Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 25 Novembro |
São Pedro Yi Ho-Yong
home iconReligião
line break icon

Existe uma guerra justa?

© isafmedia

Anna Pelleri - publicado em 08/09/14

A Igreja, com o Papa Francisco adiante, apresenta-se como interlocutora, mediadora, mas também como guia

Guerra e paz, Igreja e Estado, conflitos religiosos. Diplomacia, intervenções militares. Hoje são muitos os olhares que veem o que acontece no mundo. A Igreja, com o Papa Francisco adiante, apresenta-se como interlocutora, mediadora, mas também como guia. Pergunta-se qual deveria ser a tarefa de um pontífice e da Igreja diante de tais situações tão complexas e dramáticas. 

Aleteia entrevistou Massimo Borghesi, professor de Filosofia Moral na Faculdade de Letras e Filosodia da Universidade de Perugia. Ele é professor de História do ateísmo na Universidade Pontifícia Urbaniana e autor de textos sobre a secularização e a relação entre as religiões e interculturalidade.

Qual tipo de intervenção armada um papa pode apoiar?

Sobre este tema houve muitas polêmicas da parte daqueles que pressionavam até que o Papa fizesse uma declaração explícita, e daqueles que resistiam. O Papa reiterou com muita clareza a posição tradicional. A doutrina social da Igreja, assim como o Catecismo, falam claramente: uma guerra é lícita quando é uma guerra de defesa. Ou seja, quando estamos diante de uma invasão e, neste caso, também a expulsão de todo um povo do próprio território com assassinatos, atos de barbaridade, conversões forçadas, entre outras, a Igreja sempre professou o direito legítimo de defesa.

Podemos portanto falar de “guerra justa”?

Neste caso se pode falar de “guerra justa”, mesmo se o termo não é propriamente correto enquanto cada guerra, mesmo a mais “justa”, pode se manchar inevitavelmente de crimes. Existe, porém, este direito de resistência que não pode ser armado. Faz-se problemática sobre o fato de que o Papa tenha dito que não é preciso bombardear, mas estas são questões mais técnicas: existem diversas maneiras de conduzir uma guerra e, em todo caso, o Papa não excluiu, mas pediu uma intervenção armada. A decisão das modalidades com as quais conduzir tal intervenção não depende do Papa, mas da Comunidade Internacional. 

É uma política “do mal menor”?

A política do mal menor é sempre uma política calculada e refletida, trata-se – na intervenção bélica – de não causar um mal maior em relação à ofensa sofrida. É necessário, neste caso, uma reflexão sobre conveniência, ou os motivos que possam legitimar a intervenção; neste caso, parece-se que existem todos, porque estamos diante de uma realidade que envolve diretamente os cristãos no Iraque, e não somente eles: de fato, o Papa foi muito claro ao dizer que o problema se relaciona aos cristãos, muçulmanos, yazidis, todos os perseguidos pelo Estado Islâmico (EI), que constitui a ponta extrema do radicalismo islâmico, que não pode ser identificado, como muitos fazem no Ocidente, com o islã. Uma identidade que constituiria o melhor presente para o EI, levantado com a bandeira do inteiro islã.

O Papa, assim como os representantes das Igrejas locais hoje particularmente em dificuldade como na Terra Santa, Padre Pier Battista Pizzaballa, atuam em ação pastoral, de presença e aproximação entre os homens. Como conciliar esta modalidade com aquela mais política da Santa Sé como o ato internacional?

A posição de Pizzaballa está profundamente em sintonia com a operada pela Santa Sé. Ele é um ótimo pastor enquanto se move ao interno de uma grande sensibilidade pastoral como custódio da Tessa Santa e ao mesmo tempo é também de fim diplomático. Sobre o plano internacional esta é a posição da Santa Sé, a qual evita, propositalmente, ficar de maneira rígida nas divisões que atravessam a cena de hoje. Com isso a Igreja se opõe ao maniqueísmo que volta a marcar o contexto mundial evitando de dar uma legitimação às ideologias teopolíticas, fonte de intolerância e violência. 

Tags:
CristãosGuerraIgrejaMundoPapa FranciscoPazReligião
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
MARYJA
Philip Kosloski
A melhor oração mariana para quando você prec...
pildorasdefe.net
Por que você não vai para frente? Talvez este...
Medalha de São Bento
pildorasdefe.net
Oração a São Bento para afastar o mal e pedir...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Reportagem local
Oração para afastar o mal de um recinto
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
FATHER PIO
Maria Paola Daud
Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo c...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia