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Um sínodo realmente extraordinário

© Antoine Mekary / Aleteia

George Weigel - publicado em 24/10/14

6 coisas que tornaram este sínodo extraordinário em todos os sentidos

No “jargão” vaticano, um “sínodo extraordinário” é uma sessão especialmente convocada do sínodo dos bispos, ou seja, é um sínodo não ordinário, não “comum”, não incluído entre aqueles que são realizados a cada três anos aproximadamente. No caso do sínodo extraordinário recém-concluído de 2014, aconteceram coisas “extraordinárias” no sentido “uau!” da palavra. E se o sínodo extraordinário deste ano foi uma prévia do sínodo ordinário de 2015, cujas temáticas foram estabelecidas justamente no sínodo deste ano, então aquele sínodo também promete ser… extraordinário.

Por que o sínodo extraordinário de 2014 foi extraordinário também no sentido “uau!” da palavra?

Eu me arrisco a citar 6 motivos:

1. O sínodo de 2014 atraiu uma atenção extraordinária da imprensa. Infelizmente, muito dessa atenção se deveu à interpretação errônea, por parte da mídia massiva, de que o “Grande Momento da Igreja” estava prestes a acontecer: o momento em que a Igreja católica, o último grande bastião institucional contrário ao triunfo da revolução sexual, finalmente admitiria o erro das suas perspectivas e aterrissaria às pressas na terra prometida da liberação sexual, simbolizada, neste caso, pela falência da doutrina católica sobre a natureza do casamento. O que realmente deveria ter chamado a atenção do mundo – como o testemunho dos bispos africanos sobre o poder libertador da monogamia e da fidelidade conjugal vitalícia – só atraiu, infelizmente, um pouquinho de interesse aguado, muito embora as mulheres do Terceiro Mundo sejam as principais beneficiárias da verdade sobre o matrimônio que a Igreja recebeu do seu Senhor.

2. O sínodo de 2014 demonstrou a autoconfiança extraordinária dos bispos de igrejas locais agonizantes, que, no entanto, se sentem muito à vontade para dar aconselhamento pastoral a igrejas locais prósperas ou sustentáveis. Muitos bispos e teólogos (e bispos-teólogos) do norte da Europa agiram como se os anos felizes em que eles definiram a agenda da Igreja mundial no Vaticano II tivessem retornado. O fato de que esses mesmos bispos e teólogos e bispos-teólogos tenham presidido à queda do catolicismo da Europa Ocidental nas cinco décadas seguintes parecia não lhes importar nem um pouco. Os dias felizes tinham voltado.

3. O sínodo de 2014 foi extraordinário, ou, pelo menos, os meios de comunicação alardearam que foi, por causa de uma “exibição pública sem precedentes de discórdia entre os cardeais”. Talvez aqueles que acharam que isso fosse algo sem precedentes possam consultar Gálatas 2,11, onde Paulo relata que repreendeu o próprio Pedro. Ou ponderar as acirradas querelas entre os bispos norte-africanos durante a controvérsia donatista. Ou repassar a briga entre o bispo Cipriano de Cartago, um doutor da Igreja, e o papa Estêvão, bispo de Roma. Ou ler os debates da primeira sessão do Concílio Vaticano II. As controvérsias de 2014 foram certamente dignas de nota porque homens aparentemente inteligentes, cuja posição havia sido muito bem demolida por companheiros estudiosos, foram incapazes de admitir que tinham entendido mal as coisas. Se bem que nem isso é tão novo assim.

4. O sínodo de 2014 foi extraordinário porque uma bela confusão teológica foi exibida por anciãos da Igreja que deveriam ter as ideias mais claras. A ideia do desenvolvimento da doutrina foi especialmente mal empregada por alguns. É claro que a autocompreensão da Igreja se desenvolve ao longo do tempo, assim como a prática pastoral. Mas, como demonstrou o beato John Henry Newman na clássica discussão moderna do assunto, todo desenvolvimento autêntico está em orgânica continuidade com o passado: não é uma ruptura com o passado. Nem há qualquer espaço numa teoria verdadeiramente católica de desenvolvimento doutrinário para se reescreverem as palavras do Senhor ou para se descrever a fidelidade ao texto claro das Escrituras como "fundamentalismo".

5. O sínodo de 2014 foi extraordinário porque demonstrou que muitos bispos e teólogos (e bispos-teólogos) ainda não compreenderam a lei vital do cristianismo na modernidade: as comunidades cristãs que se mantêm firmemente dentro das fronteiras doutrinais e morais florescem no meio dos ácidos culturais da modernidade; já as comunidades cristãs cujos limites doutrinais e morais se tornam porosos (e invisíveis) murcham e morrem.

6. Mais uma coisa: por que nenhum representante do Pontifício Instituto João Paulo II para o Matrimônio e a Família foi convidado para um sínodo sobre a família?

Extraordinário mesmo: tanto no “jargão” vaticano quanto em bom português.

Tags:
FamíliaSínodo
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