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Desigualdade econômica é a maior fonte de medo nos países desenvolvidos

© Lisa S./SHUTTERSTOCK

Mark Gordon - publicado em 25/10/14


Entre 1966 e 2011, a renda real norte-americana, ou seja, a renda ajustada pela inflação, foi crescendo a uma média anual de 59 dólares no caso de 90% da população. Durante o mesmo período, a renda real dos 10% mais ricos subiu a uma média anual de 116.000 dólares; a dos milionários que compõem o 1% mais rico da população subiu em média 628.000 dólares; e a dos multimilionários que constituem 0,01% dos norte-americanos teve um aumento médio anual, durante esse período, de nada menos que 18 milhões de dólares. Nos últimos cinco anos, praticamente todos os ganhos de renda nos EUA se concentraram entre os 10% mais ricos, sendo que só a parcela do 1% mais privilegiado do país ficou com 81% de todo o crescimento. Durante esse mesmo período, a renda familiar média dos norte-americanos caiu de forma constante ano após ano, passando de 53.644 dólares em 2008 para pouco mais de 51.000 dólares em 2012.

Como seria de esperar, os números da desigualdade na riqueza acumulada acompanham os da desigualdade na renda. De acordo com estudos mencionados pela Bloomberg BusinessWeek, o 1% mais rico entre os lares americanos possui 40% dos ativos financeiros. Prosseguindo a pirâmide, os próximos 9% mais ricos possuem 35% da riqueza, o que significa que, na soma, 75% dos ativos ficam nas mãos de 10% da população. Sobra assim 25% de toda a riqueza para o restante 90% dos domicílios. A riqueza do extremo topo da pirâmide (0,01% da população dos EUA) quadruplicou desde o início da década de 1980. Hoje, as 16.000 famílias mais ricas do país possuem juntas 6 trilhões de dólares em ativos. A riqueza desse 0,01% da população é maior, portanto, do que a soma dos dois terços inferiores da pirâmide juntos.

Destacar estas estatísticas não implica uma inveja pecaminosa nem uma condenação do capitalismo por atacado. É preciso reconhecer que, entre 1930 e 1970, os Estados Unidos desfrutaram de um dinamismo capitalista robusto, atingindo o seu ápice de igualdade econômica e vivendo a maior expansão da classe média de toda a história da humanidade (é digno de nota, ainda, que boa parte dessa expansão foi favorecida por programas do governo focados em previdência social, eletrificação rural, regulamentação hipotecária e infraestrutura rodoviária, por exemplo).

A desigualdade econômica incomoda ainda mais os norte-americanos porque muitos deles já viveram ou conhecem alguém que viveu uma época diferente, em que havia bons empregos com garantias para os trabalhadores, em que as famílias que podiam comprar uma casa, um carro e pagar a faculdade de três ou quatro filhos ao mesmo tempo, em que a pensão previdenciária era suficiente para uma aposentadoria tranquila.

Mas aqueles dias já se acabaram, graças à globalização, à financeirização da economia, à automação, entre outros fatores. É possível frear ou mesmo reverter esse crescimento da desigualdade sem causar um mal fundamental à própria economia, mas essa tarefa cabe ao governo, que em si mesmo já é objeto de medo para muitos norte-americanos de hoje. Ainda assim, a Doutrina Social da Igreja cobra exclusivamente do governo a responsabilidade de garantir o bem comum, e o bem comum exige que o governo incentive os melhores aspectos do capitalismo, que levam à criatividade e ao crescimento, diminuindo ao mesmo tempo os aspectos ruins, que, se não forem combatidos, resultam em exploração e injustiça e, portanto, ferem a liberdade e a dignidade humanas.

Com a Centesimus Annus, o papa João Paulo II pediu um capitalismo que opere dentro de um "marco jurídico sólido, que o coloque a serviço da liberdade humana em sua totalidade e que o veja como um aspecto particular desta liberdade, cujo núcleo é ético e religioso…". Tal marco reconheceria que, embora certo grau de desigualdade seja natural no sistema capitalista, o grotesco desequilíbrio entre os poucos que são ricos e os muitos que são pobres precisa ser corrigido.

Na ausência de tal marco, há realmente muito a se temer. Inclusive, ou talvez principalmente, por parte dos ricos.

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Tags:
EconomiaPobrezaPolítica
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