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Abraçando as quatro dimensões do nosso ser

Karl-Petter-Akesson-CC

Jim Schroeder - publicado em 06/12/14

O extraordinário significado que se esconde em nosso dia-a-dia

Acordei com uma luminosidade trêmula. Enquanto me sentava, pensei que eu tinha deixado acesa a minha lanterna. Mas, ouvindo os sons variados de respiração ao meu redor, acabei percebendo que a luz vinha da fogueira que, teimosamente, tinha se recusado a morrer lá fora. Saí da barraca rumo à brisa de uma noite perfeita. As estrelas brilhantes olharam para baixo. Dei uma breve caminhada pela estrada de terra e cascalho. Havia somente o silêncio.

Steve e eu tínhamos levado os nossos quatro filhos mais velhos para uma “aventura selvagem”. Tínhamos subido colinas, rezado antes das refeições e contemplado como eles saltavam felizes pelas rochas. As risadas nunca silenciavam de todo. Mesmo quando surgiam as queixas pelos pés cansados, eles ficavam subitamente extasiados com cavernas escondidas e passagens secretas. Na manhã seguinte, tomamos um rápido banho de chuva e fomos até uma igreja rural ali perto. Meu tio-avô Charles, o último de uma grande linhagem, tinha sido sepultado ali, na terça-feira anterior, no mesmo lugar em que o corpo da minha bisavó também repousava. Eu nunca tinha estado em São Marcos antes. E me perguntei quantos da nossa família estavam ali, orando ao meu lado, enquanto eu contemplava o extraordinário significado que se esconde em cada um dos nossos dias aparentemente comuns.

Deitado na barraca e ouvindo uma coruja que avivava nas proximidades a floresta sonolenta, eu sentia a multiplicidade do meu ser tão próxima de mim quanto o chão debaixo da minha cabeça. Tínhamos vindo em busca de um pouco de aventura para os nossos filhos e para nós mesmos. Ao longo do caminho, eu me descobri imerso nas realidades físicas, sociais, psicológicas e espirituais. As trilhas rochosas se comunicavam com os meus dedos assim como o aroma dos pinheiros falava para a minha alma. Meu bom humor crescia enquanto eu contemplava os horizontes e as colinas ao longe. As conversas pipocavam sobre muitos assuntos, de dias difíceis a caquis espalhados em abundância pelo chão. E a espiritualidade também jorrava, não só das orações formais e das tradições da hora da missa, mas também das camadas e mais camadas de rochas antigas, que evocavam o tempo e a eternidade.

Ao refletir sobre a minha permanente busca do bem-estar e da comunhão com os outros, eu não posso deixar de sentir que só vou encontrá-los na sua forma bruta. Fisicamente, à medida que avançamos para mais longe dos padrões rítmicos do sono, da saciedade e dos desconfortos sazonais e rumamos para uma vida ditada pela busca da conveniência, do conforto e das complexidades frívolas, eu me pergunto como é que os nossos corpos vão saber o que se sente quando se entra em contato com a terra… Psicológica e socialmente, enquanto tentamos nos desligar e nos desconectar durante longos períodos de tempo, eu me pergunto como vamos encontrar a nós mesmos e os outros de forma verdadeira… E, espiritualmente, quando procuramos desculpas mundanas para explicar e racionalizar o que fazemos, deixando de lado as oportunidades de olhar para mais além, eu me pergunto se um sorriso é mesmo só um sorriso e se a morte é mesmo só a morte…

Muitas vezes, quando recebemos conselhos para melhorar cada uma dessas quatro dimensões, a física, a psicológica, a social e a espiritual, reagimos com indiferença. As pessoas nos dizem para comer vegetais crus ou para diminuir a nossa ansiedade, mas achamos que as estratégias para conseguir isso já são trabalhosas demais em si mesmas. Sabemos que deveríamos reservar algum tempo para conversar uns com os outros sobre as questões importantes da vida, mas trocar mensagens de texto nos parece bem menos exigente. E quando contamos com oportunidades para rezar ou para oferecer algum pequeno sacrifício, a abstração e o mistério envolvidos nesses gestos nos levam a preferir algum outro tipo de segurança.

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