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A força da música no último momento da vida

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Qual autor, qual melodia, qual harmonia pode conseguir aliviar um pouco a dor?

Por Marco Gasperetti

Com o violino apoiado no ombro e o arco levantado, Lorenzo busca inspiração olhando a luz que atravessa o corredor do departamento de cuidados paliativos. “Qual autor, qual melodia, qual harmonia pode conseguir aliviar um pouco a dor?”, pergunta-se por um momento o musicista. A resposta aparece rapidamente e de maneira inesperada: “poderia começar a tocar Bach, caro professor?”, pede com um sorriso um paciente. E agora, Lorenzo Fuoco, violinista do “Maggio Musicale Fiorentino”, de Florença (Itália), entende que mesmo ali, naquele lugar onde a vida se aproxima do fim, a música é uma linguagem universal e que não existem músicas ou autores ideais. 

Lorenzo Fuoco é um dos musicistas do Maggio, que organiza encontros em asilos e hospitais onde se acolhem pacientes nos últimos momentos de vida. Não somente concertos, mas momentos nos quais a simplicidade de um encontro se une à complexidade de uma obra-prima. “Podemos tocar em qualquer lugar – explica Fuoco -, nos corredores, nos quartos, nas salas onde também os parentes dos doentes nos acolhem, perto do soro, próximo a uma maca. Mas quando tocamos existe algo de extraordinário e inexplicável. Vemos a música preencher aquelas almas, alegrando-as, dando a elas um sorriso”. 

Os musicistas que aderiram à iniciativa fazem parte do grupo “Cameristi del Maggio”, fundado por Domenico Pierini, primeiro violinista da orquestra. Os concertistas colaboram voluntariamente com a Sile, uma fundação italiana de terapias e cuidados paliativos, e com a associação cultural Aida Studio, da qual Lorenzo Fuoco é diretor artístico.

Os resultados foram extraordinários e as procuras multiplicaram. Nas performances, que podem ser de um musicista ou de um grupo de professores, querem estar presentes também os parentes que perderam um familiar e se lembram dele ainda naquele último concerto. A primeira vez que Domenico Pierini, o primeiro violinista do Maggio, tocou, permanecerá em sua memória. “Eu estava emocionado e tremia como se fosse meu primeiro concerto – recorda-se. Não via o rosto dos hospitalizados, não podiam levantar das camas, mas eu percebia claramente a presença deles. As portas estavam abertas e nos corredores a nossa música chegava até eles e eu a imaginava como um rio de felicidade portador de alegria e esperança. Apenas um paciente chegou à sala onde tocávamos usando uma cadeira de rodas. Ele não disse uma palavra, mas nos seus olhos cansados notei uma luz intensa, que nunca poderei esquecer”.

Há uma memória indelével compartilhada por todos os músicos. A de Giuliano, um menino de dez anos. Naquele dia os musicistas estavam tocando em quarteto. O menino se encontrava no hospital visitando a mãe em fase terminal, talvez pela última vez. Vendo-os tocar, decidiu desenhá-los. Nenhuma cor, somente o branco da folha e o preto do lápis. “Creio que tenha sido uma pequena obra-prima e ainda hoje usamos o desenho como logo da nossa associação”.

Artigo extraído do jornal italiano Corriere Della Sera

Abaixo, Lorenzo e seus companheiros interpretam Bach em um concerto: