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É só o Brasil do futebol que precisa de uma nova estratégia de planejamento, disciplina e continuidade?

AFP PHOTO / ODD ANDERSEN
BRAZIL, Fortaleza : Brazil's defender and captain Thiago Silva celebrates after scoring a goal during the quarter-final football match between Brazil and Colombia at the Castelao Stadium in Fortaleza during the 2014 FIFA World Cup on July 4, 2014. AFP PHOTO / ODD ANDERSEN
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Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1 (4ª Parte)

Esta é a quarta parte da série “Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1”. Traçando um paralelo entre o nosso país e o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014, a série de artigos propõe 10 pontos a repensarmos como sociedade, em especial ao se aproximar o dia 5 de outubro, data em que convocaremos a seleção que nos representará durante os próximos quatro anos em Brasília e nas capitais estaduais.
 
5. PLANEJAMENTO, DISCIPLINA E CONTINUIDADE
 
Em 2004, a seleção de futebol da Alemanha foi eliminada da Eurocopa sem vencer nenhuma partida. Nenhum treinador queria assumir o comando daquela equipe em crise, da qual Jürgen Klinsmann fez um diagnóstico simples e certeiro, registrado pelo jornalista Simon Kuper: "Não temos um atacante matador. Ficamos muito tempo dando passes laterais. Falta velocidade".
 
A Alemanha era tricampeã mundial, mas não servia mais como referência para si mesma. Era evidentemente necessário mudar. O próprio Klinsmann acabou assumindo a tarefa, auxiliado pelo assistente Joachim Löw.
 
Os alemães começaram a estudar a técnica de passes da Holanda e da Espanha, o ritmo de jogo da Premier League inglesa, o recrutamento de base da França e o condicionamento físico dos norte-americanos. Em resumo, as melhores referências que existiam para cada parâmetro a melhorar.
 
Em 2006, a Alemanha sediou uma bem organizada Copa do Mundo. Venceu todos os jogos da primeira fase, mas precisou dos pênaltis para passar das quartas-de-final contra a Argentina e foi eliminada na semifinal pela Itália, por 2×0.
 
Em 2008, uma jovem Alemanha conseguiu dar um passo a mais na sua trajetória de progresso e chegou à final da Eurocopa. Mas perdeu de 1×0 para uma Espanha em ascensão.
 
Em 2010, durante a Copa do Mundo na África do Sul, a Alemanha eliminou mais uma vez a Argentina, desta vez por sonoros 4×0. E, mais uma vez, foi parada na semifinal por uma Espanha que estava em seu auge.
 
Em 2012, a Alemanha chegou novamente à semifinal da Eurocopa, mas a Itália a derrotou por 2×1. Quatro dos jogadores alemães, no entanto, foram eleitos para a seleção dos melhores do torneio.
 
Em 2014, uma Alemanha jovial e alegre e ao mesmo tempo discreta e focada, muito à vontade dentro e fora de campo, determinada e bem treinada, completou a trajetória de reação e renovação que, ao longo de dez anos de trabalho planejado, disciplinado e continuado, a levou da crise à consagração como tetracampeã mundial de futebol. A equipe coesa e sem ídolos messiânicos derrotou no Maracanã a Argentina de Lionel Messi, depois de ter atropelado por arrasadores 7×1 o maior campeão mundial de futebol de todos os tempos em sua própria casa.
 
Agora técnico da também ascendente seleção dos Estados Unidos, Jürgen Klinsmann tinha feito, poucas semanas antes da Copa, outra declaração registrada pelo jornalista Simon Kuper: "A Alemanha tem hoje alta velocidade e muita técnica. Eles jogam um futebol ofensivo, com mudanças rápidas de posição. Tudo o que nós planejamos em 2004 se tornou realidade".
 
Klinsmann tinha passado o bastão como técnico da Alemanha ao seu então assistente Joachim Löw em 2006. Löw deu continuidade ao planejado em 2004: uma estratégia de médio a longo prazo, embasada em diagnósticos pragmáticos e em metas táticas e técnicas concretas e mensuráveis, com balizadores de curto prazo. Foram necessários, naturalmente, ajustes pontuais ao longo dos anos. Mas nunca se renunciou à consciência de que o objetivo era uma excelência estável e duradoura, e não picos instáveis de glória efêmera. Esse objetivo se alicerçou no planejamento detalhado, na disciplina metódica e na continuidade, inspirado sempre pelas melhores referências de sucesso disponíveis no planeta Terra. A Alemanha não cometeu a estupidez de inventar a roda: para recuperar o atraso, ela optou por se equipar com as melhores rodas já inventadas e se manteve atenta para não sair da estrada.

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