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Relatório inicial do sínodo sobre a família gera onda de histeria

Catholic Church England and Wales-CC

Susan E. Wills - publicado em 15/10/14

A confusão começa a ficar evidente na Parte II, "O discernimento dos valores presentes nas famílias feridas e em situação irregular", quando é feita esta pergunta: "Quais são as possibilidades oferecidas aos casais que experimentam o fracasso do seu casamento, ou melhor, como é possível oferecer a eles a ajuda de Cristo através do ministério da Igreja?". Será que isto é um apelo velado para que se permita a eles o recebimento da Eucaristia? Esta pode ser uma das leituras, embora não seja a única.

Também pode haver confusão na menção à "doutrina dos níveis de comunhão, formulada pelo Concílio Vaticano II", que reconhece que "elementos de santificação e verdade" podem ser encontrados em denominações e credos externos à estrutura da Igreja católica, sugerindo-se a aplicação desta doutrina às situações de "coabitação, casamentos civis e pessoas divorciadas e recasadas", por meio de "mais apreciação dos valores positivos que elas contêm do que das suas limitações e deficiências". Mas para quê, exatamente?

Nós apreciamos o bem que encontramos em outras comunidades de fé, mas não as admitimos na Santa Comunhão. Devemos mostrar o nosso apreço pelos valores positivos das pessoas que vivem em coabitação, em casamentos civis etc., mediante a sua não condenação? Mas isso é caridade cristã básica. Então qual é a necessidade de se destacar este ponto?

Sob o título "A verdade e a beleza da família e da misericórdia", o relatório nos informa que "uma nova dimensão da pastoral familiar de hoje consiste em aceitar a realidade do casamento civil e da coabitação, levando em conta as devidas diferenças". A frase-chave, é claro, é "aceitar a realidade". Qual seria, afinal, o significado exato da palavra "aceitar"? É evidente que todos nós temos que enxergar que existem estas realidades, mas “aceitar” significa “concordar”, “ratificar”, “reconhecer” como dignos de alguma ação por parte da Igreja que não seja a vontade de explicar respeitosamente a essas pessoas a doutrina católica, com caridade e encorajamento? E onde é que está a preocupação com os filhos de pais que moram juntos sem estar casados (ou, muitas vezes, com os filhos de um dos pais que coabita com outro adulto que não tem vínculo algum com a criança)? O dano físico, emocional, psicológico e espiritual que essas crianças sofrem deve ter precedência sobre o desejo dos adultos de se sentirem aceitos.

Na Parte III, "Aspectos positivos das uniões civis e da coabitação", o relatório afirma que as situações irregulares "devem ser tratadas de forma construtiva, procurando-se transformá-las em oportunidades de caminhar rumo à plenitude do matrimônio e da família (…) Eles precisam ser acolhidos e acompanhados com paciência e delicadeza".

Ninguém discutiria esta declaração, que é apenas boa prática pastoral. Mas a discussão que se segue sobre os “Cuidados a tomar com as famílias feridas” (de pessoas separadas, de divorciados que não voltaram a se casar, de divorciados que voltaram a se casar) cita uma passagem da Evangelii Gaudium (nº 169) em que o papa Francisco pede que todos sejam iniciados "nesta ‘arte do acompanhamento’, que nos ensina a tirar as sandálias no solo sagrado do outro". Mais uma vez, trata-se da boa prática pastoral de conduzir suavemente os adultos cujos casamentos fracassaram para mais perto da plenitude da fé, mas é novidade, para dizer o mínimo, referir-se à situação dos adultos divorciados e recasados ​​como se estivessem vivendo “em solo sagrado”.

Fomos informados, ainda, de que "vários padres sublinharam a necessidade de tornar o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial mais acessível e flexível". Essas opiniões não levaram em conta a justiça devida ao cônjuge abandonado e aos filhos inocentes, mas apenas o ponto de vista de quem quer continuar a sua vida com um novo cônjuge. Como documentou o Dr. Fitzgibbons em dois artigos recentes, os casamentos podem ser salvos e é preciso dar muito mais atenção ao fortalecimento do casamento do que à racionalização dos processos de anulação.

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Tags:
CasamentoFamíliaSínodo
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