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Qual o sentido das canções de Natal em um mundo de zumbis e vampiros?

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Joseph Bottum - publicado em 10/12/14

O nosso tempo passa por um problema profundo: o desencanto

Tenho escrito canções de Natal ao longo dos últimos anos. Por quê? Talvez pela mesma razão que levou a televisão a investir tanto nos zumbis de "The Walking Dead", nos mistérios que desafiam a ciência em "Supernatural", em vampiros, fantasmas, múmias, bruxas, magia, desastres de dimensões apocalípticas, super-heróis e ocultismo.

A arte do nosso tempo passa por um problema profundo: o problema do desencanto.

Precisamos daquilo que nos falta nesta modernidade tardia: precisamos de uma ligação viva com o passado, de uma densidade de referências, de uma espessura maior de vocabulário, de um mundo externo a nós mesmos que brilhe com mais significado cósmico.

Todas as letras que eu estive tentando compor nos últimos anos têm refletido um esforço da minha poesia por alcançar esse passado mais denso. E com as canções de Natal, em particular, tentei abordar também um dos últimos tipos de encantamento que restaram em nosso âmbito público. A letra de “Some Come to See the Lord” [“Alguns vêm ver o Senhor”], uma das minhas composições mais recentes, observa que “alguns vêm porque, quando crianças, cantavam velhas canções de Natal”.

É, em outras palavras, a lembrança de um passado feliz! Ou a busca de alívio para um passado que deixou marcas de tristeza: “Alguns vêm porque, quando crianças, sofreram mágoas e dor”, prossegue a letra.

Nós procuramos a manjedoura porque Cristo é a solução para as feridas da nossa alma. Mas também buscamos o Menino que dorme porque, assim como os reis magos, percebemos que Cristo é a solução, é um momento cosmicamente significativo, metafisicamente rico, sobrenaturalmente poderoso neste mundo superficial.

Vamos pensar desta maneira: se o significado vem apenas de nós mesmos, se o significado surge apenas através das perspectivas humanas sobre o mundo, então não há nada de significativo em si mesmo. Ah, mas temos grandes emoções e grandes anseios! Isso faz parte daquilo que queremos que a arte expresse. Mas será que existe, fora de nós mesmos, alguma coisa que seja inerentemente digna dos nossos grandes sentimentos? Num mundo superficial, nada tem encantamento. Nada é naturalmente importante, significativo, denso. Nada é rico, espesso e vivo, inflamado daquela verdadeira beleza de que a arte precisa para sobreviver a mais do que poucas gerações.

Apele para alguns zumbis, no entanto, e você terá um mundo, para os roteiristas e para os telespectadores, que oferece lampejos de um profundo sentido do apocalipse e do fim dos tempos. Invista em alguns vampiros, fantasmas e demônios e você terá um mundo em que o bem e o mal têm uma presença palpável.

Em outras palavras, a fome por um mundo sobrenaturalmente denso, emocionalmente complexo e metafisicamente rico está inscrita em nossa era.

O Natal ainda oferece esse mundo ao artista e ao público. Em outra das minhas novas canções natalinas, “Joy Will Keep Us” [“A alegria nos manterá”], eu observo:

“Dreamers seek the source of dreaming. Wise men search for wisdom’s throne. Christ has shown the cause of meaning: truth itself at last made known” [“Os sonhadores procuram as fontes do sonhar. Os sábios procuram o trono da sabedoria. Cristo mostrou a causa da significação: a própria verdade finalmente revelada”].

São páginas e mais páginas de São Boaventura comprimidas em poucas linhas.

“Joy Will Keep Us”:

“Some Come to See the Lord”:

Ao compor canções de Natal num mundo desencantado, eu tenho tido a extraordinária experiência de ver que há pessoas dispostas a se juntar aos meus projetos “malucos”.

O compositor de música clássica Michael Linton, que publica comentários maravilhosos e contundentes no Wall Street Journal, escreveu para mim a alegre melodia que usei em “Joy Will Keep Us”. Priscilla Jensen, filha do grande crítico literário Marion Montgomery, me ajudou a dar a um hino luterano sueco do século XVII, "Bereden väg för Herran", uma sonoridade moderna, que me permitiu adaptar a melodia em “Some Come to See the Lord”. O guitarrista, acadêmico e editor da “Law and Liberty”, Lauren Weiner, trabalhou gentilmente nos rascunhos das canções.

A jovem cineasta Margaret Craycraft produziu o clip oficial de “Some Come to See the Lord”. A bela, jovem e talentosa Mallory Reaves interpretou as duas novas canções de Natal e Chris Folsom se encarregou dos arranjos e da produção no estúdio Underground Treehouse, em Nashville (EUA). Finalmente, Chris McMurtry disponibilizou as músicas para venda no serviço de distribuição Musique d’Art.

Todo esse trabalho colaborativo foi um presente não procurado, em meio às minhas dúvidas pessoais. Não há algo de profundamente natalino em tudo isso?

Estas duas novas canções procuram transmitir a graça e a alegria: a graça do Natal é um mundo de densidade, subitamente rico e repleto de sentido com a chegada do Menino Deus. E a alegria é o resultado direto de tanto amor derramado no mundo!

Tags:
EntretenimentoMúsicaNatal
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