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Religião
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Quem nos assegura que o cristianismo é a religião verdadeira?

sacred heart of Jesus 03 – pt

© Waiting For The Word / Flickr

Toscana Oggi - publicado em 16/09/14

Por que temos de acreditar que Deus se revelou em Jesus Cristo?

Sempre me perguntei por qual motivo precisamos ter certeza de que o cristianismo é a verdadeira religião e que o nosso Deus e seu Filho são as únicas divindades nas quais devemos crer.

Resposta do Padre Athos Turchi, professor de filosofia

Antes de tudo, suponhamos que “Deus” exista. Coloquemos um critério, caso contrário não saímos deste ponto: a religiosa é o instrumento que deve unir os únicos dois seres que têm valor absoluto: “o homem e Deus”. Isto quer dizer que a religião é para o homem e não o homem para a religião. Depois, se as religiões que estão atualmente presentes no globo terrestre fossem todas verdadeiras e válidas, significaria dizer que nenhuma religião é verdadeira e válida. É um princípio de racionalidade: coisas contraditórias se anulam. As religiões sendo, de fato, contraditórias entre si, então nenhuma seria válida. A religião neste caso, como pensam muitos, seria somente uma assinatura para pessoas com complexo de insegurança: sendo assim, a religião que um pratica não teria valor algum. Se a fé religiosa tem seu valor e o homem tem necessidade, isso quer dizer que entre as religiões uma só é aquela verdadeira e válida. Qual? E as outras?

Façamos uma distinção entre o dado da fé e a religião que dele deriva. A "fé" significa o corpo doutrinal (ou credo), no qual se tem a . Os cristãos acreditam que exista um Deus uno e trino; os islâmicos e os judeus em um Deus unitário; os hindus em uma multiplicidade de deuses; os animistas em uma sacralidade (Mana), que permeia o mundo e assim por diante. Obviamente se existe aquilo que, de alguma forma, todos entendem como Divindade, essa será única, e não segundo as crenças. Seria ridículo que o Deus mudasse sua existência conforme aquilo que alguém crê ou pensa ser melhor. Por isso o dado de fé é um e único, e assim um será aquele verdadeiro, e as fés diferentes serão falsas. Seriam todas falsas as religiões que resultam de um Deus falso. Por isso seriam falsos – se o Deus verdadeiro fosse o cristão – o islã, o judaísmo, o hinduísmo, etc. Mas aqui é preciso fazer uma consideração diferente em favor da pessoa em boa consciência. 

A religião, ou seja, o culto, a prática que o homem impõe para se relacionar com Deus, é um instrumento e é instrumental a ligação e a comunhão com Deus. O instrumento pode ser adequado, ou inadequado ao propósito pelo qual é feito. Embora o homem creia em um dado doutrinal (Deus) falso, todavia a religião, que pratica como instrumento, pode ser correta e por isso válida, porque a essência de uma fé religiosa é unir o homem a Deus. E aquele que, por ignorância, cultura, sociedade e etc, não pode indagar sobre a verdade do Deus que venera, embora adore um Deus errado, todavia este Deus/errado pode dignamente substituir aquele verdadeiro, e isto porque o que tem valor não é o tipo de religião que se pratica, mas a na sua boa intenção de adorar o Deus verdadeiro. Assim, a religião, que é o instrumento pelo qual se chega a Deus, é válida, mesmo sendo falsa. Tudo isso para salvaguardar a pessoa humana, que é o valor primário da salvação e o sujeito absoluto do encontro com Deus. Por causa de tal absoluto e primário valor do homem e da sua salvação, o erro não pode ser considerado uma falsidade, e cada religião, enquanto instrumento de salvação, pode ser considerada válida para unir o homem ao Deus no qual acredita, mesmo que falso, isto em razão da consciência inocente do fiel.

Se seguimos os dados da razão e da lógica, o quadro é diferente. Qual religião é verdadeira? Se Deus existe, ele só pode ser um modelo único, isso quer dizer que somente uma religião é a verdadeira. Qual? Pelo princípio acima, onde somente o homem é absoluto e que cada religião é instrumento do homem, este princípio está salvaguardado somente na religião cristã. De fato, é a única
religião onde Deus salva, liberta o homem emancipando a sua humanidade graças ao próprio homem, e não por força de práticas externas que humilham o homem e o colocam em segundo nível, como se Deus considerasse mais válido um animal que o homem, ou uma lei, ou um culto, ou uma prática, etc. Justamente como diz São Paulo, se Deus para salvar um homem pedisse um sacrifício de um touro, abandonamos também aquele Deus, não nos serve: um touro não pode valer mais que um homem. Mas Deus se relaciona com quem o ama, diretamente, em “espírito e verdade”.

Ou seja, a lei: “amar a Deus e ao próximo”, dada por Jesus, é a maior e a única verdadeira, porque não é uma lei, mas o chamado para o homem ser plenamente humano. Esta é a verdadeira salvação. Deus se encarna demonstrando aquilo que nos dizia: para Deus o homem é tão precioso, considerado com valor supremo, tão seu filho e igual a si mesmo, que não desdenha o fato de entrar na sua história, na sua casa, no seu corpo. Este é um “verdadeiro” Deus. Se, como disseemos, o valor de uma religião é aquele de unir o homem a Deus, não existe religião maior que aquela que adora um Deus misericordioso para com seus filhos, que Ele mesmo procura. Pelo contrário, um Deus que se coloca tranquilamente no seu espaço sacro a observar dali o debate de seus filhos em meio às ondas do mal, sem fazer nada, senão deixar advertências e regras, ou pedir sacrifícios difíceis, pessoalmente me deprime.

Com o Deus cristão temos uma religião “ao contrário”: é Deus que é religioso para com o homem. O Deus cristão é o único que tem no coração a salvação do homem e é o homem que solidariza e se compromete com os homens demonstrando que o único Deus capaz de morrer, para salvar o bem mais precioso que possui: seus filhos homens e não somente aqueles que são circuncidados, ou que não comem porco, ou que imolam um carneiro, etc. Salva “todos” aqueles que o amam e também os seus próprios inimigos: faz surgir o seu sol sobre os bons e os maus. Este sim é um “Deus” e “verdadeiro”, para além daqueles que estão só olhando e julgando. 

A resposta, portanto, segue o princípio inicial. Se considerarmos que a prática religiosa (circuncisão, observância das leis, regras, cultos e ir à missa todos os domingos) seja mais importante que o homem, não saberia dar uma resposta válida, porque seria uma religião que não me interessa. Esta é a minha opinião.

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