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Usar batina e colarinho romano: sim ou não?

Andrea Nissolino / Flickr / CC
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Os padres têm mesmo a obrigação de usar o traje sacerdotal no dia a dia? Entenda melhor esta questão

 
Em seu ponto 61, prescreve que “o presbítero deve ser reconhecível sobretudo pelo seu comportamento, mas também pela forma de se vestir”, e explica que o hábito clerical lhe recorda que “é sacerdote sempre e em todo momento”, servindo-lhe como “proteção da pobreza e da castidade”.
 
Este diretório prevê que os sacerdotes usem batina ou colarinho romano (um traje diferente do dos leigos e conforme a dignidade e sacralidade do seu ministério) e também que cada conferência episcopal estabeleça sua forma e cor.
 
E adverte que “as práticas contrárias não podem ser consideradas costumes legítimos e devem ser removidas pela autoridade competente”.
 
Neste sentido, em 1995, quando um bispo brasileiro perguntou ao Vaticano se esta norma era de cumprimento obrigatório ou meramente exortativa, o Conselho Pontifício para os Textos Legislativos respondeu que sim, porque é um decreto geral executório.
 
Ao mesmo tempo, o diretório indica que, para esta norma, é preciso excetuar as situações totalmente excepcionais, entre as quais alguns canonistas enumeram o risco de morte, a perseguição religiosa e a Igreja no exílio ou perseguida.
 
Para o Pe. Jaume González, a importância de usar o colarinho romano foi uma descoberta: ele foi ordenado de terno e gravata e no início se vestia à paisana. “No seminário, não me mostraram a bondade disciplinar e pastoral do uso do colarinho romano, e eu não tinha consciência de que era uma obrigação. É preciso formar as pessoas e motivá-las para que o usem”, opina.
 
O sacerdote considera muito positiva a experiência de vestir-se com o traje eclesiástico. “Com ele, você encontra pessoas que pedem para ser ouvidas, para confessar-se em um canto da cidade, e até outras que perguntam coisas práticas ou agradecem pelo sacerdócio”, explica.
 
Assim, ele recorda uma história de São Francisco de Assis e seu companheiro Frei Leão, ocorrida em um dia em que saíram para pregar nos povoados: passaram de cidade em cidade sem abrir a boa e, ao anoitecer, Frei Leão perguntou a Francisco: “Como é que pregamos hoje?”. E São Francisco respondeu: “Parece-lhe pouco o que pregamos? As pessoas viram nossos hábitos da santa pobreza!”.

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