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Nasceu prematuro; e os pais: “não o mantenham vivo”

© Capturing Hopes

Corrado Paolucci - publicado em 23/09/14

Na França, o caso de um bebê nascido de cinco meses coloca em lados opostos os pais e a equipe médica

Este bebê nasceu de cinco meses e pesa 900 gramas. Após o parto, os médicos do hospital de Poitiers, na França, colocaram-no imediatamente na incubadora, ato necessário para a sobrevivência. A situação parecia estar resolvida, mas de repente o menino teve uma hemorragia cerebral. Um trauma que terá consequências na sua vida: certamente sofrerá de um grave deficiência. Os pais, diante do trauma, não conseguiam olhar para o filho e pediram aos médicos que interrompessem os cuidados que o mantinham vivo.

A história do bebê prematuro e seus pais de Saintes, região de Charente-Maritime, foi contada pelo TgCom24 (dia 16 de setembro). “Há uma semana o casal se opõe à equipe médica do hospital que está cuidando do menino. Segundo conta o jornal francês Le Figaro, é um tratamento obstinado o que está sendo utilizado”.

Sofrimento irreversível

O menino deveria nascer dia 18 de dezembro, mas o parto aconteceu no último 31 de agosto. A perspectiva de um filho com deficiência assustou os pais. “Os médicos não podiam nos dar segurança sobre sua sobrevivência. Disseram-nos que não sofre, mas vimos que chora e se agita – disse a mãe ao France Info -. Os médicos sabem que as consequências serão irreversíveis e verificaram no pequeno uma doença mental, da qual ainda não se conhece a natureza”. 

Colégio ético

Os pais sustentam que os médicos “não nos pediram nenhum parecer” e, segundo eles, o que estão fazendo seria um “tratamento obstinado”. Desta forma criou-se uma situação dolorosa para a equipe do hospital, que quis dar uma chance ao pequeno, respeitando os procedimentos previstos. Diante do pedido de parar com os cuidados, o hospital pediu uma avaliação de um colégio ético. Mais adiante se conhecerá a decisão.

Tratamentos desproporcionados

Certamente não bastará a decisão de uma comissão para resolver um drama grande como este. Drama que, para além da escolha, os pais levarão por toda a vida. Existe uma condição, uma modalidade para não ceder ao desespero? Quem pode aliviar este sofrimento? Quem pode ajudar estes pais a decidirem pelo bem do filho deles? É uma questão complexa que, com toda dor envolvida, ainda está aberta. E pode envolver [ainda se aguarda o parecer do conselho ético] aquilo que, em bioética, chama-se "obstinação terapêutica".

O Catecismo da Igreja Católica explica isso no número 2278: "a cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do «encarniçamento terapêutico». Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o fato de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente".

E complementa, no número 2279: "mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos".

Mas o próprio Catecismo, um pouco antes, no número 2276, circunscreve bem a questão: "aqueles que têm uma vida deficiente ou enfraquecida reclamam um respeito especial. As pessoas doentes ou deficientes devem ser amparadas, para que possam levar uma vida tão normal quanto possível".

Tags:
BebêsFilhosPaternidadeVida
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