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Redação da Aleteia

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Patriarca iraquiano: os extremistas não decapitaram crianças cristãs

HCR/S. Baldwin
Des civils déplacés dans le gouvernorat de Duhok, en Iraq.
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O patriarca dos católicos caldeus afirma que colabora com o governo para levar os cristãos refugiados para Bagdá

Transferir o maior número possível de cristãos refugiados para Bagdá, evitando assim uma catástrofe humanitária. O patriarca caldeu Luis Sako explicou à Aleteia como está organizando, em conjunto com o governo iraquiano, esta grande operação humanitária. Ele fatou também sobre o boato de que os jihadistas do Estado Islâmico estariam decapitando crianças cristãs.

Atualmente, a maior parte dos cristãos expulsos das vilas e das cidades na planície de Nínive estão em condições precárias, em estruturas de acolhida improvisadas, além de lotadas. A capital Bagdá, por sua vez, teria melhores condições do ponto de vista sanitário, para a assistência médica e a segurança pessoal. O Patriarca está convencido que os ataques aéreos norte-americanos não serão suficientes para parar a pressão e o avanço das milícias do EI.

Sua Beatitude, nos microfones da CNN, Mark Arabo, um empresario californiano e líder cristão, falou de “genocídio dos cristãos” e de “sistemática decapitação das crianças”, por parte do EI. Ele falou também que precisamente “em Mossul existe um parque onde são decapitadas as crianças e suas cabeças são colocadas em varas”. O senhor pode nos confirmar, ou desmentir esta notícia?

Nada disso. Não acorreu nenhuma decapitação. Em Mossul, o dinheiro foi roubado, mas os cristãos não foram atacados fisicamente. Aconteceu uma grande fuga em massa e muito pânico na planície de Nínive. As pessoas foram literalmente expulsas das próprias casas. Um homem foi morto durante um momento de tensão enquanto tentava atravessar o check point.

É verdade que os militares do EI pedem taxas aos cristãos para que suas vidas sejam preservadas e raptam as mulheres fazendo delas suas mulheres?

São duas notícias verdadeiras. Aconteceram raptos de mulheres cristãs, assim como pedido de pagamento de taxas. Em particular, estes islamitas fanáticos pedem dinheiro aos cristãos para fazê-los voltar para suas próprias casas. Mas os cristãos não confiam. Aquele povo muda de ideia continuamente: eles não são de confiança. Talvez um cristão pague hoje, depois volta para casa para estar em paz, e amanhã os militantes o atacam novamente, e não se sabe com quais consequências. 

O governo de Bagdá acusou os jihadistas sunitas do EI de terem jogado centenas de yazidis em valas comuns, com mulheres e crianças ainda vivas. O que o senhor pode dizer sobre o assunto?

O que aconteceu ao povo yazidi é verdade. Foram capturadas e raptadas mais de mil mulheres. Morreram também muitas crianças. Este povo não tem alimento nem água, além de se sentirem isolados do mundo. Não sabem para onde ir e o que fazer. 

Falando da crise iraquiana, Dom Silvano Maria Tomasi, observador permanente da Santa Sé na ONU em Genebra, disse que “a ação militar neste momento é necessária”. O que o senhor pensa sobre uma intervenção militar norte-americana?

Não bastam ataques parciais. A solução para a crise passa através de um acordo mais amplo com o envolvimento do governo curdo e do governo central iraquiano. Sem uma estratégia geral, o sonho de voltar a ver o povo retornando nas próprias casas não acontecerá. 

Neste momento os cristãos têm o direito de se organizarem para se defenderem, ou é recomendada apenas a fuga?

Mas como se organizam? Antes de tudo são um número reduzido, 400-500 mil no total. Além do mais, a maior parte fugiu das vilas. Todos estão dispersos. Considere os números e a situação atual deles, não seria possível organizar uma milícia. E diante deles existem os extremistas agressivos. 

Segundo o senhor, nos próximos dias, qual cenário veremos?

Eu temo que a situação piore. Existe um problema em relação aos refugiados, a emergência humanitária e um outro problema de ordem política. Neste momento não vejo prospectivas. O mundo inteiro precisa se mobilizar perante a situação do Iraque, caso contrário uma solução estável e permanente, ao meu ver, estará distante irremediavelmente. 

Há alguma possibilidade de diálogo com os jihadistas do EIL?

Diga-me, como se faz para dialogar com um fanático? Temos diante de nós um muro! Eu, no começo da crise, tentei falar com um deles, mas é difícil, não existe confiança, e eles mudam de ideia continuamente.

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