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O sínodo da família em 12 pontos

Conclusion of the Synod & Beatification Pope Paul VI – Pope Francis – Antoine M – 19 – pt

© Antoine Mekary / Aleteia

Salvador Aragonés - publicado em 20/10/14

O que se disse, o que não se disse e para que serviu o debate? Confira um resumo completo sobre este importante encontro da Igreja

O sínodo extraordinário dos bispos sobre a família terminou com a beatificação do Papa Paulo VI. A opinião pública ficou um pouco desconcertada, porque foram escritas crônicas nas quais a Igreja parecia estar dividida em temas como os homossexuais, os divorciados, a crise das famílias e um longo etcétera. É conveniente pontuar e informar sobre quais foram os pontos centrais deste sínodo extraordinário, que na verdade foi preparatório para o sínodo ordinário sobre o mesmo tema e que acontecerá em outubro de 2015.

Por isso, consideramos oportuno levar em consideração os seguintes 12 pontos para resumir o que o sínodo significou:

Ponto 1. O Papa pediu aos presentes no sínodo (cardeais, bispos, sacerdotes, leigos) que falassem com máxima liberdade, o que, segundo os presentes, aconteceu. “Não tenham medo de falar”, disse o Papa Francisco. Levar em consideração que a família, seja qual for sua situação ou sua crise, precisa ser acolhida, escutada e acompanhada, porque a Igreja sempre tem as portas abertas a todas as pessoas, por mais irregulares ou difíceis que sejam suas vidas, por mais próximas ou distantes que estejam de Deus.

Ponto 2. Foram registradas intervenções diferentes porque a realidade da família varia nas diversas parte do mundo, e os bispos também são diferentes: a situação da família ocidental não é a mesma que a da família africana ou asiática. Enquanto na Ásia há muitos casamentos mistos e com pessoas não crentes, na África se rejeita a homossexualidade e há famílias poligâmicas. Por isso, os bispos têm registros diferentes ao falar das famílias.

Ponto 3. O Papa Francisco esteve em silêncio. Ele queria escutar, e prefere não se pronunciar enquanto os temas abordados não amadurecerem e forem melhor apresentados no próximo sínodo ordinário de 2015. O Pontífice não publicará nenhum documento a partir das conclusões dos circuli minores ou grupos linguísticos. Os textos aprovados são “documentos de trabalho” que continuarão sendo estudados no próximo sínodo. Tenta-se conjugar a misericórdia de Deus com o acompanhamento da Igreja a todas as famílias (seja qual for sua situação) com a doutrina imutável procedente da Revelação sobre a família e o casamento.

Ponto 4. Um sínodo é um órgão consultivo do Papa do qual participam representantes de todas as conferências episcopais. Serve para que se reúnam com o Santo Padre e debatam temas atuais, como, neste caso, a família. É o que se chama de viver a “sinodalidade” ou “colegialidade”, usando uma expressão do Concílio. Ou seja, “caminhar juntos” e viver a corresponsabilidade na vida da Igreja sob Pedro ou com Pedro.

Ponto 5. Em todos os sínodos, como aconteceu no Concílio, existem filtros na mídia, especialmente no que diz respeito a fatos que possam causar impacto entre o público, como o tema dos homossexuais e dos divorciados. As agências internacionais espalham estas interpretações da mídia como se fossem opiniões do sínodo. É o jogo atual do mundo da comunicação: se você não contar coisas estranhas, a notícia não fará sucesso. Nos sínodos, de cara a mídia já divide os padres sinodais entre progressistas e conservadores. É sempre a mesma coisa. Os conservadores seriam, logicamente, os da cúria, e os progressistas, os padres sinodais que obtêm protagonismo por romper de alguma maneira com a doutrina tradicional. Neste sínodo, o clima foi bom, mesmo com as lógicas e normais discrepâncias. Uma coisa é diferir, defendendo com força as próprias ideias, e outra é “brigar”, como disse a mídia. Os padres sinodais pediram que se ampliassem os tribunais eclesiásticos sobre nulidades matrimoniais e que sejam mais expeditivos.


