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O que significa “contemplar” os mistérios do terço?

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A contemplação é um jeito de rezar que nos ajuda a ver o amor de Deus

Leitor:
 
No terço, eu me pergunto que sentido tem “contemplar” (um verbo para mim impróprio) um episódio tão normal como a visita de Maria à sua prima; ou outro mais formal, como a apresentação de Jesus no templo; ou até algo quase incrível, como a resposta grosseira dada por Cristo à sua Mãe por ocasião do primeiro milagre em Caná; ou inclusive Jesus encontrado no templo…
 
Resposta:
 
Querido amigo, suas “provocações” são úteis para compreender o grande valor do terço e para ir além da recitação cansativa e rotineira, ainda que a repetição do Pai-Nosso e da Ave-Maria têm um valor em si.
 
Partamos dos episódios da vida de Jesus e de Maria que somos convidados a contemplar. Alguns podem parecer banais, outros formais, e outros até “incômodos”, como algumas respostas aparentemente grosseiras de Jesus.
 
Precisamente nestes episódios, no entanto, encontramos significados profundos e importantes para a nossa vida. Precisamos ir além do simples som das palavras para compreender o que o Senhor quer nos comunicar. A Bíblia, de fato, não é um texto qualquer. Nela, é o próprio Deus quem nos fala, ainda que de forma humana. Para compreendê-la, precisamos nos colocar em uma atitude de escuta e oração, deixando-nos ajudar e guiar pelo Espírito que a inspirou.
 
Não podemos nos esquecer que a Bíblia deve ser lida em sua unidade e no contexto da tradição viva da Igreja. Por isso, é útil recorrer a alguns comentários, pedir explicação ao pároco ou a alguma pessoa especialista.
 
Os episódios difíceis que você cita, na verdade estão repletos de significado. Maria não vai simplesmente visitar sua prima: ela se apressa em ajudar depois de saber que Isabel estava esperando um filho. Não apenas não se enche de vaidade quando o anjo lhe revela que seria a Mãe de Jesus, senão que se coloca a serviço de quem precisa.
 
Maria leva consigo a presença do próprio Filho de Deus que Ela carrega. Ela é modelo de serviço para todos nós, e nos recorda que o maior dom que podemos oferecer é a presença do Senhor, portadora de alegria.
 
No episódio da apresentação no templo, no entanto, é precisamente a submissão da Sagrada Família à Lei de Moisés que tem um grande valor, segundo o que diria o próprio Jesus: “Eu não vim abolir a lei, mas dar-lhe cumprimento” (Mt 5, 17).
 
A resposta “grosseira” de Jesus a Maria não foi realmente tal, se a compreendermos no contexto de todo o Evangelho. Imediatamente depois de Jesus ser achado no templo, o evangelista escreve que Ele voltou com seus pais a Jerusalém e estava sob sua autoridade (lc 2, 51).
 
Portanto, o episódio quer destacar a unicidade e divindade de Jesus, Filho de Deus, e também a fé em caminho de Maria e José, como a de todos nós. De fato, está escrito que eles “não compreendiam o que Jesus lhes havia dito”.
 
A passagem das bodas de Caná é mais complexa de explicar, mas o que é verdade é que Maria não se ofendeu, senão que convidou os servos a fazer tudo o que Jesus dissesse. Não há nenhuma resposta grosseira por parte de Jesus, e sim um acento sobre a “hora” que está chegando: a do dom da sua vida até o derramamento do sangue na cruz, representado pelo vinho novo oferecido em abundância aos comensais.
 
Uma última palavra sobre o termo “contemplação”. Não é impróprio, mas expressa a forma verdadeira de refletir sobre os mistérios do terço. Trata-se de uma oração contemplativa, que o compêndio do Catecismo define como “simples olhar sobre Deus no silêncio e no amor. É um dom de Deus, um momento de fé pura durante o qual o orante procura Cristo, se entrega à vontade amorosa do Pai e concentra o seu ser sob a ação do Espírito” (n. 571).
 
Em outras palavras, contemplando a vida de Jesus, a revelação dos mistérios da nossa salvação, “fixamos o olhar no amor de Deus até ver, por graça, toda a realidade com seus olhos. Então, Deus brilha em nossos corações e nós participamos do seu olhar toda a história e todas as suas criaturas: nossos olhos se tornam contemplativos, cheios de amor e misericórdia” (Enzo Bianchi).