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Existe diferença entre santos e beatos?

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Toscana Oggi - publicado em 27/10/14

Não são reconhecidas como santas todas as pessoas acolhidas no Céu?

Aprender a distinção que a Igreja faz entre beatificação e santificação me parece útil. Um beato, reconhecido oficialmente como tal, não é santo? Da mesma forma como também são santos todos aqueles não reconhecidos que, após a morte, são acolhidos no Céu?

Resposta do Padre Valerio Mauro, professor de Teologia Sacramental

Uma tradicional divisão da comunhão dos santos, que constitui a Igreja como povo de Deus, distingue a Igreja peregrina, a nossa condição na história, daquela gloriosa, os santos no céu, e daquela em um estado de purificação, os defuntos pelos quais rezamos.

Quando a Igreja reconhece a santidade de uma pessoa, existe uma mudança precisa: a nossa relação com aquele cristão passa de uma oração para ele(a), em seu favor, a um pedido de oração voltado para ele ou para ela. Certamente o convite à oração recíproca tem valores para todos, como nos lembra o apóstolo Tiago: “rezem uns pelos outros” (Tg 5,16). Precisamos da oração dos irmãos na fé durante o nosso caminho em direção ao Reino de Deus ou pela nossa última purificação.

Os santos e beatos intercedem por nós enquanto da parte deles estão em comunhão definitiva com Deus, na espera da manifestação do Senhor Jesus Cristo quando retornará na glória da ressurreição dos mortos. A tradição ortodoxa expressa bem esta passagem com uma liturgia formal, dita glorificação e distinta em duas partes: a primeira se desenvolve pela última vez uma oração em favor do defunto, passando pela primeira vez a uma liturgia na qual se dirigem orações oficiais ao novo santo. No dia seguinte é celebrada pela primeira vez uma missa durante a qual o santo é nomeado como tal, pela graça e a glória de Deus.

O culto dos santos, portanto, pertence aos modos com os quais a Igreja manifesta a sua fé através da oração, pessoal e comunitária. Cada expressão histórica da vida eclesial viveu mudanças e modificações no curso dos tempos. As primeiras atenções de uma oração pública voltada aos santos são aquelas para com os mártires, ligados a uma comunidade particular. Pensemos nos santos tradicionais como Lúcia, Ágata, Cecília ou os apóstolos, dos quais o martírio em uma cidade deu lugar a um culto precioso. De maneira singular a morte dos santos Pedro e Paulo em Roma decidiu pelo papel eclesial único do bispo daquela cidade. De maneira paralela o culto para com a Virgem Maria se liga à manifestação particular neste ou naquele lugar. Em síntese, o culto aos santos nasce ligado a um lugar, a uma comunidade local. Somente com o tempo se estende a outras comunidades. Os primeiros santos não mártires dos quais se conhece um culto são Antônio, padre do monaquismo, e Martinho de Tours, o primeiro santo não mártir do qual temos um ofício litúrgico. 

O culto público a um santo ou uma santa era confiado à aclamação popular ou a uma decisão episcopal: momento decisivo era a trasladação do corpo a um altar, que se tornava o centro do culto a ele voltado. No tempo Medieval a Igreja começa a regular, de maneira formal e universal, o reconhecimento de um culto litúrgico para os santos. Estamos em período de crescente autoridade do Papa na Igreja e assistimos a várias intervenções dos pontífices. No século XIII, Gregório IX reservou as canonizações ao ministério do Papa, instituindo o processo para o reconhecimento da santidade de um cristão (Francisco de Assis foi o primeiro pelo qual se desenvolveu uma investigação através de testemunhos sobre sua vida e seus milagres). Em 1588, Sisto V, fundou a Sagrada Congregação dos Ritos, encarregando-a de examinar as várias candidaturas ao culto público. Com Urbano VIII e Bento XIV se elaboram normas ainda mais precisas, definindo a distinção entre beato e santos: o beato goza somente de um culto público local, o santo é proposto ao culto da Igreja Universal.

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Tags:
BeatificacaoCanonizaçãoSantos
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