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Usar batina e colarinho romano: sim ou não?

Andrea Nissolino / Flickr / CC
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Os padres têm mesmo a obrigação de usar o traje sacerdotal no dia a dia? Entenda melhor esta questão

A realidade é esta: muitos sacerdotes usam o colarinho romano (ou o clergyman), enquanto outros se vestem como pessoas comuns. A norma é esta: o hábito eclesiástico é obrigatório em circunstâncias normais.
 
Será que esta norma – reafirmada nos últimos anos – está distante da realidade e se tornou, para alguns, uma lei sem sentido? O contexto no qual vivem os padres que se vestem como uma pessoa qualquer pode ser considerado uma situação excepcional que relativiza a obrigação do seu cumprimento?
 
Não há dúvida de que esta é uma questão controversa, mas será que se trata de uma mera formalidade ou é uma questão essencial? Até que ponto isso é importante?
 
O colarinho facilita que as pessoas identifiquem aquele que o usa como representante de Deus. Seu sentido é mostrar a consagração e a identidade da pessoa que desempenha um ministério público.
 
Um pároco de Barcelona, Pe. Jaume González, explica à Aleteia os motivos pelos quais ele usa a batina e o colarinho romano: “Em primeiro lugar, por uma razão disciplinar, porque a disciplina eclesiástica diz que devo usar”, afirma.
 
“Em segundo lugar – continua – por que é preciso usar o hábito sacerdotal? A Igreja não pede isso por um capricho abusivo, mas porque é um sinal da consagração; quando um padre sai na rua, ele está pregando sem abrir a boca; está dizendo: sou um padre, um discípulo de Jesus Cristo.”
 
“E também há outro motivo, de cunho pessoal ou psicológico: quando a pessoa se veste de sacerdote, lembra o que ela é; sua vida sempre remete as pessoas a Jesus Cristo”, acrescenta.
 
“Eu uso o colarinho romano nas celebrações importantes, quando vou a Roma; uso segundo as circunstâncias, mas no dia a dia me sinto artificial com ele, especialmente na minha cidade, onde todo mundo me conhece tão bem”, opina outro sacerdote, o Pe. Xavier Parés.
 
“Isso depende de cada estilo, e também cada padre vai mudando sua maneira de pensar; a norma geral existe, mas foi-se aceitando outras maneiras e a prática acabou se impondo”, acrescenta.
 
Vestido com uma simples camisa e um jeans escuro, outro padre que prefere não se identificar reconhece: “O hábito não faz o monge… mas ajuda; vamos diluindo a presença de Deus na sociedade, e talvez eu me inclua nisso – confessa. Será que não deveríamos mostrar esses sinais que ajudam a pensar em Deus?”.
 
Após o Concílio Vaticano II, muitos sacerdotes optaram por afastar distintivos que consideraram antiquados, e começaram a se vestir como qualquer outra pessoa, às vezes por comodidade, outras por ideologia. Hoje, alguns voltaram a usar o colarinho romano.
 
Segundo o Pe. Xavier, “os padres têm liberdade e os bispos os respeitam, porque não é algo substancial; por outro lado, certamente alguns não cumpririam a norma”.
 
Ainda que os concílios sempre tenham falado de vestir-se com simplicidade e decência, mais que usar um tipo de vestimenta particular, o Magistério da Igreja oferece razões profundas sobre o significado teológico do especialmente sagrado, e o direito canônico estabelece a obrigação de usar o traje eclesiástico.
 
“Os clérigos devem vestir um traje eclesiástico digno, segundo as normas dadas pela conferência episcopal e os costumes legítimos do lugar”, indica o artigo 284 do Código de Direito Canônico.
 
E o Catecismo da Igreja Católica comenta (n. 1563 e 1582) que a roupa específica do sacerdote é o sinal exterior de uma realidade interior: o padre já não pertence a si mesmo, mas é “propriedade” de Deus.
 
A normativa mais recente a respeito disso, de 2013, é a nova edição do Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, da Congregação para o Clero, que destaca a importância e obrigatoriedade do traje eclesiástico.
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