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Revista online do grupo Estado Islâmico faz ameaças aos “cruzados romanos”

© Baqiya Media

Greg Daly - publicado em 19/10/14

Para o historiador Tom Holland, a “Dabiq” reflete o mundo que ele descreve em seu livro “In the Shadow of the Sword: The Birth of Islam and the Rise of the Global Arab Empire” [“À sombra da espada: o nascimento do islã e a ascensão do império árabe global”]. Ele destaca o artigo "O renascimento da escravidão antes que chegue ‘A Hora’", no qual explica de que modo o EI procura justificar a escravização do povo yazidi com base no que se conhece comumente sobre a vida de Maomé.

O artigo afirma que "as famílias yazidis escravizadas estão sendo vendidas pelos soldados do EI do mesmo jeito que os ‘mushrikin’ eram vendidos pelos ‘Companheiros’ antes deles", em referência à crença de que os primeiros seguidores de Maomé escravizavam quem era considerado “infiel”.

"É chocante e aterrorizante", diz Holland, "que a confiabilidade ou não das fontes sobre o começo do islã tenha se tornado uma questão de vida ou morte para os yazidis. Não podemos ter certeza suficiente sobre o que Maomé realmente fez; portanto, [essas suposições] não podem servir de base para justificar o que o EI está fazendo hoje". Obviamente, diz Holland, nada poderia ser suficiente para justificar ações desse tipo, mas, "para os crentes muçulmanos, elas podem parecer justificadas".

Ressaltando que, até o surgimento do EI, "a esmagadora maioria dos muçulmanos aceitava que o tempo da escravidão já tinha ficado para trás", Holland conta que, quando escreveu sobre a escravidão imposta pelos exércitos do primeiro califado, "jamais imaginei que ela aconteceria novamente".

"Em última análise", diz ele, "a melhor maneira de acabar com este recrudescimento da escravidão é que as suas bases teológicas sejam demolidas pelos próprios estudiosos muçulmanos".

Abordando as ações do Estado Islâmico num artigo recente para o “think tank” ecumênico “Theos”, Holland declara que não é suficiente "apenas insistir em dizer que o islã é uma religião de paz e deixar tudo por isso mesmo".

"Os estudiosos muçulmanos", afirma, "têm a responsabilidade urgente de mostrar, nos mais minuciosos pormenores, onde e por quê exatamente os jihadistas estão errados. Assim como os intelectuais cristãos, no tocante ao Holocausto, foram obrigados a enfrentar as interpretações nocivas que alguns grupos faziam do Novo Testamento e recalibrar o seu entendimento teológico, assim também os seus colegas muçulmanos de hoje precisam resgatar as próprias escrituras da selvageria que está denegrindo a imagem da sua religião".

Recentes trabalhos históricos sobre as origens do islã podem ajudar neste sentido. Holland cita o professor Fred Donner, da Universidade de Chicago: "Aqueles de nós que estudam as origens do islã têm de admitir coletivamente que simplesmente não sabemos algumas coisas muito básicas sobre o alcorão; coisas tão básicas que o conhecimento delas é geralmente dado por certo pelos estudiosos que lidam com outros textos".

"Quando as evidências daquilo que o Maomé histórico disse e fez são tão desiguais", observa Holland, "e quando as explicações tradicionais sobre o surgimento do alcorão são tão contestadas, vai ficando cada vez mais difícil insistir em dizer que a herança das escrituras islâmicas não é completamente contingente".

Foi só nas últimas décadas que os estudiosos entenderam que muito pouca coisa pode ser conhecida sobre o nascimento do islã. À medida que a consciência desta ignorância se espalha, os muçulmanos podem enxergar os seus textos sagrados de forma diferente. Se os muçulmanos reconhecerem que as histórias contadas sobre Maomé surgiram dentro de um contexto e de um período histórico específico e se sentirem livres para interpretar o alcorão fora dos limites da exegese tradicional, uma nova forma de islamismo deverá surgir, diz Holland: e nela, presume e deseja ele vivamente, "não haverá mais lugar para as decapitações rituais".

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Tags:
Estado IslâmicoMundoPerseguição
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