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Angelo Pio, meu filho com síndrome de Down: um presente de Deus!

Sisters of Life

Sisters of Life - publicado em 28/10/14

E como foi que você aceitou ser mãe solteira de uma criança com síndrome de Down?

Gina: As irmãs me sugeriram fazer um retiro de silêncio. Na primeira manhã, eu fui para o refeitório e o pessoal estava fazendo a faxina. Eu ainda estava muito fragilizada em relação a qualquer coisa que tivesse a ver com a síndrome de Down. Estava tentando me entender com tudo aquilo. E lá estava eu ​​no refeitório, me servindo, quando olhei para um lado e quem é que eu vi atrás da janela da cozinha? Um rapaz com síndrome de Down, limpando o chão! Eu pensei na hora: "Isso só pode ser brincadeira!". Eu não me lembro bem, mas eu deixei a bandeja cair… Quando me abaixei para pegar tudo, aquele jovem com Síndrome de Down se aproximou, colocou o braço em volta dos meus ombros e simplesmente me abraçou.

Ele não disse nada?

Gina: Nem uma palavra! Eu fiquei congelada. Ele era alto, forte. Eu não sei quanto tempo ficamos assim. Só uns segundos, porque a chefe dele nos viu, veio correndo e disse para ele: "Você nem a conhece, você não pode fazer isso. O que você está fazendo?". Ela se virou para mim e falou: "Desculpe. Ele nunca tinha feito nada desse tipo". Eu saí do refeitório precisando ficar sozinha, me sentei e tive uma certeza na mesma hora: "Foi Jesus. Foi Jesus quem acabou de me abraçar!". Eu estava confusa, mas tinha certeza absoluta de que tinha sido Jesus! E eu tinha razão. E quanto a ter o meu filho, eu já meio que sabia antes do retiro, mas ali foi definitivo. Eu senti aquela mesma leveza!

Você seria outra pessoa hoje se não fosse pelo Angelo?

Gina: Sinceramente, eu agradeço a Deus todos os dias porque o Angelo me salvou. De verdade! É muito importante dizer que uma criança com deficiência não nos enfraquece. Ela nos fortalece! Como indivíduos e como comunidade! Eu não consigo imaginar como é que eu poderia ser a pessoa que eu sou hoje, ter a força que eu tenho hoje, conhecer Deus do jeito que eu conheço hoje, se não fosse pelo Angelo.

Você vê a vida de uma perspectiva diferente?

Gina: Sem a menor dúvida! Ele me fez ser mais compassiva, sensível, paciente e obediente. Eu nunca tinha me visto como uma mulher maternal, apesar de sempre ter querido ser mãe. É como se uma parte de mim estivesse adormecida e tivesse ficado iluminada cuidando dele. Eu descobri coisas, em mim mesma, que eu não conhecia… É como se algo tivesse ficado vivo, se encaixado. Sempre existe alegria com ele!

E o Angelo mudou também o seu jeito de lidar com o mundo?

Gina: Com o Angelo na minha vida, muitas coisas ficaram bem mais claras e mais simples. Quase todo dia, alguém nos para na rua para dizer o quanto ele é bonito, ou "que óculos legais", ou "olá", ou qualquer coisa. As lutas do dia-a-dia são intercaladas por esses momentos que eu passo com ele. Por exemplo, nós sabemos o nome de todos os porteiros da nossa quadra graças ao Angelo. Ele vai saudando todo mundo: "Oi, Steve!", "Bom dia, Carlos"! Se não fosse pelo Angelo, eu não teria conhecido nem o Steve, nem o Carlos, nem as histórias deles! O Carlos, em particular, pode estar falando com alguém no telefone e, se ele notar que o Angelo está esperando para dar "oi", ele vai dizer para a pessoa: "Olha, eu tenho que desligar! Tenho que ir lá dizer oi para o meu amigo!". É como se o Angelo estivesse ajudando a criar aquele tipo de mundo que nós deveríamos formar, como se não existissem todos os sofrimentos, problemas, competitividade, feiúra do mundo, com todo mundo correndo o tempo todo…

Você acha que hoje enxerga melhor a beleza da vida?

Gina: Enxergo… E eu também enxergo, de verdade, os benefícios do sofrimento. O Angelo consegue olhar no interior das pessoas mais oprimidas. No trajeto para a nossa casa, tem um grupo de pessoas pobres, que usam cadeiras de rodas, que se reúnem com frequência num certo ponto. Nós sempre paramos para cumprimentar e bater um papo com eles. Eu nunca teria parado ali antes. Eu não me sentia nada à vontade com a deficiência na minha vida antes do Angelo. Isso era outra coisa que me fazia brigar com Deus: "Com todas as possibilidades, você vai me dar justo um filho com deficiência, Deus? Você sabe que eu não gosto de deficiências! Eu não sei lidar com isso. Me dê outra coisa".

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Tags:
DoençaFilhosMaternidadeSaúdeSíndrome de down
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