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A Igreja acredita em uma sociedade mais sólida e menos materialista

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Representantes de 29 países europeus buscam soluções para a crise social e econômica europeia

Esta semana estão reunidos em Madri líderes católicos envolvidos no apostolado social da Igreja em 29 países europeus.

Organizado pelos bispos católicos da Europa (CCEE e COMECE), o encontro quer ser uma oportunidade para refletir sobre a missão da Igreja na sociedade contemporânea. Dom Duarte da Rocha, secretário geral do COMECE, conversou com a Aleteia. 

Quais são os objetivos destas Jornadas Europeias Sociais Católicas?

Os grandes objetivos são dois. O primeiro é reunir as pessoas que trabalham, que estão envolvidas em uma reflexão sobre a visão da Igreja na Europa, sobre a Europa e as questões sociais. Reunir durante três dias estas pessoas para que se conheçam e possam criar entre elas uma rede de pessoas de boa vontade, esse já é um grande objetivo. É criar uma semente que crescerá. Um segundo objetivo é a reflexão e o aprofundamento dos temas que hoje preocupam os europeus. 

O Papa Francisco trouxe uma nova perspectiva. Os senhores irão falar da busca de identidade da Europa de hoje?

Acreditamos na continuidade. Tínhamos João Paulo II, que dava muita importância à pessoa e à família como base do trabalho social; tivemos Bento XVI, que nos ajudou a compreender a caridade e a verdade juntas, como criadoras da cultura da gratidão. Agora tempos o Papa Francisco, que nos diz que é preciso se unir para criar uma ideia única, mas uma realidade social renovada. A grande contribuição da Igreja é que se a Europa quer um novo rosto terá que ser uma Europa que se abre a grandes verdades: a pessoa, a caridade e a fé.

Um dos problemas que preocupam o Papa Francisco é o futuro dos jovens. O que pode dizer a Igreja aos jovens, em relação ao futuro deles?

Parece-me que existem duas coisas que a Igreja busca sempre dizer. A primeira: não podemos perder a esperança. Não porque resolveremos todos os problemas, mas porque Deus está conosco. Se temos Deus do nosso lado, temos esperança e força para criar e para nos ajudarmos uns aos outros.

Em segundo lugar, a Igreja acredita verdadeiramente que uma sociedade mais sólida e menos materialista é uma sociedade onde todos têm a possibilidade de encontrar trabalho. Não se pode criar um capitalismo sem rosto, somente econômico, sem se preocupar com as redes sociais de ajuda. É preciso criar uma maneira diferente de pensar a sociedade. A juventude não pode perder a esperança e a sociedade precisa ser mais unida.

Leva-se em conta o que diz a doutrina social da Igreja no momento de construir a Europa?

Se olharmos as origens da União Europeia é certo que as pessoas que estavam na origem dela eram, em sua maioria, cristãos ou católicos. A história destes 70 anos não foi sempre cristã; foi uma história que vê a Europa também se distanciar muito do caminho que tinha empreendido e danificar muitos valores, como aquele da vida e da família, o valor da solidariedade ou da gratidão. Estamos em um momento onde a União Europeia precisa refletir novamente, mas a União Europeia não é algo de abstrato: é composta de pessoas, e devemos ter pessoas mais formadas e mais envolvidas no interior das instituições. Precisamos ser fermento no interior. 

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