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Desigualdade econômica é a maior fonte de medo nos países desenvolvidos

© Lisa S./SHUTTERSTOCK

Mark Gordon - publicado em 25/10/14

O abismo crescente entre ricos e pobres supera até mesmo o pavor do ebola e do Estado Islâmico

"Não recebestes o espírito de escravidão para recairdes no temor, mas o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" (Romanos 8,15).

Se a sua única janela para o mundo fosse a televisão, seria compreensível que você achasse o ebola e o Estado Islâmico os dois maiores motivos de pavor existentes na atualidade.

E é isto, aliás, o que parece que os meios de comunicação querem nos convencer a pensar: que uma horda de fanáticos extremistas e um vírus letal estão prestes a matar todo mundo, muito embora as maiores ameaças físicas ao nosso bem-estar individual continuem sendo as doenças cardíacas, o câncer, os desastres de trânsito, a violência armada e os acidentes domésticos.

Apesar da mídia, porém, a população dos países mais desenvolvidos do mundo parece estar mais atenta à “realidade real” do que às realidades potenciais mais remotas. O Instituto de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, entrevistou mais de 48.000 pessoas em 44 países pedindo que elas classificassem cinco grandes ameaças por ordem de importância: armas nucleares, aids e outras doenças, poluição e meio ambiente, ódio religioso e étnico e desigualdade econômica. Em outras palavras, o instituto perguntou aos entrevistados: o que é que mais preocupa você?

Os resultados variaram bastante de região para região e de país para país, mas é muito interessante observar que, na maioria das nações industrializadas ou pós-industriais, a desigualdade econômica foi apontada como a principal preocupação. Nos Estados Unidos, por exemplo, 27% por cento dos entrevistados indicaram a desigualdade como a maior ameaça da atualidade, com o ódio religioso e étnico em segundo lugar (25%), as armas nucleares em terceiro (23%), a poluição em quarto (15%) e as doenças em quinto (7%).

Estes resultados sugerem que, pelo menos nos países mais ricos, a população em geral entende com suficiente clareza os altos riscos decorrentes da desigualdade econômica: ela prejudica o bem-estar das famílias, mina o pacto social e ameaça a própria sobrevivência da democracia. Em comparação com a relativamente pequena chance de morte por ataque terrorista ou pelo ebola, os riscos da desigualdade econômica são perceptivelmente muito maiores.

Na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, o papa Francisco escreveu que enquanto os problemas dos pobres não forem radicalmente resolvidos mediante a rejeição da absoluta autonomia dos mercados e da especulação financeira, bem como mediante o combate às causas estruturais da desigualdade, não haverá solução para os problemas do mundo. A desigualdade é a raiz dos males sociais.

Quais são os "males sociais" a que o Santo Padre poderia estar se referindo? Além da pobreza em si, temos o aborto, procurado de modo desproporcional pelas mulheres economicamente mais marginalizadas; as dependências e vícios de todo tipo, que se enraízam com mais força na falta de esperança dos mais pobres; o colapso do casamento, que, nos países ricos, já é o melhor indicador independente de empobrecimento, especialmente para as crianças; a depressão e o suicídio, em especial entre os jovens; e uma série de outros males, incluída a ascensão de movimentos radicais e da violência política.

A desigualdade econômica pode ser encarada de duas maneiras: na renda e na riqueza. Há uma ligação íntima entre as duas, é claro, e, da perspectiva de qualquer dessas medidas, a realidade no mundo desenvolvido é sombria. Citando mais um exemplo dos Estados Unidos: a diferença de renda entre os mais ricos e o restante da população daquele país é hoje a maior já verificada desde 1928, o ano anterior ao do início da Grande Depressão.

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EconomiaPobrezaPolítica
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