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Como acreditar em Deus após a morte de um ente querido?

© SHUTTERSTOCK

Carlos Padilla Esteban - publicado em 13/08/14

A vida nos apresenta desafios e momentos difíceis, que podem abalar nossa fé, mas Deus nunca nos abandona

A vida nos apresenta momentos mais que difíceis: dilacerantes; desesperantes; quase insuportáveis. Muitas vezes, são momentos de dor tão intensa que nos fazem explodir por dentro. Eles abalam a nossa fé. Eles nos fazem questionar no fundo da alma se Deus existe – e, caso exista, se Ele pode ser mesmo considerado “Bom”. A nossa fé, porém, nos convida a ver a tragédia com os próprios olhos de Deus: o mal não vencerá; os fatos da vida acontecem como resultado de muitos fatores, ligados à nossa liberdade e às leis da natureza com as quais devemos lidar; o tempo dará lugar à eternidade; e, mesmo nos momentos mais obscuros, Deus nunca nos abandona.

O seguinte texto de um sacerdote, o pe. Carlos Padilla Esteban, pode servir como reflexão do ponto de vista cristão.

*

A dor e a tristeza pela perda de alguém a quem amamos pode nos abalar muito. Em momentos como esse, podemos nos afastar de Deus, rebelar-nos contra a sua vontade, fugir dos seus braços.

Jesus também nos mostra a sua dor. Ele se abala, com uma profunda tristeza em sua alma, quando seu primo, João Batista, é decapitado. Que tristeza tão profunda no seu coração! Jesus se retira buscando a solidão, buscando Deus. Ao ficar sabendo da morte do seu primo, Jesus subiu em um barco e se dirigiu a um lugar tranquilo e afastado.

João Batista morreu. Jesus o admirava, mas ele já não estava mais presente. Jesus não pôde salvá-lo, como mais tarde faria com Lázaro. Agora precisava estar sozinho, olhar para dentro de si. Jesus se retira para orar. Quer paz. Deseja estar tranquilo.

A dor profunda nos faz buscar o silêncio e a tranquilidade. São esses lugares nos quais o coração descansa na rocha firme que é Deus. Jesus busca a solidão. Jesus, homem e Deus, precisa descansar em seu Pai. Precisa olhar para si mesmo e aprofundar em tudo o que está acontecendo.

O homem de hoje tem tão pouca interioridade! Vivemos para fora, voltados para o mundo, sem tempo para meditar sobre a vida. Jesus entra em um barco e busca um lugar solitário. Precisa se afastar da margem, falar com seu Pai em intimidade, chorar, conversar, descansar n’Ele, reclinar a cabeça em seu peito, dar-se tempo para perdoar e para sofrer.

Seu amigo fiel já não está mais presente – aquele que deu sua vida para abrir-lhe caminho, quem generosamente incentivou seus discípulos a abandoná-lo para seguir Jesus, mas que não pôde ser discípulo do Mestre. Jesus sente que, sem João Batista, fica mais sozinho. Afasta-se em um barco para ficar um pouco em solidão.

Gosto de ver Jesus em silêncio, sozinho, meditando, buscando. Gosto de imaginá-lo em seus diálogos profundos com seu Pai. Como seria essa oração? Como Jesus rezaria? Falaria ao Pai da sua impotência, da sua dor, agradeceria pela vida de João Batista, choraria porque o amava e porque seria doloroso caminhar sem ele. Jesus buscou seu Pai logo depois de saber do ocorrido com João Batista. Ficaria calado, em silêncio, escutando. Pediria pela paz em um mundo violento.

Esta atitude de Jesus é um convite para nós. Jesus se retira para orar, busca a solidão. Nós também podemos procurar momentos de descanso, de paz, de oração. Vale a pena olhar para a nossa vida e buscar os sinais de Deus nela. Deus cuida de nós no caminho da vida. Ele vem ao nosso encontro. Queremos agradecer-lhe pelo seu carinho e proximidade. Queremos colocar em suas mãos nossas dores e frustrações. Queremos deixar que Ele nos sustente.

É bom afastar-nos um pouco da margem do curso para ter momentos em que nossa alma descanse em Deus, momentos nos quais possamos estar em silêncio, contando-lhe o que nos pesa e nos alegra, nossas perdas e nossos sonhos.

Que encontremos, como Jesus, um lugar no qual possamos estar em paz de forma especial. Talvez caminhando, ou na frente de uma imagem, no mar, na montanha.

Precisamos de mais lugares solitários em nossa vida. Há muitas exigências em nossa família, no trabalho, compromissos. Não temos espaços de solidão e contato com Jesus, pois Ele compreende tudo o que vivemos e sentimos.

Uma pessoa escreveu em um momento de dor e preocupação:

“Em meio a toda essa tristeza e confusão, sei com certeza que Deus me acompanha. Jesus me acompanha quando saio para correr. Maria me abraça todas as noites e me ajuda a dormir. O Espírito Santo me dá clareza para continuar percebendo que me ama, que muitos me amam e que eu também sou importante para as pessoas”.

E continuou:

“Continuo vendo que sou valiosa diante d’Ele, com tudo: com a minha busca, com a minha dor intensa e com meu amor aos outros. Quero enxergar além da minha dor. Ver os outros sem nenhum interesse pessoal. E, ao mesmo temo, receber muito amor inesperado e ver como outros veem e tocam minha dor. Sei que me amam assim e isso é muito bom. Sinto-me muito pequena”.

Às vezes, experimentamos a solidão e a dor. Vemos que nossa sede é infinita e nada a acalma. Não encontramos o descanso que o coração deseja. São momentos de angústia, nos quais gostaríamos de tocar o céu com as mãos, mas caímos. Gostaríamos de viver somente em Deus e descansar ao seu lado.

Deus nos espera, deseja que coloquemos em suas mãos o que nos inquieta. O sacrário, onde renovamos constantemente nossa aliança com Deus e com Maria, é nosso lugar de descanso. Lá deixamos a dor da alma, nossos medos e dúvidas.

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