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Jihadista do EI capturado implora pela morte para ir para o paraíso

<p>Fumaça é vista na cidade síria de Kobane</p>

Agências de Notícias - publicado em 16/10/14

"Ele nos disse várias vezes: 'eu me alegro por meus irmãos mortos porque eles se converteram em mártires, e quero me unir a eles no paraíso'".

O curdo Cuneyt Hemo cruzou há dez dias com um dos tão temidos jihadistas do grupo Estado Islâmico, que sitia a cidade curdo-síria de Kobane, e se surpreendeu com o estado físico e emocional do homem que foi feito prisioneiro.

"Ele nos suplicou que o matássemos para que pudesse ir para o paraíso beneficiar-se de todas as recompensas prometidas", conta este comerciante de 33 anos, que procurou refúgio dos combates no país vizinho da Turquia depois de participar de algumas batalhas.

Sentado no jardim do centro cultural da cidade fronteiriça de Suruç, onde se encontra alojado, Hemo recorda, quase que de forma indiferente, seu encontro inesperado com "o bandido do EI".

Cuneyt Hemo chegou a lutar contra os combatentes do EI, mas sem usar o uniforme das Unidades de Proteção do Povo (YPG), a principal milícia armada curda da Síria.

Isso não o impediu de estar nas primeira fileira dos combates, enfrentando um grupo de islamitas resistentes.

"Foi quando capturamos um sujeito na rua. Ele vinha do Azerbaijão, tinha 20 anos e falava árabe".

O jihadista, conta Hemo sorrindo, era barbudo e cheirava muito mal. "Ele contou que tinha ido para Kobane para livrar o povo do ‘kufur’", a incredulidade".

"Perguntamos a ele porque o Daesh (acrônimo árabe do EI) estava nos atacando. Ele respondeu que éramos infiéis, que ele havia recebido ordens de nos colocar de novo no caminho do verdadeiro Islã e que, para isso, nossos bens, nossas mulheres e nossas filhas eram ‘halal’", ou seja, coisas para consumir".

Sem medo de morrer

Para demostrar que praticavam a mesma religião que ele, os combatentes do YPG o levaram para uma mesquita da cidade. Mas os esforços dos captores foram em vão. O jihadista se mantinha fiel a suas crenças.

"Tentamos em vão conversar com ele, mas ele não queria saber de nada. Disse e insistiu que éramos infiéis e que ele iria para o paraíso para encontrar as 40 mulheres que prometeram a ele", conta ainda o curdo.

Mesmo quando os combatentes das YPG ofereceram água e comida, o preso azeri recusou com obstinação. Disse que, se conseguisse fugir, voltaria ao combate e que estava disposto a seguir os passos de seus "irmãos camicases".

Desde o começo da batalha de Kobane, houve vários ataques suicidas contra posições curdas. Uma combatente de cerca de 20 anos das YPG também se sacrificou usando a mesma tática.

Cuneyt Hemo confessa que não consegue entender a obstinação dos jihadistas, e sua indiferença pela vida.

"Ele nos disse várias vezes: ‘eu me alegro por meus irmãos mortos porque eles se converteram em mártires, e quero me unir a eles no paraíso’".

O habitante de Kobane assegura que os combatentes das YPG queriam manter o jihadista como prisioneiro, mas não conseguiram por causa de sua determinação e principalmente pelas atrocidades que cometeu contra civis junto ao grupo EI.

Vinte e quatro horas depois de sua captura, o jihadista foi executado.

"De qualquer maneira, ele teve o cérebro lavado e não tinha medo de morrer", conclui Hemo, num tom quase de desculpa.

(AFP)

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