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Arqueólogos acreditam ter encontrado o local do julgamento de Jesus

Public Domain/Wikimedia Commons

John Burger - publicado em 07/01/15

Museu já oferece visitas ao lugar em que Pilatos interrogou o Filho de Deus

Pode ser que os arqueólogos nunca identifiquem o local exato em que Jesus ficou preso durante as últimas horas antes de ser crucificado, mas os pesquisadores podem estar mais perto do que nunca de identificar os locais relacionados com o seu julgamento.

É o que diz um estudioso da Universidade Católica da América a propósito da notícia de que um grupo de arqueólogos teria encontrado o provável local do julgamento de Jesus em Jerusalém: "Eu concordo com a maioria dos estudiosos em que é bastante provável, mas ainda não definitivo, que a área que eles estão escavando corresponde ao lugar onde aconteceu o julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos", afirma Robert D. Miller, professor de Antigo Testamento na Universidade Católica.

"O lugar atualmente venerado como a primeira estação da Via Crucis, que é o convento franciscano da Flagelação e que era a antiga Fortaleza Antônia na época romana, muito provavelmente não é o local onde Jesus foi julgado. A maioria dos estudiosos situa o pretório de Pilatos na Torre de Davi. Por isso, os restos que eles estão escavando agora seriam as paredes e o piso do próprio pretório", complementa Miller.

De acordo com um artigo publicado nesta semana pelo jornal “The Washington Post”, havia planos, quinze anos atrás, de expandir o Museu da Torre de Davi, na Cidade Velha de Jerusalém, mas essa ideia foi deixada de lado quando os arqueólogos começaram a estudar as camadas encontradas sob o piso de um velho edifício abandonado, adjacente ao museu.

“Eles sabiam que o edifício tinha sido usado como prisão quando esta região foi governada pelos turcos otomanos e, depois, pelos britânicos. Mas, à medida que eles escavavam mais, foi sendo descoberto algo extraordinário: os supostos restos do palácio em que pode ter acontecido uma das cenas mais famosas do Novo Testamento: o julgamento de Jesus”, escreveu Ruth Eglash no artigo.

As guerras e a falta de fundos adiaram as escavações, mas o museu já está começando a organizar visitas ao local recém-descoberto.

Referências das sagradas escrituras reforçaram a teoria de que o local pode ser o do julgamento. Desde o século XIII, o ponto de partida da Via Dolorosa é a Fortaleza Antônia, um antigo quartel militar romano que fica debaixo de uma escola próxima da mesquita de Al-Aqsa e da Cúpula da Rocha. O artigo explica: “O debate sobre o local do julgamento prossegue entre os líderes espirituais cristãos, os historiadores e os arqueólogos. As perguntas são levantadas por diversas interpretações dos evangelhos, que dizem que Jesus de Nazaré foi levado à presença de Pilatos no ‘pretório’, um termo em latim que indica a tenda de um general dentro de um acampamento romano. Alguns dizem o pretório de Pilatos teria sido no quartel militar, enquanto outros afirmam que o general romano provavelmente teria sido recebido como hóspede no palácio construído por Herodes”.

Hoje, os historiadores e arqueólogos têm certeza de que o palácio de Herodes ficava no lado ocidental da cidade, onde se localizam o Museu da Torre de Davi e a prisão da época otomana.

Para Shimon Gibson, professor de arqueologia na Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos Estados Unidos, há poucas dúvidas de que o julgamento ocorreu em algum lugar dentro do complexo do palácio de Herodes. O evangelho de São João diz que o julgamento aconteceu em um local que ficava perto de um portão e cujo pavimento era feito de pedras irregulares, detalhes coerentes com os achados arqueológicos anteriores, próximos da prisão.

"É claro que não há nenhuma inscrição informando que o julgamento aconteceu exatamente aqui, mas tudo se encaixa e faz sentido do ponto de vista arqueológico, histórico e evangélico", observa Gibson.

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