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Filme “Annabelle”: uma fidedigna representação da possessão demoníaca

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Andamento da trama se mostra satisfatoriamente fiel à doutrina católica

 
O roteiro de Gary Dauberman, por outro lado, é, por assim dizer, o elo fraco do filme. Só Wallis e Alfre Woodard, como o soturno proprietário da livraria, têm algo de substantivo em seus papéis. Mais flagrantes são as tramas que oscilam e os personagens que desaparecem, desarrumando o filme. De qualquer modo, este é o primeiro trabalho de Dauberman nas telonas depois de escrever filmes como "Swamp Devil" e "Bloodmonkey" para o canal SyFy: é compreensível que ele ainda tenha aspectos a trabalhar. Felizmente, este é um filme de terror, o que faz com que a sua falta geral de lógica não seja necessariamente comprometedora.

Mais chamativo, diria eu, é o fato de que o script reflete bem, em pelo menos cerca de 90% do tempo, os elementos católicos que são abordados. Sendo frequentadores regulares da missa, John e Mia vão imediatamente atrás do seu pároco, o pe. Perez, para pedir ajuda quando as coisas começam a ficar fora de controle com Annabelle. E ele os ajuda, não só contra o demônio, mas também orientando-os a manter o casamento firme no meio daquele calvário. Em outras palavras: os católicos em "Annabelle" agem como católicos de verdade.
 
É ainda mais impressionante o fato de que até os últimos dez minutos do filme, mais ou mais, a trama consegue se manter bastante fiel aos ensinamentos da Igreja sobre os demônios. Annabelle mesma, por mais demoníaca que pareça, é apenas uma coisa. A boneca em si não é o problema. O problema é o espírito que se utiliza dela.
 
A Enciclopédia Católica, de 1912 observa que, "de acordo com a crença católica, os demônios ou anjos caídos conservam o seu poder natural, como seres inteligentes, de agir sobre o universo material, usando objetos materiais e dirigindo forças materiais para os seus próprios fins perversos… Assim, lugares, coisas e pessoas são naturalmente suscetíveis de infestação diabólica, dentro dos limites permitidos por Deus".
 
No filme, o padre Perez destaca esse aspecto. Como cristãos, nós não estamos em guerra contra coisas. Com a nossa própria natureza caída, nós estamos em batalha espiritual com as forças inteligentes do mal alinhadas contra nós. A nossa principal arma de defesa é a oração, da qual o exorcismo é apenas uma forma altamente ritualística. Embora as coisas fiquem um pouco mais questionáveis teologicamente no final do filme, é bom ver uma produção de Hollywood se mostrando tão correta em termos gerais.
 
Isso é bom, pelo menos, para mim. Provavelmente, o filme não vai receber uma recepção tão calorosa por parte de críticos como os que acusaram “The Conjuring”, por exemplo, de focar demais na vida do casal, no batismo cristão e em elementos corriqueiros da Igreja católica como sendo essenciais para se resistir ao mal. Esses críticos vão encontrar muito desse mesmo material em "Annabelle".

Não quero dizer que o filme seja perfeito (longe disso). Mas ele é bem centrado. E dá arrepios suficientes para valer a pena como entretenimento.

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