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A relação entre câncer de mama e contraceptivos é forte demais para ser ignorada

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Denise Hunnell - publicado em 09/09/14

Então, até quando as autoridades vão desconsiderar as evidências?

Um artigo publicado na última edição da revista médica Cancer Research detalha mais um estudo que apresenta a relação entre câncer de mama em mulheres jovens e o uso de contraceptivos orais.

Os autores do estudo destacam que ele é único porque se baseia em registros eletrônicos de farmácias em vez de apenas em relatos pessoais, o que permite uma análise mais precisa do quadro de uso dos anticoncepcionais. A equipe responsável pela pesquisa também considera as várias formulações de contraceptivos hormonais para analisar as variações no risco, a depender do anticoncepcional usado.

Foi estudado o uso de contraceptivos por parte de 1.100 mulheres entre 20 e 49 anos, diagnosticadas com câncer de mama. Os resultados foram comparados com um grupo de controle de cerca de 22 mil mulheres.

A descoberta é que houve um aumento global de 50% no risco de câncer de mama nas mulheres que tinham usado qualquer contraceptivo oral durante o ano anterior. Este risco não mostrou dependência de histórico familiar. A pesquisa identificou ainda riscos específicos associados com as diferentes formulações de contraceptivos, lembrando que, quanto maior o componente estrogênico do contraceptivo, maior o aumento de risco.

Os contraceptivos com dose moderada de estrogênio aumentam o risco de câncer de mama em 1,6 vezes. Já os contraceptivos com altas doses de estrogênio aumentam o risco de câncer de mama em 2,7 vezes.

A utilização dos populares contraceptivos orais trifásicos, que supostamente mimetizam melhor as variações hormonais naturais do corpo, mais do que triplicaram o risco de câncer de mama. O componente progestina, presente nos contraceptivos orais, aumentou o risco de câncer de mama de 1,5 a 3 vezes, dependendo do tipo de progestina usada.

O câncer de mama em mulheres de 20 a 49 anos é bem diferente do câncer de mama em mulheres na pós-menopausa. As mulheres mais jovens geralmente sofrem uma forma do câncer de mama que é mais agressiva e que responde menos aos tratamentos. Por isso, tudo o que aumenta o risco de câncer de mama em mulheres mais jovens aumenta na prática o número de mulheres que morrem de câncer de mama. Incentivar as mulheres jovens a evitar os contraceptivos hormonais parece um passo razoável para combater a doença.

É surpreendente, portanto, ouvir a principal pesquisadora responsável por este estudo minimizar a importância das próprias descobertas. A Dra. Elisabeth Beaber, do Centro Fred Hutchinson de Pesquisa do Câncer, localizado em Seattle, nos Estados Unidos, afirma: "Levando em conta que estes resultados ainda não foram replicados e considerando a importância de avaliar tanto os benefícios quanto os riscos do uso de contraceptivos orais, não podemos fazer quaisquer recomendações clínicas com base nos resultados deste estudo único".

Como ela mesma aponta com clareza em seu artigo, porém, este não é o único estudo que encontrou uma relação entre o uso de contraceptivos orais e o câncer de mama. Seu estudo coletou dados mais precisos que os estudos anteriores e ainda descobriu que o risco de câncer de mama aumenta significativamente nas usuárias de contraceptivos orais.

Quais seriam, afinal, os benefícios capazes de compensar esse risco? A diminuição da acne? Menos cólicas menstruais?

Haverá quem aponte a possível diminuição do risco de câncer de ovário como um “benefício compensatório” do uso de contraceptivos orais. Acontece que o risco de uma mulher ser diagnosticada com câncer de mama é de 1 em 10. Já o risco de ser diagnosticada com câncer de ovário é de cerca de 1 em 72. Sugerir, então, que a diminuição do risco de câncer de ovário causada pelo uso de contraceptivos orais seria um contraponto que equilibra o risco crescente do câncer de mama é como dizer que dobrar o risco de se envolver num acidente de carro é vantajoso porque diminui o risco de se envolver num acidente de ônibus. Ou seja, não faz o menor sentido.

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FilhosMulherSaúde
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