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O moleiro, o filho e o burro

2009 Joint Combat Camera Center Iraq photo
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Uma fábula de Esopo sobre a importância de ser você mesmo

Você foi criado em um momento que vai além do espaço e do tempo. A criação da vida, afinal, é providência de Deus e Ele É além do tempo e do espaço.
 
O momento da sua criação foi atemporal, com a Santíssima Trindade se debruçando sobre os detalhes de você: o único você que já existiu e existirá em toda a eternidade. O único você de todos os tempos e de fora do tempo, dotado de dons e talentos escolhidos por Deus especificamente para você. A você foi confiado um propósito de vida e uma missão toda sua, e você foi declarado tão precioso e tão inegavelmente amável que o próprio Jesus se fez carne e veio habitar entre as lágrimas e o pó deste mundo apenas para redimir você.
 
E foi assim que você veio a este mundo, propositadamente concebido, maravilhosamente criado, e você escolheu…
 
…tornar-se algo que você não é.
 
Você se acha “errado” em uma centena de coisas. Você se acha muito gordo ou muito magro. Você se acha muito baixo ou muito alto. Você vive demais dentro da sua própria cabeça. Você é solteiro em um mundo de casados. Você tem filhos demais ou não tem o número suficiente de filhos. Você é estranho. Você é reservado. Você é confiante demais. Você se apaixona muito facilmente.
 
Em todos os lugares você vê pessoas melhores que você. Elas são mais santas. Elas vivem mais perto de Deus. Elas alcançaram o equilíbrio certo entre o sucesso no mundo e a sabedoria espiritual. Elas têm os relacionamentos que você deseja manter, as relações que você se esforça para ter, os confortos com que você sonha. É tão fácil achar que elas são melhores que você…
 
E assim parece que o único jeito de ter o que essas pessoas têm é imitá-las.
 
Se você se tornar mais quieto / mais falante / mais culto / menos político / etc., então você vai ser o perfeito católico. Você será o Padre Pio / a Madre Teresa / o São Francisco / o São João Paulo II destes nossos tempos…
 
Talvez você não esteja se colocando um objetivo tão alto; talvez você só queira ser tão santo quanto o fulano do grupo de reforço escolar dos seus filhos. Talvez você queira ser aquele homem do grupo de senhores da paróquia, que sustenta sozinho toda a família, corre 150 quilômetros por semana e tem uma mulher que o adora. Talvez você queira ser a pessoa que senta ao seu lado na faculdade, que tem um carisma imenso e que conquista as almas para Deus sem esforço algum, ao mesmo tempo em que faz amigos para si mesma.
 
Não importam os detalhes. Tudo o que você sabe é que você não é o que gostaria de ser. E então você decide ser alguém que você não é.
 
Há uma grande distância entre imitar os santos e copiá-los. E, nessa distância, quanto o coração de Deus deve ficar partido! Aqui está você, especificamente criado, cuidadosamente elaborado como indivíduo, feito para impactar o mundo de uma forma única… e tentando ser alguém que você não é… Tentando aparentar talentos que não lhe foram dados e ignorando os talentos que você de fato tem.
 
Quando eu estava tentando finalizar este artigo, meu filho mais velho entrou no escritório. Aos nove anos de idade, ele é todo pernas, braços e ossos. Cabelo comprido caindo sobre os olhos castanhos e escuros, ele entrou com cautela, sabendo que eu estava trabalhando.
 
"Terminou? Você ainda vai jogar Minecraft comigo?", perguntou. Ele adora o Minecraft.
 
Eu balancei a cabeça, lamentando. "Ainda não, meu querido. Tenho mais 200 palavras para escrever e não sei como acabar".
 
"É sobre o quê? Eu não posso ajudar?".

Eu hesitei um momento. Será que uma criança pode ajudar um adulto num breve ensaio teológico sobre um tema tão profundo?
 
"Bom, é sobre a gente ignorar os talentos que Deus nos deu e tentar ser outras pessoas, porque achamos que alguém é mais santo do que nós e que nós também poderíamos ser santos como esse alguém", expliquei.
 
Os olhos dele se iluminaram.
 
"Ah, eu sei direitinho do que você está falando!", respondeu ele, fazendo uma dancinha estranha e pulando de um pé para o outro, alegremente. "Tem uma fábula do Esopo sobre isso!".
 
Ele então pegou o tablet, abriu “O moleiro, o filho e o burro” e me deu para ler. Deslizei sobre o texto com assombro. Era exatamente o que eu queria e não conseguia expressar, dito de forma muito melhor e mais concisa, centenas e centenas de anos antes.
 
Nós fomos maravilhosamente criados e pagos pelo sangue de Cristo, o Filho. Se nos distrairmos a caminho do mercado olhando para os outros e tentando imitar a vida deles, vamos apenas acabar perdendo o nosso burro. E de um jeito bem ruim.
 
É sério. Escute o meu filho de nove anos de idade.