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Cecília Meireles, a poetisa

© Google

Clarissa Oliveira - publicado em 07/11/14

113º aniversário da escritora carioca ganha espaço no Doodle do Google


OU ISTO OU AQUILO

Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda

qual é o melhor: se é isto ou aquilo.

(Cecília Meireles)

O Doodle é a versão modificada do logotipo do Google que atrai a atenção de muita gente na Internet sempre que há uma data especial. Cecília Meireles recebeu esta homenagem nesta sexta-feira, 7 de novembro.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Concluiu seus primeiros estudos em 1910, na Escola Estácio de Sá, ocasião em que recebeu de Olavo Bilac, Inspetor Escolar doRio de Janeiro, uma medalha de ouro por ter feito todo o curso com "distinção e louvor”.

Casada duas vezes, em 1922 com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a se suicidar em 1935, e em 1940 com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinicius da Silveira Grilo, Cecília teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda. Faleceu aos 63 anos, de câncer, em 9 de novembro de 1964.

Vídeo ilustrativo associando o poema de Cecília Meireles, recitado por Paulo Autran, com um trecho do filme "UP":

Em 1919, aos 18, publicou o seu primeiro livro de sonetos, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais… e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.

Mas foi em 1939, quando lançou “Viagem”, que ganhou ainda mais reconhecimento. Recebeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras. Na década de 40, lançou seis publicações.

Em Deli, Índia, no ano de 1953, foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Deli. Recebeu o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962. No ano seguinte, ganhou o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", foi concedido pela Câmara Brasileira do Livro. 

© Reprodução/Wikimedia

Sua poesia, traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:

"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa.  Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo… A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.”

Em 1989 foi lançada uma nota homenageando a poetisa:

© Reprodução/Instituto Cecília Meireles

EPIGRAMA N.o 2

ÉS PRECÁRIA e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras.
Fôste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas tôdas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.

(Viagem)

Tags:
Literatura
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