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Sínodo da família: não tenhamos medo do debate na Igreja

ANDREAS SOLARO / AFP

Jorge Traslosheros - publicado em 24/09/14

Que ninguém se assuste: os cardeais Kasper e Müller não estão questionando a sacramentalidade do matrimônio

Estamos a poucos dias do sínodo extraordinário dos bispos, no qual abordarão os problemas da família no mundo atual. Ainda que seja difícil de acreditar, o planeta é maior que o Ocidente, onde, aliás, a mídia gerou expectativas infundadas.

O objetivo do sínodo, como bem explicou o cardeal Parolin, não é mudar a doutrina da Igreja (pois esta depende do Evangelho), mas abordar os problemas da família e do casamento, para definir uma estratégia pastoral que vá do local ao global.

O desafio é fantástico. Pessoalmente, alegra-me saber que, no mundo dos relativismos e frivolidades, existe uma instituição que leva a sério uma realidade que nos acompanhará durante a vida inteira: a família.

As falsas expectativas obedecem à falta de conhecimento sobre a maneira como se desenvolve um debate no âmbito católico, de maneira especial quando entram em jogo grandes temas, como o da família.

Nada mais falso do que a ideia da suposta soberana intransigência dentro da Igreja, ainda que a tentação sempre exista, razão pela qual é necessário combatê-la sem piedade.  Também existem os que confundem a autoridade com a imobilidade. Para entender como se desenvolve um debate dentro das coordenadas católicas, é preciso atender, em princípio, a 5 elementos.

1. Unidade no essencial, liberdade no duvidoso e caridade em tudo

O essencial é pouco e sólido, pois depende da doutrina emanada do Evangelho e da tradição. Assim, porque o solo é firme, os debates costumam ser intensos. No entanto, quando se respeita o essencial, impera a caridade, que não deve ser confundida com sorrisinhos e cumprimentos educados.

Em um debate sério, como o que agora presenciamos antes do sínodo, a caridade se afirma com abertura e diálogo, ou seja, buscando a verdade, ainda que faltem os sorrisos. Por outro lado, quando o essencial não é respeitado, a liberdade se torna retórica e a caridade se ausenta. Então, a catolicidade se perde. Até agora, não vimos ninguém nesta situação e tenho certeza de que não o encontraremos.

O debate entre os cardeais Kasper e Müller é intenso, mas segue a lógica de Santo Agostinho, exposta no título deste tópico. Ninguém questiona a sacramentalidade do matrimônio, que é o essencial, razão pela qual argumental com grande liberdade sobre a atenção pastoral aos divorciados novamente casados. Outros cardeais se uniram à discussão, o que é lógico e, além disso, muito saudável. Que ninguém se assuste: no final, a caridade vencerá a partida.

2. O debate mantém uma ordem específica de acordo com a fé e a razão

Observa-se um problema, apresenta-se uma hipótese, buscam-se os argumentos a favor e contra, aproveitando diversos saberes teológicos, científicos, sociológicos, históricos etc, para tomar decisões firmes e informadas.

O normal, nestes casos, é a participação de diversos agentes eclesiásticos em diferentes momentos – sejam eles leigos, religiosos, presbíteros, bispos, teólogos –, por meio de consultas, como assessores etc. Há uma profunda convicção de que a realidade é o mapa da nossa existência; a razão, o meio que nos ajuda a compreender; e a fé, bússola que orienta o caminho.

Ao que parece, no caso acima comentado, com a autorização do Papa, Kasper e Müller têm opiniões fortes e estão convencidos do que dizem. O próprio Papa se encarregou de apresentar a hipótese a debate sobre a conveniência de, em certos casos, depois de períodos penitenciais, aceitar a comunhão sacramental dos divorciados novamente casados.

O que vemos é que o método vai se cumprindo e há material abundante para ser discutido neste campo, como em muitos outros. As decisões pastorais, podemos ter certeza, não serão tomadas com superficialidade.

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Tags:
CasamentoFamíliaIgrejaSínodo
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