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A inteligência artificial é mesmo um perigo para a humanidade?

Donkey-Hotey-CC

Eugene Gan - publicado em 14/12/14

Saiba por que nós, católicos, não temos nada a temer

Qual é o sentido da vida? Veja algumas respostas dadas pela Siri, a assistente virtual dos smartphones da Apple:

"Vida: princípio ou força subjacente à qualidade distintiva dos seres animados. Acho que isso me inclui!"

"Eu não sei. Mas acho que existe algum aplicativo para isso".

"Todas as evidências até o momento sugerem que é o chocolate".

A internet andou em polvorosa, recentemente, com a notícia de que o renomado físico teórico Stephen Hawking teme que a Inteligência Artificial (IA) possa representar a derrocada final da humanidade.
"O desenvolvimento da inteligência artificial plena poderia significar o fim da raça humana", declarou ele à BBC. Hawking, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ALS), fez o comentário durante uma entrevista em que lhe perguntaram sobre o novo sistema artificial de comunicação que foi desenvolvido para seu uso pela Intel e pela SwiftKey. Embora tenha gostado do fato de que o novo software use IA para aprender o seu padrão de fala a fim de prever e sugerir palavras que ele possa usar logo a seguir, Hawking expressou sérias preocupações quanto ao futuro da humanidade diante de sistemas de IA que podem aprender, adaptar-se e evoluir sozinhos, atingindo níveis complexos de pensamento que nos ultrapassariam. "Os seres humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não poderiam competir com eles e seriam substituídos".

Hawking não é o único a ter essa visão sobre o nosso futuro. O CEO da SpaceX e da Tesla Motors, Elon Musk, também declarou que a IA desenfreada é a "maior ameaça existencial" que a humanidade enfrenta. E se a nossa mídia é um reflexo das esperanças e dos medos da nossa cultura, então não devemos nos surpreender de que o público em geral tenha temores semelhantes. Afinal, já vimos o Google criando carros que dirigem sozinhos, já vimos o Watson da IBM batendo Ken Jennings em Jeopardy e o Deep Blue derrotando o campeão de xadrez Garry Kasparov. E ainda nos lembramos de simulações veneráveis como “I.A.”, de Steven Spielberg (você se lembra do robozinho que desejava desesperadamente ser amado pela mãe humana?), a franquia “O Exterminador do Futuro” (será que os drones da Amazon vão se transformar um dia em armas aéreas assassinas?) e “Blade Runner”, baseado em "O Caçador de Androides", de Philip K. Dick. O tema é semelhante: seres humanos que são ameaçados pela IA e que não conseguem se sair muito bem diante dela.

Mas atenção: Hawking e outros estão fazendo algumas suposições fundamentalmente errôneas sobre a condição humana. Para começar, a palavra "inteligência", do jeito que eles a usam, é muito estreitamente definida. Ela não leva em consideração o dom da graça que ilumina o intelecto, nem a realidade da nossa alma como "o sujeito da consciência humana e da liberdade" (cf. glossário do Catecismo da Igreja Católica). A alma não é "produzida" pelos pais de uma criança: só Deus pode criar uma alma imaterial e imortal (cf. Catecismo, artigo 366). Definições fornecidas pelos dicionários, como "capacidade de aprender ou compreender as coisas ou lidar com situações novas ou difíceis", ou pelo Google, como "capacidade de adquirir e aplicar conhecimentos e habilidades", representam uma atitude cultural em relação à inteligência, mas deixam de destacar a importância da experiência, da memória, da sabedoria, do exercício do livre arbítrio, da motivação e até mesmo da concupiscência, entre outras qualidades, em nossa aquisição e aplicação de conhecimentos e habilidades.

O Teste de Turing merece menção especial neste momento, já que, inevitavelmente, ele vem à tona em qualquer conversa sobre IA; particularmente porque Alan Turing, em seu texto "Computing Machinery and Intelligence", de 1950, afirmou inequivocamente que não podia aceitar o conceito de um Deus que cria uma alma imortal nem a noção de que só os seres humanos tenham alma imortal. No Teste de Turing, um juiz humano se senta numa sala e interroga dois entes separados, localizados em salas diferentes: um é um ser humano e o outro é uma máquina dotada de IA. Tanto a máquina quanto o humano tentam convencer o juiz humano de que são gente também. Turing acreditava que o objetivo da IA é criar máquinas que possam passar nesse teste, ou seja, máquinas dotadas de IA que possam ser pelo menos linguisticamente indistinguíveis dos humanos. No entanto, esse teste é deficiente em múltiplos aspectos. Por um lado, ele não capta o pensamento subarticulado: os processos de pensamento de que não somos sequer conscientes. Será que a linguagem pode, por si só, capturar as inúmeras formas da inteligência humana? E os outros modos de inteligência, como, por exemplo, pintar um retrato, acalmar uma criança agitada, sobreviver em condições selvagens, aconselhar um amigo, construir uma casa, consertar uma torneira que pinga, tocar um instrumento musical, discutir o significado de uma obra de arte e toda uma série de outras habilidades que não são dependentes apenas da linguagem? O Teste de Turing parece focar mais na comunicação do que no significado da

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CiênciaMorte
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