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Conhece a proposta da Igreja para a sua família?

Avanguard Photography CC

Família Cristã - publicado em 01/10/14

Muitos acham que a Igreja é contra o preservativo e a pílula apenas e só porque é antiquada

Muitos acham que a Igreja é contra o preservativo e a pílula apenas e só porque é antiquada. E se lhe disséssemos que há razões fundamentadas para esta posição, e alternativas bem mais eficazes que o velho método do calendário? Se está a levantar o sobrolho neste momento, abanou a cabeça ou fez um esgar de espanto e incredulidade, continue a ler que vai valer a pena.

texto Ricardo Perna

Desde o início da história da Igreja que se fala da importância da família e do número grande de filhos. Fosse por necessidades económicas, fosse por não haver métodos de planeamento familiar eficazes, as famílias ao longo da história apresentavam sempre um grande número de filhos. Não se conhecendo bem a realidade, considerava-se que o homem era o portador da vida e a mulher o terreno fértil onde a sua “semente” era plantada. Isto reforçou as teorias que apontavam como errado certos atos sexuais, como a masturbação, ou algumas posições nas relações sexuais que levavam ao desperdício dessa “semente”.

O crescimento da sociedade e a evolução da ciência permitiu que no final do séc. XIX se descobrisse que a mulher tinha um período fértil e que ela também participava no processo de geração de vida, não apenas o homem. Baseado nesta descoberta, foi pedido às mulheres que procurassem fazer um calendário dos seus períodos férteis e os definissem a partir daí. «A técnica foi útil para muitos casais, mas o ciclo da mulher é variável e influenciado por fatores externos, pelo que o método mostrou-se muito falível», diz-nos Mary Anne d’Avillez, enfermeira que se dedica ao trabalho na área do planeamento familiar.

É dentro de uma sociedade que começa a pensar nas questões do planeamento familiar e da necessidade de planear o futuro da família, fosse porque vivam em zonas urbanas, em casas mais pequenas, ou porque a mulher começava a ganhar uma maior independência, ou porque havia uma mentalidade mais individualista que começou a ganhar forma com o maio de 68 em França, que surge um dos documentos mais polémicos e incompreendidos da Igreja nas últimas décadas: a Encíclica Humanae vitae. «Quando as questões à volta do planeamento familiar se colocaram, no âmbito de buscar uma paternidade responsável, o Papa Paulo VI propôs uma comissão de estudo inovadora naqueles tempos, porque incluía o testemunho de casais de leigos», conta o Pe. José Manuel Pereira de Almeida, coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde.

Pe. José Manuel Pereira de Almeida
Coordenador Nacional da Pastoral da Saúde

Esta encíclica pretendia regular todas as questões relacionadas com o matrimónio e o planeamento familiar, mas as suas ideias e propostas nunca foram plenamente conhecidas, mesmo nos dias de hoje. Criaram-se muitos mitos à volta desta encíclica e do entendimento da Igreja sobre o planeamento familiar. Que as relações sexuais depois do casamento são apenas para procriar é logo o primeiro. O ponto 12 da encíclica fala no duplo significado da relação sexual do casal, o «significado unitivo e o significado procriador». «Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher», pode ler-se no documento. Aliás, a noção de que o ato sexual serve apenas para o prazer do casal, seguros de que não estarão a procriar, aparece mais à frente, no ponto 16. «A Igreja é a primeira a elogiar e a recomendar a intervenção da inteligência, numa obra que tão de perto associa a criatura racional com o seu Criador. […] Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimónio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade.» Apesar de estar clara a posição da Igreja, as pessoas não a conhecem.

Mas o que significa então ter em conta «os ritmos naturais» do ser humano para o casal poder expressar o seu amor um pelo outro através da relação sexual sem correr o risco de engravidar? Na altura, a única proposta existente era o chamado método do calendário, ou das contas, já referido acima, e isso não foi muito bom. O Pe. José Manuel considera que ainda hoje se faz sentir o peso de uma encíclica que teve «má publicidade», por culpa própria. «Quando a Humanae vitae é aprovada, a proposta que a Igreja tinha era a abstinência periódica regulada por um ciclo com contas feitas aos 28 dias. Essa proposta, que não era nada eficaz, temo que tenha sido uma proposta tão fora das expectativas das pessoas, e com resultados falíveis, que as pessoas disseram “bem, isto é um peso que nos colocam a nós em que eles não estão a ajudar nem com um dedo”, e isso criou resistência ao documento por parte dos casais na altura», considera o sacerdote.

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Família
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