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O cristianismo pode salvar o Ocidente da ruína?

Mike-CC

Tom Hoopes - publicado em 12/11/14

E você, católico, sabe o que nós temos que fazer?

"Tudo o que estava acontecendo quando o Império Romano desmoronou está acontecendo hoje também", contou-me o meu filho de 12 anos. "O nosso professor tem uma lista completa de exemplos", completou ele.

De fato, a moralidade cívica e pessoal está em quebra também na nossa época. Vemos sinais da decadência em quase todas as propostas de entretenimento de massas. Há no Ocidente um "amálgama monstruoso de Mercado e Estado", como disse Alasdair McIntyre, enquanto novos poderes ascendem no Oriente. Aqui, os nossos índices de aborto, eutanásia, violência nas ruas, guerra, suicídio e doenças sexualmente transmissíveis sugerem que os bárbaros já estão dentro das nossas fronteiras, e já faz um bom tempo.

E, assim como antes, nós, cristãos, estamos no meio deste cenário perturbador.

Assim como antes, boa parte de nós, cristãos, está de mãos dadas com as elites, adicionando a sua triste traição ao caldo comum da corrupção. Católicos de toda parte, nas universidades, nos hospitais e nos escritórios das empresas, são líderes na cultura da morte.

Mas, assim como antes, este não é o panorama completo da Igreja em nossos dias. Também há católicos, em todos esses lugares, que ainda são o antídoto para as piores tendências da nossa cultura.

Qual é a tarefa de um cristão quando o “império” está caindo aos pedaços? A mesma de sempre. Como disse o papa Bento XVI, "quando a escuridão parecia estar se espalhando pela Europa após a queda do Império Romano, São Bento trouxe a luz da aurora para brilhar sobre este continente".

Quando o Império Romano entrou na sua "idade das trevas", os católicos já conservavam a luz de Cristo em mosteiros, casas, escolas e igrejas e puderam começar a restabelecer a civilização.

Uma das tristes consequências da vida contemporânea é que a nossa cultura se tornou atomizada e anônima. Tornamo-nos um conjunto de indivíduos que circulam na órbita uns dos outros, limitando-nos a nós mesmos.

Veja, por exemplo, o processo cada vez mais automatizado de fazer compras. Dispomos de uma variedade enorme de bens que vieram até as nossas lojas sabe-se lá de onde, graças a sabe-se lá quem. Na hora de pagar, já existem (e vão existir cada vez mais) caixas inteligentes equipados com leitoras de chips que leem de uma só vez todos os códigos dos produtos do carrinho de compras, dispensando qualquer funcionário humano. Pagamos com nosso cartão ou com algum aplicativo do telefone celular, voltamos ao estacionamento igualmente automatizado e vamos embora sem precisar fazer contato visual com absolutamente ninguém. Ou ignoramos até mesmo este processo e fazemos tudo online, sem nem sequer precisar sair de casa. É uma evidente vantagem poder contar com essas alternativas, mas este fenômeno também deveria despertar em nós algumas reflexões sobre a perda crescente de contato humano com os chamados “estranhos”.

Na atual “economia made in China”, é muito comum estarmos a milhares de quilômetros de distância das pessoas que produziram a maior parte dos itens que nós compramos. Também estamos, facilmente, a centenas de quilômetros das pessoas que cultivaram os alimentos que levamos para a nossa mesa. De novo: isto nos traz comodidades e tem as suas vantagens práticas, mas vai limitando cada vez mais a nossa experiência de entrar em contato cotidiano com pessoas que não fazem parte do nosso círculo de convivência mais íntima.
E sabemos, no entanto, que as relações verdadeiramente humanas precisam de interação real.

Algo particularmente irônico é o seguinte: vivemos numa era em que os católicos muitas vezes interpretam que a "Nova Evangelização" consiste em "estar online". As ferramentas virtuais fazem parte da missão, é claro, mas precisamos repensar profundamente esta abordagem. Nesta época, talvez excessivamente digitalizada, a Nova Evangelização também significa sair deste esquema e conhecer as pessoas de verdade, na vida real, cara a cara.

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ArteCristianismo
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