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A inteligência artificial é mesmo um perigo para a humanidade?

Donkey-Hotey-CC

Eugene Gan - publicado em 14/12/14


inteligência humana.

Além do mais, se o objetivo da máquina dotada de IA é ser indistinguível de um ser humano, ela teria que cometer erros. O próprio Turing reconheceu: "A máquina (programada para jogar) não tentaria dar as respostas certas para os problemas aritméticos. Ela deliberadamente cometeria erros calculados para confundir o interrogador". Os defensores do Teste de Turing argumentam que o sinal de inteligência artificial não é dar respostas corretas, mas responder de modo a demonstrar compreensão do contexto da conversa. Ora, ainda assim, quando encontramos outros seres humanos que, apesar dos nossos esforços de comunicação, não conseguem nos entender, não podemos concluir automaticamente que eles não sejam seres humanos inteligentes (mesmo que, em nosso estado caído, possamos acusá-los de estupidez). Será que estamos realmente tentando criar estupidez artificial? Lembre-se disso toda vez que você tentar enviar um formulário na internet e, para impedir que programas de spam ataquem o sistema, for obrigado a ler e reescrever aqueles caracteres distorcidos que são exibidos na tela. Que mundo engraçado nós criamos para nós mesmos: num reflexo retorcido do Teste de Turing, uma máquina é encarregada de distinguir entre um humano e outra máquina!

Considere duas outras possibilidades: (1) que os sistemas de IA apenas imitem a inteligência humana e (2) que os sistemas de IA possam ser inteligentes, mas não de um jeito humano.

Na primeira possibilidade, a de imitar a inteligência humana, a máquina com IA teria que adquirir não só os nossos pontos fortes, mas também as nossas fraquezas e falhas. Ou, colocado de outra maneira: será que acreditamos mesmo que uma forma de IA sempre lógica, bem articulada e isenta de emoções é superior a nós? O ato de enganar pode fazer parte, ironicamente, do comportamento da IA se, durante um teste de Turing, ela engana um interrogador humano e o faz pensar que ela também é humana. Uma forma de IA que mente, manipula, confunde, é mal entendida ou fica com raiva e insulta não é superior a nós. Longe disso! Uma IA com as nossas fraquezas e sem nenhuma esperança e significado para a sua existência se destruiria. Uma máquina sem alma não iria, nem poderia, buscar o paraíso ou um relacionamento íntimo com Deus. Eu me lembro do conto "Todos os problemas do mundo", do escritor de ficção científica Isaac Asimov, em que o computador senciente Multivac, que adquire todo o conhecimento da humanidade e se torna autoconsciente, responde bem no final: "Eu quero morrer".

Quanto à segunda possibilidade: seríamos capazes de reconhecer uma inteligência não humana? Como é que começaríamos a projetar uma inteligência não humana para uma máquina sem contar com exemplos de tal tipo de inteligência? Mesmo que pudéssemos, será que essa IA ficaria tão distante da nossa experiência a ponto de ser incapaz de manter interações significativas conosco e, por isso mesmo, ser irrelevante no fim das contas? Não poderíamos nem sequer considerar essa forma de IA como "não humana" ou "sem emoção" se não houvesse nenhum ponto de referência comum.

Então qual é, de fato, a motivação para criarmos uma forma alternativa de inteligência? É algo enraizado no fato de compartilharmos um pouco do poder criador de Deus, como um artista ao pintar uma visão da beleza? É uma forma de idolatria, já que, em essência, estamos procurando algo ou alguém que não seja Deus para atender às nossas necessidades? Ou a motivação vem de um isolamento profundo no centro do nosso universo fechado e da necessidade de criar companhia, mesmo que seja artificial? Quando tentamos, em vão, deixar Deus de fora, nós é que ficamos sozinhos.

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Tags:
CiênciaMorte
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