Ponto 6. Uma coisa é a compreensão e acompanhamento das famílias vivendo com elas a dor de uma crise ou de situações irregulares, e outra é aceitar tais situações irregulares como se tivessem a aprovação da Igreja. O sínodo não veio mudar a doutrina, mas a pastoral.

Ponto 7. A mensagem do sínodo manifesta como Cristo passa pelas ruas e lares mostrando a beleza da família, refletida no testemunho cotidiano oferecido por muitas famílias à Igreja e ao mundo com sua fidelidade, sua fé, sua esperança e seu amor, apesar das dificuldades. Há um desafio quanto à fidelidade conjugal, porque a vida familiar costuma estar marcada pelo enfraquecimento da fé e dos valores, pelo individualismo, pelo empobrecimento das relações, pelo estresse de uma ansiedade que descuida da reflexão serena. Assiste-se, assim, a muitas crises conjugais, que são enfrentadas de maneira superficial e sem a coragem da paciência, do diálogo sincero, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício.

Ponto 8. A mensagem do sínodo recorda as dificuldades econômicas causadas por sistemas perversos, originados no fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano (EG 55), que humilha a dignidade das pessoas. Lembra também o pai e a mãe sem emprego, impotentes frente às necessidades ainda primárias da sua família, ou nos jovens que passam dias sozinhos, sem esperança, e assim podem ser vítimas das drogas ou da criminalidade. O documento menciona também as famílias pobres, prófugas, perseguidas pela fé, as que sofrem as guerras, as mulheres que sofrem violência, as crianças e jovens que sofrem abusos. E pede aos governos e organizações internacionais que promovam os direitos das famílias para o bem comum, porque Jesus quis que sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta, recebendo todos sem excluir ninguém.

Ponto 9. Jesus Cristo não foi buscar os bons, mas os publicanos e pecadores. É preciso sair às periferias, sem descuidar das famílias que servem de modelo e testemunho para outras famílias. “O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando ‘Cristo será tudo em todos’ (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.”

Ponto 10. O sínodo não questiona a doutrina, mas reflete sobre a pastoral, ou seja, o discernimento espiritual para a aplicação de tal doutrina. A misericórdia não elimina os mandamentos, senão que são sua chave hermenêutica (arte de interpretar textos sagrados). A sexualidade precisa ser abordada de forma muito positiva, pois se fala tanto do negativo da sexualidade fora do casamento, que parece que a sexualidade matrimonial é “uma concessão a uma imperfeição”.

Ponto 11. O amor tende, por sua própria natureza, a ser para sempre, até dar a vida pela pessoa amada (cf. Jo 15, 13). O amor conjugal persiste apesar das múltiplas dificuldades do limite humano, e é um dos milagres mais belos, ainda que também o mais comum. O amor não é só procriação, mas também educação na fé dos filhos. Esta missão é frequentemente compartilhada e exercida pelos avós com grande carinho e dedicação. Assim, a família se apresenta como uma autêntica igreja doméstica. O amor é uma entrega de bens, de companhia, de amor e de misericórdia, e também um testemunho de verdade, de luz, de sentido da vida.


Ponto 12. A mensagem afirma que o matrimônio é uma vocação autêntica e, como tal, requer fidelidade e coerência. O caminho de preparação para o casamento precisa ser longo, personalizado e severo, sem medo da diminuição no número de cerimônias celebradas na Igreja. A família deve ser a escola de alteridade, na qual se aceita o outro como ele é, com amor. A família enfrenta a ditadura do pensamento único sobre os conceitos de família, vistos de maneira secularizada e segundo as modas das épocas. A crise de valores, o secularismo ateu, o hedonismo e a ambição de poder corroem a família e mudam os valores de união entre o homem e a mulher.

Esta reunião dos bispos com o sucessor de Pedro e em comunhão com ele, ainda que em uma confrontação serena sobre os problemas das famílias, é o sintoma de uma Igreja viva, vigorosa, na qual todos falam a partir da sua perspectiva, querendo dar o melhor ao povo cristão, se assim for aceito e promulgado pelo Papa.

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