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A Igreja é homofóbica? Um homossexual responde

Geerlingguy/Wikimedia Commons

Alfa y Omega - publicado em 04/11/14

Conheça a experiência de Eric Hess com o cardeal Raymond Burke: “Renunciei à Igreja Católica, mas ele nunca deixou de acreditar em mim”

Em um artigo da revista “Celebrate Life” intitulado “Saindo de Sodoma”, Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história de Wisconsin (EUA), conta a verdadeira paternidade do cardeal Raymond Burke, chamado por alguns de homofóbico após sua participação no sínodo dos bispos sobre a família.

Em seu artigo, Eric relata sua infância turbulenta (seu pai era dependente de álcool e violento), que o levou, “em meio à dor, a buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Após uma juventude de muita confusão afetiva (Eric situa, hoje, a causa das desordens sexuais, do direito ao aborto e dos direitos homossexuais na “mentalidade anticonceptiva predita em 1968 pelo Papa Paulo VI na ‘Humanae Vitae’”), em 1995, ele colocou em uma caixa sua Bíblia e todas as imagens religiosas que conservava da sua infância e as enviou ao bispo de “La Crosse”, Wisconsin, com uma carta na qual declarava sua renúncia à Igreja Católica.

“Para a minha surpresa, reconhece Eric hoje, o bispo Raymond Burke me respondeu com outra carta, na qual me dava a conhecer sua tristeza; disse que respeitava a minha decisão e que notificaria a paróquia na qual fui batizado. Afirmou que rezaria por mim e que desejava que chegasse o momento no qual eu me reconciliaria com a Igreja.”

No entanto, Eric (que, nessa época, era um dos ativistas gays mais atuantes de Wisconsin) lembra ter pensado: “Que arrogante!”. Depois, replicou ao bispo Burke com outra carta, acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois o bispo lhe enviou uma outra carta garantindo-lhe que não voltaria a escrever-lhe, mas que, se um dia ele quisesse se reconciliar com a Igreja, ele o receberia de braços abertos.

O tempo passou, mas “o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca desistiram de mim”, conta Eric, que então conversou “com um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do bispo.

Finalmente, “em 14 de agosto de 1998, a graça divina entrou na minha alma, em um restaurante chinês, junto ao meu companheiro de mais de 8 anos; naquela tarde, o Senhor me chamou ao tribunal da sua graça de cura: o santo sacramento da Penitência. O padre com quem eu havia conversado estava mês esperando lá. Enquanto eu caminhava até ele, uma voz interior falou ao meu coração; era amável, radiante e clara dentro da minha alma. E me dizia: este sacerdote é a imagem do que você poderia chegar a ser, se voltar a mim”.

A caminho de casa, naquele dia, Eric disse ao seu companheiro: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Mais tarde, ligou para o bispo Burke, “para que fosse o primeiro a ficar sabendo que eu estava voltando para a Igreja”. Então marcamos um encontro.

“Um mês depois da minha reconciliação com Deus e com a Igreja, entrei na sala do bispo e ele me abraçou. Perguntou-me se eu me lembrava de tudo aquilo que lhe enviei em uma caixa anos antes. É claro que eu me lembrava. Foi então que o bispo me devolveu a caixa, dizendo que ele sempre acreditou que eu voltaria.”

Vários anos se passaram, o bispo Burke participou do sínodo dos bispos sobre a família e recebeu algumas acusações de homofobia. Eric Hess confessa que o bispo de Saint Louis “é difamado pela sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que para mim se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu”.

Realmente, isso é todo o contrário da imagem com que alguns querem identificar o cardeal Raymond Burke e às vezes até a Igreja em si.

Tags:
homossexuaisIgreja
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