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Eu estava em coma, mas ouvia tudo

Kate Allat

Corrado Paolucci - publicado em 28/10/14

Kate Allatt, da “síndrome de Locked in” ao despertar

O dia 7 de fevereiro de 2010 foi a data que marcou a vida de Kate Allatt. Ela, 39 anos e mãe de três filhos, profissional do setor de marketing digital. Sua paixão estava na corrida: percorria 100 quilômetros por semana.

AVC e estado vegetativo

Um dia acusou fortíssima dor de cabeça, mas o médico prescreveu-lhe um analgésic. Poucas horas depois, Kate sofreu um AVC, causado por um coágulo de sangue formado no cérebro. 

Três dias após o AVC, Kate despertou e estava consciente, mas não em grau de interagir com o mundo que a circundava. Seu estado real foi definido como “síndrome de Locked In”: “pode pensar, pode sentir, mas não pode dizer absolutamente nada”, explica Allatt em uma entrevista à televisão australiana Sbs, notificada pelo site italiano Tempi.it (26 de outubro), onde apresenta o seu livro de testemunho que tem como título “I am still the same”.

Tratamento desumano

Os médicos estavam convencidos de que Kate se encontrava em estado vegetativo: “os enfermeiros falavam diante de mim. Diminuiam suas expectativas sobre mim”. Ela conta que um dia, apenas pelo fato de que “talvez não estivesse consciente, fui deixada nua na cadeira do banheiro por vinte minutos (…). Foi horrível, mortificante”.

“Estava sendo mantida viva pelas máquinas”, disse. E por causa do “medo, da ânsia e do terror de que pudessem desligá-las”, Kate começou a ter alucinações. “Pensava o que aconteceria se os enfermeiros desligassem as máquinas, sentia-me vulnerável. Não podia fazer nada”. 

Amada pela família

O que restituiu a esperança de Kate foi uma de suas filhas, que sempre a amou como pessoa e como “sujeito em estado vegetativo”. “Minha filha India tinha apenas 10 anos, mas se sentava em minha cabeceira e gaguejava, falando-me suas tarefas de escola e de outras coisas por 45 minutos, como se nada tivesse acontecido comigo. Simplesmente falava com a sua mãe”. E daquele momento em diante, tudo mudou.

Kate conta que certa vez começou a derramar algumas lágrimas. Quem estava ao seu redor percebeu que não era uma reação involuntária. A amiga, Jacquie, colocou diante dos seus olhos uma folha com o alfabeto: “Me disse para eu tentar piscar, eu não conseguia nem mesmo falar, mas era como um leve movimento de pálpebras. Uma vez para dizer ‘sim’ e duas para dizer ‘não’”. E, pouco a pouco, Kate conseguiu compor uma palavra. “Queria dizer a eles que não conseguia dormir de noite. Foi o momento mais eufórico”. 

Hoje Kate recuperou quase plenamente suas funções, mas isso não acontece com todos. Por isso decidiu fundar uma associação para ajudar quem vive esta grave dificuldade. “Deve-se sempre partir da hipótese que estão todos conscientes, até que se prove o contrário”. 

Naquele corpo existe uma pessoa

Kate hoje é porta-voz de todas as pessoas que estão vivas mas não podem se expressar. “Os médicos deveriam fazer o teste da ‘Escala do coma de Glasgow’, que serve para controlar o estado de consciência. Precisamos de enfermeiros formados em terapia intensiva que possam, quando alguém está em estado de mínima consciência, sentar-se com este alguém duas ou três vezes por semana para estabelecer uma comunicação, se possível. Para buscar acalmar o paciente e aliviar seus medos”. Porque não somente “existe uma pessoa que sente, mas também uma pessoa fisicamente presente”. 

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DoençaVida
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