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Líder islâmico aprova a linha adotada pelo papa Francisco

Pope Francis (R) puts his arms around Rabbi Abraham Skorka (C) and Omar Abboud (L), a leader of Argentina’s Islamic community – pt

AFP PHOTO/ VINCENZO PINTO

JERUSALEM : Pope Francis (R) puts his arms around Rabbi Abraham Skorka (C) and Omar Abboud (L), a leader of Argentina's Islamic community, travelling with him at the Western Wall, Judaism's holiest site, in Jerusalem's Old City on May 26, 2014. Pope Francis faces a diplomatic high-wire act as he visits sacred Muslim and Jewish sites in Jerusalem on the final day of his Middle East tour AFP PHOTO/ VINCENZO PINTO

Gelsomino Del Guercio - publicado em 02/01/15

O dirigente do Conselho de Imãs das Filipinas aplaude a opção pelo diálogo

Os esforços do papa Francisco pela paz e pelo bem da humanidade "devem ser ouvidos e apoiados por todos os seres humanos, sem distinção de religião ou de crença. De modo específico, eu convido os meus irmãos e fiéis muçulmanos a ouvirem e compreenderem as palavras do pontífice: elas devem ser seguidas se quisermos derrotar o terrorismo", declarou o dirigente do Conselho de Imãs das Filipinas, Ebra M. Moxsir Al-Haj, durante uma entrevista no programa de televisão "Conheça a Verdade", que vai ao ar no início de janeiro de 2015, no contexto da visita do papa Francisco ao país (AsiaNews, 29 de dezembro).

Apelos sinceros do papa

O líder islâmico é também capelão das forças policiais nacionais nas Filipinas. Durante a entrevista, ele “abriu as portas” do país para o papa Francisco: "Nós temos que dar as nossas sinceras boas-vindas ao pontífice e apoiar os seus apelos pela cooperação inter-religiosa. Francisco nos exorta a caracterizar as relações entre as religiões com a sinceridade e com a boa vontade: este é o único caminho para a verdadeira paz. Eu apoio com vigor a posição do papa contra o extremismo, que não pode ser impedido por nada, a não ser pela paz entre as religiões".

Condenação do terrorismo

Esta é a primeira manifestação firme contra o terrorismo adotada por uma autoridade islâmica depois do apelo feito pelo papa Francisco no voo de regresso da Turquia. Na ocasião, o pontífice tinha pedido abertamente a "todos os líderes islâmicos" que condenassem os atos de terrorismo "porque será de ajuda para a maioria das pessoas islâmicas ouvir [essa condenação] da boca dos seus líderes religiosos, políticos, acadêmicos, intelectuais. Todos nós precisamos que seja feita uma condenação mundial. Os muçulmanos que têm a sua identidade precisam dizer: nós não somos isso, o alcorão não é isso" (BBC, 29 de novembro).

O Estado Islâmico não é o islã

Ishak Kizilaslan, imã da mesquita de Sultanahmet, conhecida como a Mesquita Azul de Istambul, transmitiu uma mensagem em sintonia com a fala do papa: "O islã é paz. A própria palavra ‘islã’ significa paz e submissão", disse ele pouco antes da chegada do papa Francisco à Turquia. Para Kizilaslan, os meios de comunicação ocidentais passam uma imagem errada do islã ao identificá-lo com as atrocidades cometidas por grupos extremistas como o Estado Islâmico (EI), ativo no Iraque e na Síria. "Mas eles não representam o mundo islâmico". O EI, afirmou a autoridade muçulmana, "não está agindo por causa de objetivos religiosos", mas por causa de "questões fundamentalmente políticas" (Adnkronos, 27 de novembro).

Os três objetivos do encontro entre cristãos e muçulmanos

Mensagens conciliatórias foram divulgadas também durante o terceiro Encontro Cristão- Muçulmano, que se realizou em Roma no dia 4 de dezembro. Evitar os conflitos por meio da educação para o diálogo inter-religioso, construir uma rede de cooperação institucional entre os cristãos e os muçulmanos e condenar o uso da religião para legitimar ações injustas: estas são as três metas de trabalho até 2016, data do próximo encontro, a ser realizado em Teerã.

Fraternidade e humanidade

“Passamos do encontro para o diálogo: o diálogo nós temos cultivado há anos”, declarou o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. “Agora nós temos que caminhar juntos e realizar algo juntos. Insistir em uma boa educação, fazer com que o outro seja amado não como o diferente que deve ser temido, mas como o diferente que deve ser conhecido, aquele com quem compartilhar, para construirmos juntos uma nova sociedade baseada na fraternidade e na humanidade” (Rádio Vaticano, 4 de dezembro).

Nova etapa das conversas no final de janeiro

O diálogo com o mundo islâmico, de acordo com o que escreveu a agência AsiaNews (29 de dezembro), continuará nos dias 29 e 30 de janeiro de 2015 com a reunião anual da Comissão para as Relações Religiosas com os Muçulmanos, liderada pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso. As atenções da reunião se voltarão ao Iraque, onde “um novo e particular canal de diálogo”, explicou o cardeal Tauran, “foi aberto com a criação de um comitê permanente para o diálogo com os representantes das principais comunidades religiosas do país: os xiitas, os sunitas, os cristãos, os sabeus. É um sinal de esperança em meio a um panorama bastante escuro".

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