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Sobrinha de freira sequestrada pelo Estado Islâmico descreve a agonia vivida pela família

MARIJAN MURAT / DPA

Amal Marogy - publicado em 12/09/14

A minha família sempre se sentiu privilegiada porque Deus nos escolheu e nos mostrou a sua misericórdia e favor. Foi graças à minha "iletrada" avó paterna que eu aprendi que Deus nunca tenta nem testa ninguém acima da sua capacidade. Foi aquela mesma mulher, inteligente e corajosa, que, depois de ver a nossa casa em escombros, derramou as suas lágrimas durante quinze minutos e depois se levantou e disse: "Todas as coisas materiais são sujeira das nossas mãos. Bendito seja Deus para sempre!". Eu fiquei sabendo desse episódio pela boca da minha mãe, que estava junto e que tinha ficado muito impressionado com a fé da minha avó. Vovó nunca falou sequer uma palavra sobre aquela casa. Jamais se queixou nem xingou ninguém pela sua destruição.

Agora eu sei, e não só na teoria, mas com uma convicção que preenche todo o meu ser, que aquilo que Deus disse a Satanás sobre Jó se aplica a todos e cada um de nós: “Você pode chegar até aqui, mas não mais do que até aqui”.

Sim, é verdade que o mal parece ter se agigantado sobre nós, e ainda assim é mais verdade que não há na terra autoridade alguma, por maior brutalidade que a caracterize, capaz de nos causar o que quer que seja se não for com permissão de Deus para o nosso bem maior.

A minha família nos ensinou a sempre dar a Deus uma chance antes de bater a porta na cara dele. A irmã Utuur, um nome que significa "perfume" em árabe, e a outra freira refém fizeram o seu retiro anual no próprio cativeiro, em união espiritual com a ordem religiosa delas, que fazia o mesmo retiro anual durante aquele período. Depois da sua libertação, nós soubemos que a irmã Utuur tinha desafiado corajosamente o governador islâmico que as interrogava. Ela se recusou a renunciar ao hábito religioso e, mais importante ainda, se recusou a renunicar à fé. Ela, as suas companheiras e o pequeno companheiro também sequestrado testemunharam a presença inconfundível e a ação do Espírito Santo no meio dos gritos de dor e de angústia que os cercavam, gritos que despedaçavam os seus corações.

Deus permitiu que algo tão terrível acontecesse porque Ele precisa com urgência de oração e de atos de reparação por tanto mal e tanta dor sem sentido. Minha tia e seus companheiros foram mantidos reféns durante mais de duas semanas, para levar a fragrância e a luz de Cristo até o abismo das trevas em que muitas pessoas tinham caído. As irmãs e aquelas crianças eram como Cristo passando em meio a todo aquele horror e terror. Eles foram os canais de voz suave, mas inconfundível, de Jesus: "Não tenhais medo. Eu estou convosco!".

"Onde é que está Deus?", na melhor das hipóteses, é uma pergunta injusta, que exige outra pergunta mais imediata: "Onde é que está o homem?".

Quando percorria o seu caminho da cruz até a morte vergonhosa e dolorosa, Jesus não fez essa pergunta. Ele fez uma pergunta mais pertinente, que cada um de nós pode expressar em algum momento da vida: "Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?". Esta é uma pergunta sincera que podemos fazer a Deus e que Deus nunca deixará sem resposta. É uma pergunta que revela as profundezas da nossa dignidade e humanidade e o mistério insondável de Deus.

O nosso caminho pessoal da cruz quer nos ensinar que, no meio de todo o sofrimento, revela-se a glória de Deus Pai e manifesta-se o esplendor do Filho ressuscitado, porque onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade e há paz!

Devemos agradecer à tia Utuur e aos seus valentes companheiros, especialmente ao menininho, por nos provarem mais uma vez que Deus ainda está no comando, porque Ele é Bom e a sua misericórdia permanece para sempre.

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MundoPerseguição

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