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Razões para sermos gratos

Família Cristã

Família Cristã - publicado em 24/09/14

As bênçãos da vida: a gratidão chegou à ciência e mostra-nos os benefícios que dela podemos retirar para transformarmos as nossas vidas

Vemos, ouvimos e lemos todos os dias notícias que nos fazem sentir que a vida oferece poucas razões para sermos gratos. Crise, desemprego, injustiça, desigualdade, doença, morte… e o rol poderia continuar quase sem fim. Mas há pessoas que mostram conseguir passar do lamento para a gratidão – e transformam as suas vidas.

Nas vicissitudes da vida é difícil encontrar sentido para o que acontece. Apesar de tudo, há os que conseguem ser gratos quando acontece o nonsense. Por muito estranho que possa parecer, a gratidão pode surgir nas circunstâncias mais improváveis. É o caso de Ana, nome fictício, que perdeu o seu bebé de quatro meses. Por razões desconhecidas e clinicamente nunca apuradas, o filho chorava dia e noite inconsolável. Durante quatro meses aquela mãe tentou encontrar múltiplas formas de sossegar e acalmar o filho. Exausta, pediu a uma senhora para tomar conta do seu bebé durante um fim de semana para ela poder dormir e regressar fresca ao trabalho. Quando chegou o tal fim de semana combinado, a mãe foi buscar a pessoa que se disponibilizou para ficar com o menino. Durante o percurso na Avenida Marginal, a mãe adormeceu ao volante, tendo um trágico acidente. A mãe ficou hospitalizada uns meses e o bebé teve morte imediata. Quando Ana saiu do hospital sentiu necessidade de decidir se queria ou não continuar infeliz para o resto da vida. Não teria ela mais direito a sorrir, cantar, dançar – numa palavra, a viver? Decidiu que dali para a frente iria pensar que o seu menino tinha morrido porque ela tinha sido a melhor mãe para ele. Durante os meses de vida daquele filho viveu em função das necessidades dele, tentando acalmá-lo, mimá-lo e abraçá-lo com o amor de mãe.

Algum tempo depois, Ana volta a engravidar. Hoje tem uma criança com quem gosta de conversar sobre o mano que partiu. Conta-lhe que está no céu, que é um anjinho que está sempre presente na vida de todos. Esta mãe percebeu que tinha direito de voltar a ser feliz e sente-se grata à vida pelo que dela tem recebido.

Estranha forma de vida – pensarão alguns. Mas há sempre mais vida para além daquela que o perímetro do olhar alcança. A Andreia, também nome fictício, conta que, desde que a irmã ficou tetraplégica aos 23 anos, na sequência de um acidente de automóvel, o seu nível de gratidão para com a vida subiu substancialmente. Parece um paradoxo até chocante, mas ela explica: «Não imaginam a felicidade que sinto todos os dias por me levantar sozinha, tomar banho sem precisar de ajuda, por conseguir andar…» A situação da irmã levou-a a sentir uma experiência de gratidão relativamente àquilo que a grande maioria de nós tem como garantido. Infelizmente, diz, precisou de testemunhar o sofrimento da irmã para entender que a vida oferece todos os dias razões para nos sentirmos gratos.

Educar para a gratidão

«A vida em si mesma já é uma razão de gratidão», começa por dizer à FAMÍLIA CRISTÃ Helena Águeda Marujo, especialista em Psicologia Positiva. A investigadora e docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade de Lisboa (ISCSP-UL) salienta a importância de se viver experiências de gratidão neste mundo que é o nosso: «Aprender a estar grato é uma urgência das sociedades atuais, porque criámos condições de segurança e de certeza em muitas áreas da vida que fazem com que hoje seja muito mais difícil reconhecermos aquilo que já temos. Que se aprecie e saiba celebrar as pequenas grandes vitórias que vamos conseguindo. Às vezes são as pessoas que vivem em condições mais difíceis, com histórias de vida mais dolorosas, que nos ensinam esta lição extraordinária que são as razões para estarmos gratos.»

Para a investigadora, essa urgência é sobretudo relevante para as novas gerações que aprenderam a viver com alguma segurança material, tendo acesso a tantas coisas e que as fez «descansar e não valorizar o essencial». Quantas vezes damos presentes aos nossos filhos e eles acabam por não os apreciar? A isso se chama «ausência de gratidão». Helena Marujo diz que «o excesso que pusemos em algumas áreas da nossa vida fez com que deixássemos de estar atentos ao que são as nossas bênçãos, como, por exemplo, ter saúde, uma cama para dormir, estar com as pessoas que amamos, ter acesso ao ensino superior – é uma minoria da humanidade que o consegue –, andar, comer, ver… Isto são dados adquiridos para os que têm essas possibilidades e experiências mas não são valorizados», observa.

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