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Combatentes curdos iraquianos prestes a entrar em cidade síria atacada pelo EI

<p>(29 out) Curdos recebem com festa comboios peshmergas, na cidade turca de Viransehir</p>

AFP - publicado em 31/10/14

Os combatentes curdos iraquianos esperavam nesta quinta-feira na fronteira turca o momento propício para entrar na Síria com o objetivo de ajudar no combate aos jihadistas que sitiam a cidade curda de Kobane, onde uma delegação foi formada para facilitar a passagem.

Com armas pesadas, esses cerca de 150 peshmergas, segundo a imprensa turca, se reuniram em um depósito na cidade turca de Suruç, a 10 km da fronteira síria, sob estreita observação das forças turcas.

Unindo-se a um outro contingente que havia chegado mais cedo de avião do Curdistão iraquiano, cerca de quarenta veículos transportando os peshmergas e armas chegaram ao amanhecer em Suruç.

O comboio foi aclamado por milhares de curdos turcos durante seu percurso, e recebido em Suruç aos gritos de "Kobane será um cemitério" para o grupo Estado Islâmico (EI).

A fim de coordenar sua passagem para Kobane, um grupo de dez combatentes curdos iraquianos entrou nesta quinta-feira pela primeira vez na cidade síria, que está cercada pelos jihadistas há seis semanas.

Bombardeios e ataques

Segundo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), "uma célula de operação conjunta de coordenação será formada em Kobane entre os peshmergas e as YPG" (Unidades de Proteção do Povo), principal milícia curda síria que defende a cidade.

De acordo com a agência de notícias pró-curda Firat, o grupo de peshmergas deverá discutir ainda a passagem de armas com as YPG.

Enquanto isso, a frente norte de Kobane está sendo violentamente atacada pelo EI, que tenta retardar a entrada dos combatentes curdos iraquianos pela fronteira turca nas proximidades, segundo o OSDH.

"O EI atacou violentamente durante a noite a zona fronteiriça de Ain al-Arab (nome árabe de Kobane) com morteiros e artilharia pesada, enquanto lançava um ataque a um bairro do norte da cidade, perto da fronteira com a Turquia", informou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combatentes das YPG "repeliram o ataque", acrescentou, ressaltando que os ataques contra a frente norte haviam sido retomados nesta manhã com a mesma intensidade.

Um dos objetivos dos jihadistas é tomar os bairros do norte de Kobane para bloquear o caminho para a Turquia e isolar a cidade.

De acordo com o OSDH, três ataques aéreos da coalizão atingiram durante o dia vários agrupamentos de membros do EI no leste de Kobane.

As forças curdas sírias resistem desde 16 de setembro em Kobane com a ajuda da coalizão internacional.

‘Violação flagrante’

O general americano da reserva John Allen, que coordena a coalizão internacional que combate os jihadistas, considerou na quarta-feira que os reforços "evitariam" que Kobane caísse em poder dos jihadistas.

Combatentes do Exército Sírio Livre (ESL), maior grupo da oposição moderada ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad, já entraram em Kobane, mas as fontes divergem sobre seu número. Em Istambul, o chefe de uma unidade de do ESL falou em "cerca de 400" homens. Outras fontes indicam de 50 a 150 rebeldes sírios na cidade, que se tornou símbolo da resistência ao EI.

Autorizada pela Turquia sob pressão dos Estados Unidos, a passagem desses reforços revoltou Damasco, que denunciou "uma violação flagrante da soberania síria", depois de ter acusado Ancara de apoiar os rebeldes e os jihadistas que querem derrubá-lo.

O conflito sírio começou em março de 2011, quando manifestações pacifistas foram brutalmente reprimidas pelo regime, e se tornou mais complexo com o passar dos anos.

O surgimento do EI em 2013 complicou ainda mais a situação, com os jihadistas lutando ao mesmo tempo contra o regime e os rebeldes "moderados".

O secretário de Defesa dos Estados Unidos reconheceu que a campanha internacional de ataques aéreos contra os extremistas na Síria, principalmente em Kobane, pode beneficiar o regime de Assad. Os comentários de Chuck Hagel podem ser considerados uma crítica velada à estratégia síria do presidente Barack Obama.

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