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Malala Yousafzai: de alvo do talibã a Nobel da Paz por sua luta pela educação

<p>(2013) A estudante paquistanesa Malala Yousafzai</p>

AFP - publicado em 10/10/14

Islamitas invadiram seu ônibus escolar e um deles perguntou: "Quem é Malala?". Depois disparou um tiro à queima-roupa na cabeça da menina

A paquistanesa Malala Yousafzai, premiada nesta sexta-feira, aos 17 anos, com o Nobel da Paz, é uma defensora do direito à educação das meninas e mulheres transformada em ícone mundial da luta contra o extremismo depois de sobreviver a um atentado dos talibãs.

Há quase exatamente dois anos, em 9 de outubro de 2012, vários islamitas invadiram o ônibus escolar no qual voltava para casa depois da escola em Mingora (no Vale do Swat, norte) e um deles perguntou: "Quem é Malala?". Depois disparou um tiro à queima-roupa na cabeça da menina.

Incrivelmente, Malala sobreviveu ao ataque. Em coma, foi transferida a um hospital de Birmingham, no Reino Unido, onde recuperou a consciência seis dias depois. Havia nascido a lenda Malala.

"Estava aterrorizada. A única coisa que sabia era que Alá havia me abençoado ao me conceder uma nova vida", conta a adolescente em sua autobiografia, "Eu sou Malala", um best-seller internacional que teve uma acolhida discreta em seu país natal, o Paquistão.

A adolescente vive hoje em Birmingham, no centro da Inglaterra, onde nesta sexta-feira estava na escola durante o anúncio do prêmio, compartilhado com o indiano Kailash Satyarthi, que milita contra a exploração infantil.

Desde sua saída do Paquistão, participou de várias conferências internacionais, onde defendeu a paz e a educação de crianças, pedindo aos líderes mundiais que enviem livros, não armas, aos países pobres. Também defendeu ante o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, que se reunisse com os pais das adolescentes sequestradas pelo grupo islamita Boko Haram.

Ganhadora do último prêmio Sakharov do Parlamento Europeu pela liberdade de consciência, já aparecia no ano passado entre os favoritos ao Nobel da Paz, conquistado finalmente pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), encarregada de supervisionar o arsenal sírio.

Amante dos livros

Com o longo véu tradicional cobrindo seu cabelo preto, com um olhar franco e luminoso e uma voz aflautada, Malala iniciou seu combate em 2007, quando os talibãs impuseram sua lei no vale do Swat, até então uma tranquila zona turística conhecida como a "Suíça do Paquistão".

Com apenas 11 anos, Malala, filha de um diretor de escola de convicções pacifistas, e de uma mãe iletrada, escrevia um blog no site da BBC em urdu, a língua nacional. Sob o pseudônimo de Gul Makai, descrevia o medo que reinava no vale e a impossibilidade de comparecer às aulas.

O nome desta menina valente e com um impressionante sangue frio, amante dos livros e do conhecimento, começou a circular no Swat e ganhou dimensão nacional quando recebeu o Prêmio Paquistanês pela Paz.

Os talibãs, que haviam sido desalojados do vale pelo exército em 2009, decidiram então eliminar esta adolescente, acusada por eles de ser um instrumento da propaganda ocidental. Mas o ataque contra Malala teria o efeito inverso: comoveu o Paquistão e ainda mais o exterior, especialmente o Ocidente.

Malala se converteu, assim, em uma figura popular. Ela é vista em fotos junto a personalidades de todas as áreas, de David Beckham à rainha Elizabeth II. Além disso, a National Gallery de Londres expôs seu retrato, as lojas vendem camisetas com sua imagem, etc. Dois anos depois do atentado, Malala é mundialmente conhecida.

A pena mais forte que a espada

Mas esta "supermidiatização" desagrada muitos no Paquistão, atingido por atentados e pelas consequências da guerra no Afeganistão, perto do vale do Swat.

Os círculos islamitas veem Malala como um agente dos Estados Unidos ou do Ocidente criado para corromper a juventude e propagar uma cultura antimuçulmana.

A adolescente, que ainda tem um pedaço da boca paralisado como sequela do atentado, responde aos seus opositores, como fez neste ano na sede da ONU em Nova York, proclamando que "a pena é mais forte que a espada" e que não sentia "nenhum ressentimento pelos talibãs" que a atacaram.

Malala sonha em fazer política no Paquistão. Mas, ao estar mais ameaçada do que nunca pelos talibãs, poderá algum dia voltar ao seu país natal?

Para seu discurso na ONU, vestia um xale que havia pertencido a Benazir Bhutto, a única mulher que se tornou primeira-ministra de seu país, onde foi assassinada em 2007, ao retornar do exílio.

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