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Lições do sínodo: casos extremos inspiram leis ruins

Wayne Miller

Rachel Lu - publicado em 22/10/14

O que mais falta à nossa juventude é catequese, não compaixão

O Sínodo sobre a Família terminou, pelo menos por enquanto. Ele provocou uma onda de angústia, mas, no fim, o Espírito Santo livrou a Igreja mais uma vez de uma catástrofe. Todas as partes mais perturbadoras do documento preliminar do sínodo foram removidas do documento final. E a vida continua.

Mas será que tiramos alguma conclusão útil sobre o casamento católico e a vida familiar a partir dessas polêmicas?

Talvez sim, embora a maioria delas tenha sido negativa. Alguns membros pensantes da mídia católica mundial, incluindo R.R. Reno, o padre Mark Pilon e Susan Wills, esta última da equipe da Aleteia, já publicaram comentários perspicazes sobre aspectos que não vão ajudar a revitalizar a nossa cultura do casamento católico. Por exemplo, não vai ser de ajuda começar uma “onda de diálogo” voltada a garantir que as pessoas não se sintam mal por passarem por cima dos ensinamentos da Igreja. Não vai ser de ajuda tentar acabar com os dolorosos detalhes de um milhão de situações familiares irregulares mediante diretrizes de cima para baixo que determinem mais "pastoralidade". Não vai ser de ajuda fingir que o casamento cristão pode ser uma coisa fácil, uniforme e agradável.

Escrevendo no “The Guardian”, Austen Ivereigh sugeriu que o sínodo está levando a Igreja a uma direção “mais frutífera” por trazer a linguagem da pastoral às suas deliberações e ensinamentos formais. Como Ivereigh destaca, os bispos e párocos têm andado muito empenhados no dia-a-dia lidando com os detalhes sensíveis de situações pessoais difíceis, oferecendo apoio, aconselhamento e a graça dos sacramentos para quem pode e vai recebê-los. Já no nível institucional, acha ele, Roma parece impassível e pedante, focada na clareza doutrinal e não na compaixão. O papa Francisco, segundo Ivereigh, está ajudando a mudar isso ao engajar a Santa Sé mais diretamente no ministério de atender as almas atribuladas.

Parece que esta é uma interpretação razoável das inclinações do Santo Padre. O papa Francisco tem um zelo óbvio pelos mais aflitos. Enxergamos este zelo refletido na sua já famosa analogia que apresenta a Igreja com um hospital de campanha, onde as pessoas desesperadamente feridas vão à procura de tratamento. A Igreja, na opinião dele, tem que ser esse hospital em que as pessoas sufocadas pelo pecado e pela angústia podem encontrar a cura.

Voltando especificamente à questão da família, encontramo-nos agora diante de uma pergunta: será que é possível fazer isso em nível institucional? Os casos desesperados geralmente demandam uma atenção pessoal significativa. Eles não podem ser tratados em massa pela Santa Sé. E o foco em estender a mão aos caídos já causou ansiedade demais em todo o mundo católico; afinal, como diz a sabedoria popular, os casos extremos inspiram leis ruins. Não seria mais apropriado que os pastores e leigos fizessem o trabalho individual de cuidar das almas aflitas, enquanto Roma lhes fornecesse o suporte necessário para dizer a eles a verdade com toda a devida confiança? No âmbito institucional, talvez deva haver menos foco na triagem e mais foco no desenvolvimento de um plano de bem-estar.

Um plano de bem-estar é extremamente necessário. Nós precisamos fazer um trabalho muito melhor para transmitir a fé aos jovens católicos se quisermos reduzir o risco de eles acabarem como "amputados espirituais".

E é possível fazermos um trabalho melhor, mesmo numa cultura que despreza a doutrina católica sobre sexo e casamento. Eu refleti sobre isso algumas semanas atrás, lembrando o meu desconforto, há 16 anos, quando descobri o catolicismo quando era caloura da Universidade de Notre Dame. Eu era uma jovem mórmon e tinha recebido uma educação sólida no tocante à ética sexual. Tendo ouvido muita coisa a respeito do rigor dos ensinamentos católicos sobre esses assuntos, eu esperava, naturalmente, encontrar colegas que compartilhassem a minha crença sincera de que a fornicação não era correta, de que o sexo deve ser reservado para o casamento e de que o casamento deve ser ordenado à procriação. Alguns dos meus colegas de fato pensavam dessa forma. Mas eu fiquei chocada com a quantidade de outros colegas que rejeitavam esses ensinamentos e até mesmo os ridicularizavam. Se os meus colegas de faculdade representassem um fenômeno amplo, eu diria que os mórmons fizeram um trabalho muito melhor em me preparar para o casamento católico do que muitas paróquias católicas teriam feito no lugar deles.

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CasamentoDivórcioFamíliaSínodo
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