.

Ir. M. Michele Jascenia, SCMC - publicado em 12/08/14

Em agosto de 1942, ela foi martirizada em uma câmara de gás em Auschwitz – mas o seu legado permanece para sempre

No dia 12 de outubro de 1891, nasceu em uma família judaica ortodoxa uma menina, a mais nova de onze filhos. Parece providencial que Edith Stein viesse ao mundo no dia do Yom Kipur, a Jornada da Expiação, a mais santa de todas as datas sagradas para os judeus. Deus tinha planos extraordinários para Edith, embora ninguém imaginasse os rumos que a sua trajetória fosse tomar. A missão que Deus tinha traçado para ela surpreenderia a própria Edith.

Edith Stein era uma intelectual, uma filósofa. Depois de trabalhar como assistente de enfermagem durante a Primeira Guerra Mundial, ela fez doutorado em filosofia. Edith acabou se tornando ateia. A religião não teve relevância alguma na sua adolescência nem na sua jovem vida adulta. Ela estava preocupada com os seus estudos, com a ciência, com a filosofia, com a Grande Guerra, com a vida. Não sentia necessidade de Deus nem das coisas de Deus. Em outras palavras, ela era muito parecida com muitos jovens de hoje, que estudam em boas universidades e se veem totalmente absorvidos pela vida terrena e despreocupados da vida eterna.

Por meio de encontros aparentemente insignificantes, no entanto, Deus começou a chamá-la para uma vida no Espírito. Certa vez, ela encontrou uma mulher em oração na catedral de Frankfurt e ficou impressionada com a piedade dos cristãos ao visitarem as igrejas, mesmo que nada de especial estivesse acontecendo lá dentro daqueles templos. Ela visitou a viúva de um amigo querido que tinha morrido em combate em Flandres e ficou surpresa com profunda fé da jovem e com a sua aceitação espiritual da vontade de Deus. Edith mesma comentou:

“Este foi o meu primeiro encontro com a Cruz e com o poder divino que ela dá a quem a suporta… Foi o momento em que a minha incredulidade desmoronou e Cristo começou a fazer a sua luz brilhar em mim – Cristo, o mistério da cruz”.

Deus tinha aberto as portas para a mente e para o coração de Edith.

Alguns anos mais tarde, na casa de um amigo, Edith encontrou uma cópia da autobiografia de Santa Teresa de Ávila e passou a noite em claro até acabar de lê-la. Edith teve então a certeza de que tinha encontrado a Verdade. Ela foi batizada alguns meses mais tarde, em 1º de janeiro de 1922. Mas o Senhor ainda não tinha terminado a obra da sua transformação.

Graças ao seu intelecto aguçado, ao seu senso de maravilhamento, ao seu amor pelo aprendizado e à sua busca pela verdade, ela veio a conhecer e amar a Deus. Esse conhecimento sempre levou Edith a querer saber mais, amar mais e dar-se a Ele por inteiro. Ela desejava dar a Deus a sua mente, os seus dons, a sua energia, o seu coração. Edith se sentiu atraída pela ordem das carmelitas descalças, mas adiou a imediata moção rumo à vida religiosa por respeito à mãe, profundamente ferida pela conversão da filha caçula ao catolicismo.

Em 1933, no entanto, Edith perdeu o cargo de professora quando os nazistas começaram a “limpar” o serviço público de todos os não-arianos. Foi quando entrou no carmelo de Colônia e adotou o nome de irmã Teresa Benedita da Cruz. Atraída pela vida e pela espiritualidade de Santa Teresinha de Lisieux, a irmã Teresa Benedita começou, nesses primeiros anos como carmelita na Europa, a sentir o peso da sua quota da Cruz de Cristo. A perseguição contra os judeus estava começando.

Com a “eleição” de Hitler em 1938, a perseguição se tornou mais sistemática e mais aberta. Em 1938, a superiora carmelita de Colônia transferiu Teresa Benedita e sua irmã, Rosa (que também havia se tornado católica e era carmelita externa) a um carmelo em Echt, na Holanda, para tirá-las da rota do mal que avançava.

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