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Faça o bem sem interesse e sua recompensa será grande, diz Papa Francisco

Pope Francis at Wednesday Audience – pt

AFP Gabriel Bouys

Vatican News - publicado em 11/09/14

"Somente com um coração misericordioso poderemos fazer tudo o que o Senhor nos aconselha. Até o fim", explicou o Papa

Só com um coração misericordioso podemos verdadeiramente seguir Jesus. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa da manhã desta quinta-feira na Casa Santa Marta.

O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia detendo-se na passagem do Evangelho de Lucas em que o Senhor indica o caminho do amor sem limites.

Jesus, disse o Papa, nos pede para rezar por aqueles que nos tratam mal e colocar a tônica sobre os verbos usados por Jesus: “Amem, façam o bem, abençoem, rezem” e “não se recusem”.

“É dar a si mesmo – afirmou – dar o coração, precisamente àqueles que nos desejam o mal, que nos fazem mal, os inimigos. E esta é a novidade do Evangelho”.

Francisco explicou que Jesus nos mostra, de fato, que não é um mérito se amamos aqueles que nos amam, porque isso fazem também os pecadores. Os cristãos são, ao invés, chamados a amar os seus inimigos.

“Façam o bem e emprestem sem esperar nada. Sem interesse e sua recompensa será grande”. Certamente, reconheceu o Papa, “o Evangelho é uma novidade. Uma novidade difícil de levar avante. Mas é seguir Jesus”.

“Padre, eu … eu não consigo fazer isso!'- 'Mas, se você não consegue, é um problema seu, mas o caminho cristão é esse!'. Este é o caminho que Jesus nos ensina. ‘E o que devo esperar?'. Caminhem pelas estradas de Jesus, que é a misericórdia; sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai. Somente com um coração misericordioso poderemos fazer tudo o que o Senhor nos aconselha. Até o fim. A vida cristã não é uma vida autorreferencial; é uma vida que sai de si mesma para dar-se aos outros. É um dom, é amor, e o amor não visa si mesmo, não é egoísta: se dá”, afirmou Francisco.

Jesus, continuou o Papa, nos pede para sermos misericordiosos e não julgar. Muitas vezes, disse, “parece que nós fomos nomeados juízes dos outros: conversando, fofocando … julgamos todos”. Mas ao invés o Senhor nos diz: “Não julguem para que não sejam julgados. Não condem, e não serão condenados”. E no fim pede para perdoar e assim seremos perdoados. “Todos os dias – lembrou Francisco – dizemos no Pai Nosso: “Perdoai-nos assim como nós perdoamos”. Se eu não perdôo, como posso pedir ao Pai: Perdoe-me?'”.

“Esta é a vida cristã. ‘Mas, Pai, isso é loucura!’ – ‘Sim’. Ouvimos nesses dias São Paulo que dizia o mesmo: ‘A loucura da Cruz de Cristo’, que não tem nada a ver com a sabedoria do mundo. ‘Mas, Pai, ser cristão é se tornar louco num certo sentido?’ – ‘Sim’. Num certo sentido, sim. É renunciar àquela esperteza do mundo para fazer tudo aquilo que Jesus nos diz e, se fizermos a conta, se fizermos um balanço, parece nos ser desfavorável”.

“Mas este – advertiu – é o caminho de Jesus: a magnanimidade, a generosidade; doar-se sem medida”. E por isso, acrescentou, “Jesus veio ao mundo, e assim Ele fez: doou, perdoou, não falou mal de ninguém, não julgou”. “Ser cristão não é fácil”, reconheceu o Papa, e nós “podemos nos tornar cristãos somente com a graça de Deus” e não “com as nossas forças”.

(Rádio Vaticano)

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