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Papa Francisco, o missionário

JUNG YEON JE /POOL/AFP

Pe. Dwight Longenecker - publicado em 22/08/14

A visita apostólica do papa à Coreia evoca a rica tradição das missões dos jesuítas no Extremo Oriente

A recente viagem do papa Francisco à Coreia evoca uma fascinante conexão com a presença dos jesuítas na China. Quando o avião papal cruzava o espaço aéreo chinês, um repórter perguntou a Francisco sobre a China. Cheio de zelo missionário, o papa respondeu, depois de passar alguns minutos com os pilotos na cabine do avião: “Eu voltei para o meu assento e orei muito pelos nobres chineses, um povo sábio. Pensei nos grandes sábios da China, pensei na história da ciência e da sabedoria. E nós, jesuítas, temos uma história lá, com o padre Ricci. Tudo isso veio à minha mente. Se eu gostaria de visitar a China? Mas é claro! Amanhã mesmo!".

A fé cristã foi levada à China no século VII por cristãos nestorianos da Síria. Um pequeno legado cristão permaneceu no Extremo Oriente. Houve um esforço missionário corajoso por parte dos franciscanos no século XIII, mas o catolicismo só foi plantado de fato na China em tempos modernos, pelos impressionantes missionários jesuítas do século XVI.

São Francisco Xavier foi o primeiro a tentar levar o Evangelho aos chineses, em 1552, e a sua tentativa foi seguida pela do pe. Matteo Ricci, compatriota italiano e companheiro jesuíta do papa Francisco. Ricci apresentou à corte imperial chinesa a ciência, a matemática, a astronomia e as artes visuais do Ocidente. O sacerdote se envolveu num diálogo cultural, filosófico e religioso com o povo da China e foi aceito na corte imperial. Os jesuítas se tornaram membros de confiança do círculo mais próximo do Imperador e muitos sacerdotes de Confúcio se converteram ao catolicismo e se uniram aos jesuítas.

Ao longo do século XVII, os jesuítas continuaram a fazer avanços impactantes no país. O seu método missionário consistia em adotar e adaptar o que havia de melhor na cultura e na religião chinesa e em reformulá-lo e integrá-lo ao catolicismo. Por volta do século XVIII, no entanto, os dominicanos e os missionários franciscanos se opuseram às tentativas jesuítas de enculturação. Os frades achavam que as oferendas aos antepassados ​​e ao Imperador eram uma forma de idolatria e de adoração ao diabo. Os jesuítas argumentaram que aqueles gestos eram inofensivos atos de homenagem política e um costume popular. Os franciscanos convenceram o papa Clemente XI de que eles estavam certos. Os costumes chineses foram proibidos e a missão católica na China sofreu uma desaceleração.

Com a passagem dos séculos, o catolicismo no Extremo Oriente foi crescendo lentamente. Em vários países, os católicos sofreram grande perseguição. A Igreja floresceu em alguns lugares, mas em outros só se enraizou para ser esmagada pelos movimentos nacionalistas e pelas revoluções. Hoje, o catolicismo é a religião predominante nas Filipinas, tem força no Vietnã e na Coreia do Sul e cresce rapidamente na China. O jornal Daily Telegraph, de Londres, publicou recentemente um artigo em que prevê que, em 2030, a China terá a maior população cristã do mundo.

Entretanto, a Igreja católica na China permanece em tenso impasse com o governo. Desde a Revolução Cultural de 1949, o governo controla a fé católica e tenta mantê-la sob a égide da Associação Patriótica Católica Chinesa, uma versão da Igreja católica chefiada pelo Estado. Este grupo religioso não reconhece a autoridade do papa. São os funcionários do Estado chinês que nomeiam os bispos. Os "católicos" da Igreja patriótica são minoria, com 5 a 6 milhões de crentes. A verdadeira Igreja católica, que se mantém na comunhão com Roma, tem o dobro desse número e permanece obstinadamente leal ao papa, apesar da perseguição das autoridades chinesas.

Foram tentados alguns passos hesitantes para superar as dificuldades que os católicos chineses enfrentam, mas sem muito sucesso. Com a China agora se abrindo mais à liberdade religiosa e com o cristianismo continuando a se espalhar como fogo pelo país, será que o papa Francisco vai conseguir resolver as tensões entre o Vaticano e o governo chinês?

Evocando a rica herança das missões dos jesuítas no Extremo Oriente, a visita apostólica do papa Francisco à Coreia do Sul nos lembra da história, da continuidade e do longo alcance das conexões da fé católica. Nada é desperdiçado pela providência de Deus. As sementes da fé, plantadas no Extremo Oriente por um jesuíta italiano no século XVI e regadas pelo sangue dos mártires, podem agora vir a germinar pelo ministério de um papa jesuíta ítalo-argentino do século XXI!

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