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Qual foi a contribuição do cristianismo para a ética médica?

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Entenda o importante passo dado da ética médica à bioética

Nas últimas décadas, temos ouvido cada vez com mais frequência o termo “bioética” e sua importância para a área da saúde. Apesar de que sua origem exata não tenha sido definida completamente, vimos com maior clareza que, no fundamento desta nova disciplina, podemos encontrar traços comuns com a normatividade nas tarefas médicas, que remonta à época da antiga Grécia, nos anos em que Hipócrates (460-370 a.C.), o pai da medicina, desenvolveu seus postulados éticos.
 
Certamente, a história foi mais complexa e existiram muitos marcos importantes posteriores a Hipócrates, que contribuíram na evolução destes princípios éticos. Agora, aprofundaremos mais na relação entre a ética médica antiga e as contribuições do cristianismo, que a enriqueceram e a constituíram em uma base fundamental para o surgimento da nova disciplina.
 
Juramento hipocrático: assunto do passado?
 
O Juramento talvez seja o documento mais célebre do corpus hipocrático. Este documento contém uma valiosa riqueza em sua formulação. Destinado aos médicos, homens que tinham um ofício e uma profissão acima da lei, possui uma estrutura que representa a cultura e a tradição próprias da época. Entre suas principais características, encontram-se:
 
– Em primeiro lugar, uma introdução que invoca a divindade.
 
– Na parte central, encontram-se os compromissos frente aos professores, colegas e pacientes. Promete-se fazer o bem e não praticar o mal.
 
– Por último, propõe sanções por parte da divindade, de acordo com o cumprimento ou não do próprio juramento.
 
Assim se entende que a profissão médica possuía, desde a sua origem, uma relação com o transcendente e estava revestida de caráter sagrado.
 
No juramento, também se encontra uma moralidade específica: os princípios de beneficência e não maleficência. Corresponde a uma moralidade objetiva, que se encontra acima dos desejos subjetivos e que se ordena ao bem em si mesmo e ao respeito pela pessoa. Estes foram tradicionalmente os dois princípios que orientaram o agir do médico: fazer o bem a quem se atende (à pessoa do doente) e buscar não lhe causar nenhum mal.
 
A contribuição do cristianismo para a ética médica
 
As palavras e obras de Jesus enriqueceram a concepção e o exercício da medicina que havia se desenvolvido desde a Antiguidade. As principais contribuições da doutrina cristã foram, entre outras:
 
– A fundamentação do conceito de pessoa humana: o desenvolvimento da antropologia cristã, que supera o dualismo tradicional, que propõe o valor e a dignidade do ser humano em toda a sua integridade, ao ter sido criado pelo amor de Deus, à sua imagem e semelhança.
 
– A configuração teológica na assistência do doente e na profissão médica: neste sentido, a assistência à saúde adquire um valor novo, que se encontra na vivência da caridade de Cristo. Em cada pessoa doente que se atende, está a imagem visível de Jesus, o rosto sofredor do Senhor que espera para ser atendido com o mesmo amor que Ele teve por cada um dos doentes que curou.
 
– A riqueza dos ensinamentos da parábola do bom samaritano: é o modelo a seguir por qualquer profissional de saúde. É lição de reverência frente à dignidade e integralidade de todo ser humano.
 
– O médico no sentido cristão: o conceito do profissional médico também se transforma, deixando de ser um personagem que está acima da lei moral para tornar-se um servidor, um instrumento nas mãos de Deus para servir os que sofrem.
 
Esta concepção cristã permaneceu ao longo de vários séculos e suas orientações se plasmaram em vários modelos de atenção e serviço na medicina; além disso, foi acolhida e seguida por inúmeras pessoas e centros hospitalares.

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