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Decapitação de refém francês na Argélia gera comoção mundial

<p>(Arquivo) O guia Hervé Gourdel</p>

Agências de Notícias - publicado em 25/09/14

O guia francês de montanhismo na Argélia Hervé Gourdel, de 55 anos, fora sequestrado no domingo

A decapitação de um refém francês na Argélia, cometida por um grupo ligado ao Estado Islâmico (EI), provocou comoção mundial nesta quarta-feira.

O guia francês de montanhismo na Argélia Hervé Gourdel, de 55 anos, foi sequestrado no domingo. Hoje, o grupo jihadista Jund al-Khilafa divulgou um vídeo intitulado "Mensagem de sangue para o governo francês", mostrando sua decapitação.

Na segunda-feira, o grupo ameaçou matar Gourdel, se o governo francês não renunciasse "em 24 horas" a seus ataques aéreos no Iraque. O ultimato foi rejeitado no dia seguinte pelo presidente francês, François Hollande.

Em Nova York, Hollande condenou nesta quarta o assassinato "cruel e covarde" de Gourdel, ressaltando que o episódio reforça sua "determinação" de lutar contra o grupo.

"Nosso compatriota Hervé Gourdel foi assassinado por um grupo terrorista de forma covarde, cruel e vergonhosamente", declarou o presidente francês, que participa nos Estados Unidos da Assembleia Geral da ONU.

No mesmo discurso, ele condenou "um crime odioso, cujos autores devem ser punidos".

A França "passa por uma prova", mas "nunca cede à chantagem", garantiu o presidente.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, reagiu em sua conta no Twitter. "Terror diante da barbárie. Apoio de toda a Nação à família de Hervé Gourdel. A França não cederá jamais", escreveu.

O Conselho francês do Culto Muçulmano (CFCM), que representa a primeira comunidade muçulmana da Europa, disse estar "horrorizado" e denunciou "um crime bárbaro".

"O CFCM se une à dor da família e ao conjunto da Nação (francesa) diante de um crime que merece somente uma punição exemplar pela justiça de Deus e dos homens", de acordo com uma nota lida por telefone para a AFP.

As reações se multiplicaram em todo o espectro da política francesa, da esquerda à direita. No Parlamento, os congressistas cerraram fileiras para apoiar o compromisso da França no Iraque contra os jihadistas do EI, pouco antes do anúncio da execução.

Em Nice (sul), na frente da casa de Gourdel, familiares, vizinhos e curiosos estavam em choque. Na prefeitura, a bandeira foi hasteada a meio pau nesta quarta.

"Eu estava muito preocupado. Choro há dois dias. Eu temia que esse novo grupo jihadista quisesse marcar uma posição", desabafou Patrick, vizinho e amigo de Hervé Gourdel. "O governo não tinha necessidade de colocar suas posições dessa maneira", completou.

‘Assassinato bárbaro’

A União Europeia condenou um "assassinato bárbaro" e se declarou "mais unida do que nunca" para apoiar a luta contra os "grupos terroristas".

"O assassinato bárbaro do cidadão francês Hervé Gourdel é uma afronta aos valores e aos direitos universalmente reconhecidos", afirmou o porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, em nota divulgada nesta quarta.

Nos Estados Unidos, o presidente americano, Barack Obama, manifestou a solidariedade de seu país com a França.

"Estamos com vocês e com o povo francês, nesse momento em que vocês enfrentam essa terrível perda e que vocês estão de pé contra o terror para defender a liberdade", declarou Obama, dirigindo-se ao presidente Hollande, na reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à luta contra o fenômeno dos jihadistas estrangeiros.

O governo argelino também denunciou o assassinato como um ato "odioso" e "abjeto".

"Desde o sequestro (no domingo) do cidadão francês, as autoridades argelinas mobilizaram todas as energias e todos os recursos humanos e materiais para libertar o refém", anunciou o governo em uma nota.

A Argélia reiterou sua "determinação de continuar (sua) luta contra o terrorismo sob todas as suas formas e garantir a proteção e a segurança de todos os cidadãos estrangeiros presentes em seu território".

(AFP)

Tags:
MundoTerrorismo
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